O que você faria se a gentileza que você fez, lhe devolvesse uma gentileza disfarçada de armadilha? Essa é a proposta de Homem ao Mar, filme que é uma co-produção entre Brasil, Cuba, México e Porto Rio e que é o terceiro filme escrito e dirigido pelo ator Gael Garcia Bernal (Lobisomem na Noite e Tempo).
Exibido no Festival de Veneza, o longa acompanha Camilo (Gael Garcia Bernal), um salva vidas cubano que ao impedir o afogamento do empresário mexicano Abel, é resgatado por ele para se tornar seu braço direito nos negócios e ainda se casa com Juana (Esmeralda Pimentel), com quem forma uma vida juntos que começa desmoronar quando ele percebe que foi vitima de uma manipulação. E agora, ele precisa tomar as rédeas do seu destino.

Pra começo de conversa, que bom que é ver um filme latino com tantas potencias latinas reunidas numa só história. E agora, partindo para os finalmentes, o longa tem vários acertos e um deles, é o formato de exibição que a direção adota, que é o estilo 4×3 e uma narração que ao contrário de Tropa de Elite, aqui ela é usada pontualmente para situar o telespectador de momentos pontuais da trama. Além disso, outro ponto positivo é a fotografia do filme, que utiliza um tom de cor equilibrado para contrastar o rustico da casa com o verde da mata ao redor do azul do céu e da água. O roteiro é um pouco bagunçado, pois ao mesmo tempo em que ele faz uma critica ao capitalismo, ele também quer falar de casamento, politica e outros temas que faz com que ele se desorganize. Mas no geral, o foco é mais no que acontece ao redor do Camilo e como ele reage a essas situações, que vão desde a esposa querer virar cineasta, até ele se tornar assessor politico do sogro. Além disso, o roteiro ainda coloca uma novela feita pela personagem da Debora Nascimento, que faz paralelos com a trama do Camilo, rendendo ótimas transições e ainda fazendo uma metalinguagem com a direção.

Mergulhando em seu terceiro trabalho como diretor e roteirista, Gael Garcia Bernal traz o seu talento também para parte detrás das câmeras, com uma direção milimétrica e que sabe capturar imagens que são verdadeiras obras de arte. Ao mesmo tempo, ele também se auto referencia em alguns momentos como roteirista, ator e diretor, e também faz referencias ao Brasil, que aqui entra com tudo com a atuação da Debora Nascimento que tá boa fazendo um tipo de atriz que não sei se encontraria por aí, mas que ela transita bem na linguagem entre o Brasileiro, o Cubano e o Americano, isso ela sabe fazer bem. Agora, o que mais me surpreendeu, é que temos no elenco, o Viva La Vida Louca Ricky Martin, que aqui faz quase que ele mesmo, imprimindo um esteriotipo de ator que se rende por quem paga mais.
No final, Homem ao Mar é um filme que fala sobre quais são os limites da gentileza, mas que ao mesmo tempo, é uma salada mista de temas que abraça a América Latina e é uma boa estreia para Gael Garcia Bernal.
NOTA:





