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Central Critica Pele de Rinoceronte – Uma aula didática sobre feminicídio com base na Ângela Diniz que não sabe para onde quer ir

O caso da Angela Diniz, famosa empresária que foi morta pelo ex-companheiro por causa da relação dos dois e que acabou sendo culpada pela própria morte, tendo o seu ex-marido inocentado pela justiça, está servindo como base para falar sobre feminicídio, que continua tendo, uma das taxas mais altas do país. E depois de um curta-metragem no EducaVídeo e um filme de abertura falando, cada um a seu modo sobre esse tema, Pele de Rinoceronte chega ao Festival de Gramado 2026 para dar a sua visão dos fatos. Mas, faltou um pouco de ordem para poder falar a sua visão. O filme acompanha uma jornalista (Débora Falabella) e uma advogada criminalista (Naruna Costa), que tem seus destinos ligados por um crime que chocou o Brasil nos anos 70 e que ascendeu o debate sobre a violência contra a mulher.

O caso da empresária Ângela Diniz, que foi brutalmente assassinada pelo ex-companheiro em por causa do fim do relacionamento, voltou a ficar muito conhecido por causa do filme do Hugo Prata com a Ísis Valverde e logo depois com a Marjorie Estiano na série da HBO Max que foi lançada ano passado. Agora em Pele de Rinoceronte, nós temos um novo ponto de vista desse caso, só que explorando mais do lado de quem está investigando esse crime e de quem irá defender a Ângela nos tribunais, o que ascende os primeiros debates sobre feminicído. O grande diferencial de Pele de Rinoceronte para a série e o filme que já abordaram a história do caso, é justamente usar o crime como ponto de partida para mostrar que o que a Ângela sofreu, também pode acontecer com outras mulheres e a Diana (Debora Falabella), é o exemplo que o filme usa através da relação com o chefe do jornal onde trabalha, que é vivido pelo Augusto Madeira. Só que além disso, o filme ensina para quem ainda não sabe, ou para alguém que ainda tem duvidas, o que é feminicídio.

E é nesse ponto que entra o casal vivido por Irandhir Santos e Naruna Costa, que estreia em um filme de grande porte depois do sucesso de Aruanas no Globoplay. Eles dois fazem um casal de advogados criminalistas e a personagem da Naruna, que vai fazer a defesa da Ângela, começa a mostra para o seu marido, sua assistente e também para o publico, o que é o crime de ódio contra a mulher e porque ele deve ser barrado. E como já foi dito na critica de Antártida, as taxas de feminicídio no Brasil continuam muito altas, mesmo com vários recursos de proteção que as mulheres tem hoje em dia. E o que o monologo da Naruna bate na tecla, não é só apenas explicar didaticamente o que é feminicídio, mas sim, causar reflexão no publico e quem sabe nas autoridades para pesar mais a mão nas proteções as mulheres e esse é o grande trunfo do roteiro, que tirando essa parte, o resto acaba meio que sem rumo na primeira metade do filme, que percorre nesse sentido até chegar a esse objetivo de fato.

O elenco está muito bem nos seus papeis, a Debora Falabella carrega com naturalidade a sua personagem, enquanto o Augusto Madeira mostra um exemplo de muitos homens de perfil machista, que se sentem superiores ao usar a mulher como propriedade, ou para troca de benefícios. Já a Eli Ferrêra, que faz a melhor amiga da protagonista, não tem muita função até a parte final da história, o que acaba sendo um problema, enquanto os outros dois homenas desse elenco, o Irandhir Santos e o Daniel Rangel, entram aqui como catapultas para alavancar o que as personagens femininas tem a fazer. Primeiramente o Daniel, que mostra para a Diana que nem todo homem é ruim e que ela pode ter uma nova chance e o Irandhir, ele está ali para demonstrar que o machismo estrutural existe até mesmo em quem não é machista e ajudar a personagem da Naruna a voar no resto do filme. Tanto que, quem deveria ser os protagonistas dessa história, deveriam ser eles ao invés da Diana.

Pele de Rinoceronte vem com uma função nobre,  importante e urgente que foi notada nos primeiros dias do Festival de Cinema de Gramado, as mulheres precisam se unir rapidamente e o governo precisa endurecer mais a legislação contra os homens agressores e machistas. O único erro do filme, é navegar de qualquer jeito até encontrar o prumo certo para chegar ao tema debatido

NOTA

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