Pular para o conteúdo principal

Central do Entretenimento

Central Critica Feito Pipa – Resgate de memórias e identidade é feito através do olhar de um garoto queer

Todo ser humano tem o direito de voar como uma pipa, independentemente da sua opção sexual. E manter isso vivo já durante a infância e é isso que Feito Pipa faz ao contar a história de Gugu (Yuri Gomes), um garoto queer que gosta de dançar e de jogar bola. Ele vive com sua avó Dilma (Teca Pereira), até que o Alzheimer começa a afeta-la e o menino é obrigado a ir morar com o seu pai (Lázaro Ramos), que é preconceituoso em relação a opção sexual do seu filho e quer seguir as tradições masculinas.

Dirigido por Allan Deberton (O Melhor Amigo e Pacarrete), o filme foi gravado no interior do Ceará com incentivos públicos e conquistou o mundo vencendo nos festivais de Berlim e Guadalajara. E depois de rodar o mundo, o filme chega ao Brasil com sua primeira exibição no Festival de Gramado e com estreia marcada para novembro nos cinemas de todo o país.

Divulgação: Biônica Filmes/Deberton Filmes/Paris Filmes

Desde o seu primeiro filme, Allan Deberton sempre trouxe uma ternura para seu cinema, que é notável até mesmo em O Melhor Amigo, que tem uma pegada mais sensusal. Só que aqui em Feito Pipa, o diretor vai para um outro patamar, ao trazer essa ternura pelos olhos de uma criança, que é o ser mais puro que existe. A infância queer é um assunto que precisa ser abordado e discutido e o roteiro do André Araújo fala muito bem sobre isso mas sem ser muito didático e mais natural, que é como a vida deve ser. Além disso, o filme também discute como o Alzheimer afeta as relações familiares, que é um assunto que Kasa Branca, filme que também teve Teca Pereira no elenco fazendo uma avó de família com a doença já abordou e ainda me lembrou bastante Viva: A Vida é uma Festa da Disney, que já falou sutilmente sobre o resgate das memórias, que no final das contas, é um tema que conecta vários assuntos de diversas maneiras diferentes. Sim porque nós temos que resgatar e preservar as memórias da nossa infância e do nosso passado para evoluir, que é o que Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto fazem.

Ainda sobre o roteiro, ele ainda consegue justificar o porque do filme se chamar Feito Pipa. Isso porque, a pipa é uma alusão a vida do Gugu, que começa livre e voando e vai caindo aos poucos a medida em que a trama vai se desenrolando. Outra bela metáfora desse filme, é a cidade submersa, que ao longo da história, vai emergindo, emergindo, enquanto a memória da Dilma, vai se afundando, se afundando no esquecimento por conta do Alzheimer.

Divulgação: Biônica Filmes/Deberton Filmes/Paris Filmes

O elenco também é uma coisa a parte. Todas as crianças estão maravilhosas, incluindo a belíssima Beatriz Carwile, que faz o Enzo e de uma maneira muito natural para uma menina fazendo um menino em tela. E claro, todos os elogios do mundo para Yuri Gomes, esse grande achado do audiovisual brasileiro que conseguiu emocionar uma lenda como Marcos Caruso e que trouxe, com apenas 10 anos de idade (durante as gravações), um olhar tão delicado para o Gugu, que deve servir de inspiração para jovens artistas que estão começando na profissão de atuação, como também para as crianças queer que verão este filme com os seus pais do lado. Já no elenco adulto, o grande destaque mesmo vai para Teca Pereira, que consegue trazer profundidade e um outro olhar para o Alzheimer que a distancia de Kasa Branca. E a relação dela com o Yuri é de um sentimento, capaz de emocionar até o mais valentão dos brutamontes roqueiros. Por fim, o Lázaro Ramos, que também é um dos produtores executivos do filme,traz um pai de família que normalmente encontrarmos por aí nas ruas e que entra em momentos chave da história para explorar a relação dele com o Gugu, que termina nas base da tentativa e que pode vir a se resolver de maneira positiva, ainda mais que agora eles só tem um ao outro, mesmo o personagem do Lázaro já ser um homem casado e com dois novos filhos.

Feito Pipa é uma obra tocante sobre a vida e sobre como devemos aproveitar cada momento com quem amamos, seja na infância, na adolescência e até mesmo na fase adulta. Porque todos nós, temos o direito de voar e de nos sentir protegidos ao lado daqueles que amamos, mesmo quando eles já não estão mais entre nós.

Divulgação: Biônica Filmes/Deberton Filmes/Paris Filmes

NOTA

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CENTRAL DO ENTRETENDIMENTO

Postagens Relacionadas