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Ney: Por Trás das Máscaras – Depois do filme com Jesuíta, chegou a hora de conhecer e desfilar com o verdadeiro Homem da Selva

A Vida do cantor Ney Matogrosso é um misto de selva, amor e resistência. E depois do Brasil conhecer como começou a sua carreira no filme Homem com H, o nosso poeta de Sangue Latino foi também tema da escola de samba Imperatriz Leopoldinense e ele se uniu novamente a Esmir Filho para contar não só os bastidores desse desfile, mas também mostrar um pouco mais da sua vida pessoal. Esse é o documentário Ney: Por Trás das Máscaras, que aborda a intimidade de Ney por 13 dias, enquanto ele se prepara para desfilar na marques de Sapucaí. O longa é uma co-produção entre Conspiração, Globo Filmes e Globo News e teve a sua estreia na tela grande no Festival do Rio e na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Diferente do que vimos em Homem com H, aqui, o publico mergulha na vida pessoal do Ney e no processo dos bastidores da construção do desfile da Imperatriz Leopoldinense, que é um dos melhores pontos do filme pra quem é fã dos desfiles das escolas de samba, seja de SP ou do RJ. Então aqui, o Esmir Filho e a Taís Guisasola mostram todo o processo indo desde a elaboração da ideia e o compartilhamento dela com o Ney. Até a construção do figurino e dos carros alegóricos, onde numa tacada sagaz, a direção junto com o desenho de som e a trilha do João Maia, transforma o barulho da obra em música, igualzinho como se fosse numa animação da Disney. Outro ponto positivo do roteiro, é em como ele mostra a relação do Ney com a sua família, com a natureza e com o sexo, é claro.

Sobre os pais, Ney compartilha exatamente o que vimos em Homem com H, de que ele sempre teve o apoio de sua mãe, tanto é que ele cuidou dela até o ultimo dia de sua vida longeva. E com o pai, Ney tocou mais no ponto da reconciliação, já que eles eram brigados por causa da sexualidade dele, o que era uma ofensa para um oficial militar no auge da ditatura. Já sobre a natureza, Ney mostra como ele é um defensor das matas e dos bichos e das causas que ele apoia e ajuda até no resgate e recuperação dos animiais, o que é um gesto nobre. Agora sobre o sexo, além de vermos o Ney exatamente como veio ao mundo, o cantor também compartilha sobre o seu desejo de ser um homem livre sem estar preso a alguém, mas ainda assim, aprender a amar alguém. E quando o filme chega na parte da turnê Bloco na Rua, é aqui que o documentário e o filme com o Jesuíta se conectam, criando praticamente um espelho complementar entre as duas obras, o que torna Ney: Por Trás das Máscaras um excelente documentário onde o publico praticamente se senta numa roda de conversa com o Ney e fica mais próximo desse poeta de sangue latino que é e sempre será um icone para as próximas gerações, independente da idade em que o Ney venha a alcançar.

E é justamente por causa desses pontos citados acima que Ney abre o seu maior medo, que é de chegar aos 100 anos e com Alzheimer, por que pra ele, é importante ele partir para o outro lado com a consciência sã, o que crava Homem com H e Ney: Por Trás das Máscaras como um registro sobre a importância da memória continuar viva, seja na nossa mente ou na marques de Sapucaí.

NOTA:

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