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Central Critica Chorão: Só os Loucos Sabem – A outra face do vocalista do Charlie Brown oferecida para os fãs num belo pedaço de homenagem

Não há uma única alma viva no mundo que não conheça alguma música da banda Charlie Brown Jr. Quem cresceu nos anos 90 e 2000, com certeza sabe de cor um Só os Loucos Sabem, Se Não é Eu Quem Vai Fazer Você Feliz e até mesmo as músicas cantadas nas abeturas de Malhação.

E depois de terem trabalhado em funções separadas no documentário Chorão: Marginal Alado, a dupla Hugo Prata e Felipe Novaes retorna a vida do vocalista do Charlie Brown Jr, só que agora partindo para a ficção e para um outro POV, o da companheira do cantor em Chorão: Só os Loucos Sabem, filme que fez a sua estreia primordial no Festival de Cinema de Gramado e que é uma das grandes promessas do ano. Baseado no livro Se Não é Eu Quem Vai Fazer Você Feliz de Graziela Gonçalves e estrelado por José Loreto e Nanda Marques, a história acompanha o começo da carreira do Chorão como vocalista da banda Charlie Brown e como ele conheceu e se apoiou na relação dele com a Graziela, que nunca soltou sua mão.

Imagem: Downtown Filmes/Bravura Cinematografica/Globo Filmes

Nos últimos anos, o cinema brasileiro deu inicio a uma grande rodada de cinebiografias que retratam uma parte ou toda a vida do artista homenageado de maneira resumida e muitas vezes, de forma chapa branca, com exceção de Elis e de Homem com H. Agora em Chorão: Só os Loucos Sabem, cinebiografia de Hugo Prata e Felipe Novaes, o publico e os fãs são levados a conhecer um pedaço da vida do Chorão, que talvez pouca gente conhece, o lado amoroso, que é relatado pela Graziela Gonçalves, que acompanhou toda a trajetória ao lado do cantor, até os seus últimos momentos de vida.

Depois de já ter contado o seu lado mais bagunceiro e pirracento que todos conhecem no documentário, o Hugo e o Felipe, eles voltam agora como diretores e não mais com um diretor e um roteirista e assumem pra sí, a responsabilidade de contar um lado do Chorão através do livro(testamento) que a Graziela escreveu sobre ele. E é justamente sobre esse livro que o roteiro da Duda de Almeida parte, só que muito mais do que mostrar o POV de uma ex-companheira, ele foca bastante na figura que foi o Chorão através de um resumo de sua vida, deixando pedaços importantes de fora, o que pode frustrar algumas pessoas, como por exemplo, a criação das músicas. Até se sabe que a maioria delas foi feita pensando justamente na Grazi e no seu amor por ela.

Divulgação: Downtown Filmes/Bravura Cinematografica/Globo Filmes

E mesmo já tendo definido esse recorte, o roteiro e a direção do Hugo e do Felipe, seguem no seguro, trazendo todos os ingredientes da cartela de cinebiografias, só que em Só os Loucos Sabem, eles não são chapa branca, eles apenas seguem a estrutura do livro como base para contar o próprio resumo deles. Claro, esse filme não chega aos pés do que foi Homem com H e Elis por exemplo. Mas, quando se comparado com Mamonas Assassinas: O Filme, o Chorão dá de dez a zero nos meninos de Guarulhos, cidade que fica a 87 km do interior paulista e que trouxe na mesma época os Mamonas. Inclusive, o uso do show com a plateia, que foi gravado em uma casa de shows com o auxilio de uma banda cover do CBJR em 2025, é bem mais utilizado do que o show dos Mamonas, que foi estragado no final das contas.

O elenco também dá o seu melhor, mas o destaque vai mesmo para o José Loreto, que declarou ser o papel de sua vida. E embora a Sônia Abrão, que é parente do cantor tenha desaprovado a escalação dele, o Loreto é a melhor coisa do filme inteiro! A sua visão do Chorão é intensa como era o cantor na visa real e graças ao trabalho com os preparadores de elenco, de corpo e de voz, o Loreto consegue entregar potencia na atuação e ainda solta a voz DE VERDADE que é uma beleza, o que faz com que ele carregue o filme sobre seus ombros. Já a Nanda Marques que faz a Grazi, embora ela seja desenhada pra ser a protagonista, a produção sempre deixa claro que ela é apenas uma coadjuvante, mesmo sendo ela a narradora desse ponto de vista sobre o Chorão.

No fim, Chorão: Só os Loucos Sabem, é uma cinebiografia que faz uma homenagem digna para o Chorão, mas deixa um gostinho de que poderia ter mais informações sobre a vida dele. E no quesito musical, alguns fãs podem não ter os seus hits inseridos no filme. Mas é uma boa surpresa e tem boas canções.

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