Por: Pietro Tenório
Já se passaram três dias desde que o casal Malipe (Maurício e Felipe) se beijaram no capitulo de sexta-feira (30) ao som de Eu Preciso Dizer que Te Amo do Cazuza com a Bebel Gilberto, uma sequência linda que iremos falar mais sobre aqui neste texto, que é mais do que uma critica ou um Opinião Sinceramente Popular, é uma carta aberta a todos que se sentiram abraçados não só por essa sequencia, mas também por esse casal. Isso porque, Malipe é uma vitória não só da comunidade LGBT brasileira, mas do país inteiro que acompanha fielmente Quem Ama Cuida e que formou esse casal antes mesmo da novela estrear, quando apenas uma foto da atriz Mah Duarte, que faz a Carol, a irmã do Felipe (Pietro Antonelli) na trama ao lado dele e do estreante ator João Victor Gonçalves, foi postada nas redes sociais junto com um vídeo dos dois dançando juntos durante a preparação. A partir dalí, o país se juntou num movimento em torno desse casal.
E a construção da história deles, embora se arraste bastante por uma novela de mais de 200 capítulos e olha que ainda tem muita coisa pra acontecer, é uma história linda e delicada, que é tratada com carinho pelos autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto e pela diretora artística Amora Mautner, que já falou no quanto ela se emocionou e se arrepiou com a sequencia do beijo do casal, o que só mostra o poder da arte em não só representar pessoas, como também ser uma forma de libertação e aceitação, que é isso que o casal Malipe representa atualmente na teledramaturgia brasileira, que desde sempre, vem tratando os personagens LGBT como algo meio delicado e que a cada obra que passa, essa história vai evoluindo para a normalização que se tem de casais heteros. Movimento esse que está mais forte em 2026 se formos olhar para tudo o que já tivemos nesse ano, contando com os casais Lorena e Juquinha e Leo e Viviane de Três Graças, casais que foram cuidadosamente feitos pelo Trisilva (Aguinaldo, Zé e Virgilio), pelo casal Hollanov (Shane e Ilya de Rivalidade Ardente) que explodiu no começo do ano. Só que, o casal Malipe vai além do beijo que tivemos sexta-feira passada.

Se formos olhar para trás, lá nos anos 90, quando tivemos um casal lésbico em Torre de Babel, que foi morto no incidente do shopping porque o publico não aprovava. Ou em 2005 quando tivemos aquele casal fofo que era o Zeca (Bruno Gagliasso) e o Junior (Erom Cordeiro) de América, mas o beijo deles foi cortado por ordem da própria Globo mesmo no passado. Quando vemos o quanto de injustiça o gênero LGBT sofreu lá atrás, até mesmo quando se tinha personagens estereotipados, o que vemos hoje na construção do casal Malipe, é uma maneira de honrar e homenagear casais como esses, que lá atrás fizeram a sua parte, mesmo que sob ataques para que hoje possamos ter até um triangulo amoroso gay no horário das nove. E embora não sabemos com quem o Mau Mau vai ficar no final de Quem Ama Cuida, a trajetória do personagem vem sendo também outro grande espelho para muitos gays que ainda não se assumiram no Brasil e o mesmo vale para o Felipe, que está se entendendo como bissexual, que até ontem era um tema tratado sem muito respeito. Mas graças ao texto, a direção e a sensibilidade artística do João Victor Gonçalves e do Pietro Antonelli, ambos atores iniciando suas carreiras na televisão, que estão construindo o arco desses personagens com sensibilidade e com um carinho imenso. Primeiramente o Maurício, que se descobre ser um homem gay e tem que enfrentar o preconceito do avô Otoniel, em cenas muito bem trabalhadas com o Tony Ramos, onde a necessidade do Mau Mau ter que disfarçar na frente do avô para poder ser aceito e não na frente da mãe ou da irmã, reflete o quanto o apoio famíliar é extremamente importante na hora de se aceitar como se é. E quando não se tem isso, muitas pessoas saem de casa, recorrem a prostituição ou até mesmo vão para uma atitude mais extrema.
Só em 2025 foram 257 mortes por homofobia no Brasil, segundo dados da Agência Brasil. Inclusive é bom lembrar da história do Gilvan, personagem vivido pelo Miguel Roncato em Insensato Coração de 2011, onde o personagem é morto por homofobia e foi uma mensagem do nosso eterno Gilberto Braga para alertar do perigo que a homofobia é nas ruas. Agora com Walcyr e Claudia alertando esse perigo dentro de casa, só reforça o quanto se deve ser combatido qualquer tipo de preconceito. E graças a deus que hoje existem várias ongs e grupos de acolhimento a pessoas LGBT em várias capitais pelo Brasil e existe a Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989), onde a homofobia e a transfobia estão enquadradas, embora não haja ainda um estatuto de leis e proteção a favor da comunidade LGBT. Já no caso do Felipe, o Pietro Antonelli constrói essa descoberta do personagem de maneira tão natural, que meio que ele ainda não sabe o que vai encontrar de desafios no meio do caminho. De uma coisa é certa, o apoio da Carol, da Dora e do Patrick ele já tem. Falta agora saber se a mãe dele vai rejeitar ou não. Porque aí, a história dele fica igual ao do Nick Nelson de Heartstopper. Claro que temos na frente, o Fernando (Pedro Alves), um personagem que quer tentar um espaço no coração do Mau Mau depois de ter feito merda. Mas, sentimentos existem e é lindo ver como o Pedro Alves está construindo o personagem, que hora afronta o preconceito da avó Diná e hora demonstra o seu medo de acabar sozinho e sem emprego por causa da sua sexualidade, que é um medo muito presente na nossa sociedade e que infelizmente, ele existe, seja por parte do empregador ou do cliente.

Mas pra frente, as futuras gerações noveleiras vão vão olhar para trás e verão que o casal Malipe é sim de fato, um casal que não só recebeu apoio do publico desde o inicio, como também foi o responsável por mostrar em pleno horário nobre, o amor mais pleno e puro que duas almas podem sentir. E que em breve, nós tenhamos uma novela onde um casal gay, lésbico, trans ou bissexual, seja o protagonista e tenha os mesmos direitos que um casal hetero tenha hoje em dia.
E vocês, o que acharam do beijo do casal Malipe? Você se identificou com a sequencia? Comenta aqui embaixo e nas Redes do Entretenimento. Acompanhe a Central do Entretenimento também no Youtube.




