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Retorno á Buenos Aires – Uma volta aos fantasmas da ditadura, só que sem ritmo

Como você se sentiria se fosse chamado para revisitar um passado antigo e doloroso, que você não consegue esquecer, mesmo depois de tanto tempo? Essa é a proposta de Retorno á Buenos Aires, filme do diretor argentino Marco Bechis e co-produzido pela RT Features, que traz um toque brasileiro á produção.

O filme acompanha Marinao Guerra, que após ficar 33 anos vivendo na Itália, ele retorna a Argentina para testemunhar no julgamento dos ex-militares que o sequestraram, torturaram e escravizaram durante a ditadura militar. E durante o convívio com outros sobreviventes, Mariano revive lembranças e pesos enormes que nenhuma sentença pode aliviar.

O roteiro aborda a sensação de reviver memórias dolorosas, meio que na pegada de Ainda Estou Aqui, só que pegando a Eunice Paiva mais velha e fazendo ela reviver as memórias do seu passado hoje em dia. Mostrando que o regime militar, ele deixa marcas profundas nas pessoas, assim como temos vários exemplos na vida real e a sequencia da penitenciaria é um reflexo disso. Tanto é que a direção deixa isso claro ao mostrar um plano aberto do local e um choro vazio ecoando no local, um reflexo das prisões escuras e solitárias da ditadura. Além é claro de fazer um filme mais movimentado, com longos planos lentos e silenciosos.

E por ser uma critica direta as marcas violentas da ditadura, o longa não mostra explicitamente as torturas, ele deixa essa dor transparecer nos personagens, que carregam consigo essas feridas. E o Adriano Giannini, que lidera esse elenco, constrói um Mariano que é marcado por suas dores e o ator demonstra isso no olhar e na maneira como seu corpo reage as visitas e a manipulação do seu passado de sobrevivência ao regime de submissão dos poderosos do regime. Outro ponto que o filme trabalha bem, é a relação do protagonista com sua filha, que quer descobrir um pouco mais do passado dos seus pais. O único ponto ruim do filme, é o ritmo lento dele logo no começo e uma cena final que é um epilogo meio sem sentido.

Retorno á Buenos Aires é uma visão melancólica das memórias doloridas de um período obscuro da história que não empolga muito, apesar das excelentes atuações do elenco. E a mensagem que ele deixa é bem clara: Feridas demoram a cicatrizar e ditadura nunca mais.

NOTA:

Divulgação: Paris Filmes/33 Films

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