O que você faria se descobrisse que sua esposa está te traindo e isso pode acabar com sua família perfeita? Essa é a proposta do longa Minotauro, produção russa feita pela Mubi Films e com distribuição da Imovision no Brasil e que passou pela primeira vez na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Além disso, o filme é um dos grandes concorrentes do Brasil na corrida pelo Oscar 2027.
Baseado no filme ‘A Mulher Infiel’, o longa acompanha Gleb, um diretor de empresa bem-sucedido que se vê situado entre pressões cooperativas crescentes e por um mundo cada vez mais instável. E no meio disso tudo, a sua vida em família completamente perfeita acelera rumo a violência.

Num momento onde o mundo está atravessando várias guerras, principalmente a da Rússia contra a Ucrania, Minotauro chega com o roteiro de Simon Lyashenko e Andrew Zvyagintsev, para mostrar como a guerra que está acontecendo agora é ruim para todos, inclusive para os megaempresários. E como o poder do opressor sobre o oprimido acaba sendo superior com a história do casamento dos protagonistas, que mesmo com a traição, terminam felizes e juntos. E os megaempresários continuam ricos, mesmo com seus funcionários morrendo na guerra. Além disso, o roteiro também transforma o cenário da casa do protagonista, que é um cenário de terror clássico de cabana na floresta, em um espaço que mesmo cheio de luxo, é um lugar vazio e sem alma. Além disso, o roteiro trabalha uma família perfeita de margarina em processo de desconstrução, com mentiras, traições e pressões externas. Já a direção de Andrew Zvyagintsev, aposta em travelings e giros em 360º para realizar belas transições e temos que também destacar a sonoplastia de Andrey Dergachev que usa cada som do ambiente ao redor dos personagens para acrescentar a trama e ainda transforma o ambiente na própria trilha sonora do filme.
Sobre o elenco, o Dmitri Mazourov constrói um Gleb egocêntrico, a tal ponto que ele precisa manter sua família perfeita de margarina, apenas para passar a impressão de que ele está no controle de tudo. Ao mesmo tempo, o ator traz o lado submisso do personagem, que obedece sem nem pestanejar, as ordens do governo Russo para mandar seus funcionários para guerra. Mas também, ele se mostra uma pessoa fria, calculista e implacável.

Minotauro é uma analogia perfeita do começo do conflito russo contra os Ucranianos e uma amostra de que um mundo democrático e sem guerra, é o melhor mundo que podemos ter. Realmente me surpreendeu o cinema russo, muito mais que o Ilya Rozanov.
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