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Central Critica Quem Matou Narciso? – O cinema paraguaio começa mostrando o verdadeiro culpado do seu passado

Um homem com uma voz potente e com um talento para seduzir a todos. E um gênero musical que chega para revolucionar o mundo. Esses dois juntos causaram estragos na Paraguai dos anos 70 e resultou num crime até hoje sem solução e que ao que parece, nunca vai ter. Quem Matou Narciso (Narciso), longa paraguaio de Marcelo Martinessi que se inspira no caso do radialista Amadeo Ambrossi, que faleceu sob circunstancias misteriosas, embora muitos apontem que ele foi morto pelo estado. O longa foi exibido no Festival do Rio e na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O filme começa no ultimo dia de vida de Narciso (Diro Romero), um radialista que encantava a todos com seu estilo, pegada e muito rock n roll e que foi morto misteriosamente. É então que voltamos um ano antes para ver como ele chegou até esse momento.

O filme se passa nos anos 60, bem quando o rock n roll estava surgindo e dominando as paradas e ele não foca em mostrar a investigação ou quem matou o Narciso, pois esse é um caso que continua sem solução. E ao apostar em mostrar um pouco de quem era o Narciso e como ele deixou a nação paraguaia de pernas pro ar, é o grande acerto do filme, que nos revela o cinema paraguaio como uma grande potencia cinematográfica que nunca apostou muito em projetos cinematográficos autorais, tirando os curta-metragens. Além de outros países, Narciso conta com um grande apoio técnico do Brasil e até investimentos do FSA e da ANCINE, o que dá para sentir aquele toque brasileiro na fotografia e em várias outras áreas do filme, que é quente, sexy e importante, já que ele se passa durante a ditatura do Paraguai.

O roteiro e a direção do Marcelo Martinessi é inteligente por conseguir falar sobre perseguição politica, mas sem parecer panfletário demais. E mais do que isso, ele consegue utilizar a musica do rock e a história do Drácula que está sendo feita pela radionovela como alegoria para mostrar como é a perseguição politica do ditador aos seus opositores e como essa perseguição domina todos os lados, tal qual um vampiro sanguessuga. Já no elenco, o destaque vai para o Diro Romero que entrega um Narciso cativante, sexy e divertido mesmo depois de morto. E para a química ardente que ele entrega com os outros membros do elenco, que é no nível do Oscar Issac.

Quem Matou Narciso inaugura o cinema paraguaio e mostra com uma história igual a de Rubens Paiva, duas coisas: O cinema latino americano tem força e potencia para produzir boas histórias sem nenhuma duvida. E que nenhuma memória, de qualquer país, deva ser esquecida.

NOTA:

Divulgação: Imovision

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