O que você sentiria se tivesse que voltar ao lugar onde você cresceu e onde foi tão infeliz? É isso que o filme A Terra do Meu Pai (Fatherland) aborda. O longa alemão que chega aos cinemas brasileiros dia 29 de Outubro pela Imovision com a Mubi Films e que foi exibido primeiro na Mostra de Cinema de São Paulo.
O filme conta a história de um pai e sua filha, que retornam a sua cidade natal para que ele, um escritor renomado possa receber um prêmio. Só tem um problema, essa cidade é dominada pelo regime alemão conservador e o pai e a filha são progressistas. Então, os dois vão ter que mostrar uma ideologia diferente do que eles pensam, enquanto revivem dores antigas, que pare eles, é melhor continuar enterradas.

Engraçado como temos um filme e uma nova novela das seis que usam terra no nome e que remete a um lugar distante que para muitos efeitos, trazem dor e alegria. Mas diferente do que é com Lavra Seca de Lá na Minha Terra, A Terra do Meu Pai é um filme mais contido, silencioso e que mesmo assim, fala muito, através do filtro PB (Preto e Branco) e de longos silêncios para abordar a diplomacia politica entre Americanos, Russos e Alemães, que era muito sirrada lá nos anos 40, quando a Alemanha ainda sofria interferências do conservadorismo nazista e a direção do Pawel Pawlinski mostra isso através de lugares abandonados que antes foram usados pelo governo alemão.
Além do mais, o Pawel traz o cinema clássico não só no uso do filtro Preto e Branco, mas na maneira como ele administra os silêncios nas cenas, principalmente nas cenas de carro e nas sequencias onde a câmera não está em movimento o tempo todo e fica mais parada, inclusive em ângulos que lembram bastante os primeiros filmes do Hitcock, com cenas que criam uma sensação de perigo para os protagonistas, que são feitos maravilhosamente pelo Hanns Zischler, que constrói um personagem silencioso e potente, que consegue demonstrar uma frieza e a calmaria diante dos acontecimentos na sua terra natal e que contrasta com a personagem da Sandra Hüller, que constrói uma mulher que quer gritar muitas vezes, só que ela não pode e ela expressa isso com o olhar e também com a sua fluidez entre as línguas americana e alemã.

A Terra do Meu Pai mostra como um período politico sombrio pode deixar marcas na vida de alguém e que as vezes, é muito melhor viver numa vida diplomática do que viver sob vigilância, até mesmo dentro do lugar onde você cresceu.
Nota:






