Se tem uma coisa que a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo sabe fazer, é trazer os melhores filmes do momento e que estão na disputa para ser um dos indicados ao Oscar 2027. E um desses exemplos, é Fjord, co-produção entre e com direção e roteiro de Cristian Munjiu.
O longa acompanha uma família da valores conservadores, que muda para uma vila de pescadores nos alpes suíços. Tudo vai bem, até que um dia, uma das crianças dessa família, relata ter sido agredida pela mãe e todos os filhos são afastados pela justiça suíça, até que os pais, que juram nunca ter agredido os filhos, se provem inocentes.

Se tem uma coisa que divide o Brasil, é a maneira sobre como os pais educam os seus filhos. Isso porque cada um tem o seu método e muitas vezes, ele pode funcionar ou não. E é justamente sobre isso que Cristian Munjiu apresenta em Fjord: Será que apenas castigos e tapas realmente resolvem? E se fosse aplicado uma conduta de correção sem violência? Será que a criança aprende? Então o roteiro do Munjiu ele é muito sagaz ao fazer essas perguntas através da história dessa família e ir mais além ao abordar o choque de cultura entre pessoas de países diferentes, já que a família protagonista é da Romênia, um lugar mais conservador e a vila fica na Suíça, onde o povo é extremamente progressista, o que abre margem para um outro assunto, a falta de democracia. Fjord mostra como é viver num país onde não existe democracia. Onde os cidadãos de um lugar dizem que para viver lá, tem que ser dessa forma, o que pode ser lido como xenofobia também. Mas a direção do Munjiu, deixa isso de lado ao transformar esse filme, numa história de tribunal ao fazer o publico se questionar da competência das autoridades norueguesas e ainda faz uma bela ironia ao mostrar como os pais noruegueses apontam o dedo, mas querem executar o que estão julgando contra a família protagonista nos seus próprios filhos.
Além do mais, o Cristian Munjiu conseguiu respeitar muito bem as tradições e os costumes romenios sem ser caricato e o elenco respeita isso muito bem. Outro ponto positivo do filme, é em como ele aproveita bem o cenário da vila e não fica cansativo. Isso porque, a grande pegadinha dos filmes de um cenário só, é que ele pode se tornar cansativo se você for mostrar tudo de uma vez, o que pode contar também como vantagem.

Falando agora sobre o elenco, Sebastian Stan poderá cravar uma indicação ao Oscar pelo Fjord. Porque aqui, ele está na sua atuação mais contida até agora. E a troca que ele tem com a Renate Reinsve é linda de se vê, principalmente pleo sotaque romeno que ele faz, o que teve muito aprendizado e a maneira que ele vai construindo esse pai de família que só quer manter todos unidos. E nos momentos de desespero, Sebastian não faz uma atitude exagerada, ele se controla e bota toda sua raiva no tom de voz, o que é espetacular. E embora apareçam mais no começo e no final, os atores mirins que fazem os filhos da família também dão um show de atuação.
Fjord é um filme sobre como viver sem democracia, onde até a maneira como educamos nossos filhos é julgada. E aí nos perguntamos porque que ele ganhou a Palma de Ouro de Melhor Filme em Cannes? É porque Fjord mostra como devemos manter o equilíbrio de tudo na vida, seja na educação ou em como governamos a nossa sociedade, com respeito a todas as crenças e ideais, sem diminuir ninguém.
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