Depois de três filmes onde ele apenas era uma marionete do MCU, agora a versão do Homem-Aranha do ator britânico Tom Holland, finalmente começou a trilhar seu caminho independente depois do final de Sem Volta para Casa. E agora, o personagem trilha novos passos em Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day), que estreia nesta quarta-feira nos cinemas.
4 anos após conseguir fazer com que todo mundo esqueça quem ele é, incluindo seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon) e sua agora ex-namorada MJ (Zendaya), Peter Parker (Tom Holland) agora leva uma vida solitária e com apenas uma única ocupação, proteger a cidade de Nova York contra a criminalidade. Só que, quando seus poderes começam a evoluir e uma ameaça desconhecida surge, Peter terá que enfrentar duas batalhas para poder encontrar o seu equilíbrio interno.

De certo esse filme poderia se chamar Homem-Aranha: Equlibrivm, já que o foco do filme é em mostrar o Peter encontrando o seu meio caminho entre o lado heroico e pessoal. Mas como esse subnome já pertence a Anitta, Um Novo Dia é um filme que parece muito bem respeitar a essência do seu subtítulo. Afinal de contas, sempre é um novo dia para começar e até muitas vezes recomeçar, já que esse filme funciona bem como um soft reboot para a versão do Tom Holland, que como foi dito no começo desse texto, era uma marionete nas mãos do Tony Stark e não tinha uma história base que se aproximasse da essência do que é ser o Homem-Aranha. E o Jon Watts, que foi o roteirista e diretor da trilogia, não entregou bons filmes. Agora em Um Novo Dia, com o roteiro nas mãos do Erik Sommers e da Chris McKenna e com a direção no colo do promissor Destin Daniel Cretton, o teioso do Tom Holland finalmente tem uma história que tem alma, que presta e que sá, acaba sendo até melhor um pouco que o primeiro filme da versão do Tobey McGuire.
Digo isso porque, depois do final maravilhoso de Sem Volta para Casa, onde eles tinham vários caminhos para seguir, focar numa história mais pé no chão, com grandes analogias e se aproximando mais até dos quadrinhos do personagem que encanta gerações, é um alento que finalmente a Marvel Studios e o Kevin Feige entenderam depois de Thunderbolts, que é um dos melhores filmes da Saga do Multiverso e que consegue falar sobre saúde mental de um jeito bem lúdico, assim como Um Novo Dia consegue falar sobre sobrecaraga emocional e burnout, que é quando o seu corpo chega num limite de não aguentar mais de tanto trabalhar e fazer você perceber que nem sempre, a vida é só trabalho e que você pode tirar um tempo para você relaxar num parque, sair para uma balada ou para um cinema e principalmente, fazer novas amizades que é a segunda mensagem que ele passa, embora aqui, o Peter Parker está iniciando do zero, a amizade que ele tinha com o Ned e a MJ.

Sobre as cenas de ação, a Marvel acertou e muito ao colocar a direção de Um Novo Dia nas mãos do Destin Daniel Cretton, que já tinha mostrado um bom trabalho em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. E aqui, ele mostra mais uma vez, esse bom trabalho com cenas de luta muito bem coreografadas e principalmente, ele faz o publico ir junto com o Aranha em seus voos pela cidade de Nova York assim como era nos filmes dos Peters anteriores e chega até a fazer uma certa homenagem para eles com alguns movimentos de voo. Além do mais, percebe-se que o Destin, teve uma evolução boa de dramaticidade de Shang-Chi pra cá e, embora não tenha o Aranha-Humana, todas as cenas do Peter e sua luta interna e todo o seu sofrimento pela Marry Jane, que inclusive dá uma boa mistura de Como se Fosse a Primeira Vez com 500 Dias com Ela e um toque de Quem É a Culpa da saudosa Marília Mendonça e ainda tem o bom talento do casal Zendaya, que finalmente entrega uma SpiderGirl que tem camadas que vão ser melhor desenvolvidas daqui pra frentee Tom Holland, que diferente do péssimo trabalho que ele fez em A Odisseia, aqui ele consegue trabalhar bem as camadas do Peter solitário e fazer com que a gente fique mais proximo dele e se identifique com o que ele está passando. Afinal de contas, quem é que nunca sofreu por causa do trabalho e nunca teve tempo para se cuidar. E além do mais, para o Tom Holland poder fazer novamente um Telemaco da vida, ele precisa desenvolver ainda mais o seu lado dramático como ator.
O Jon Bernthal tá maravilhoso como O Justiceiro. Tudo bem, essa pessoa que vos fala não viu a série dele que era da Netflix e viu apenas o especial de apresentação que saiu em Maio. Alivio cômico certeiro, todas as piadas que o personagem faz pelo jeito dele ser esse atirador de elite que se questiona depois de cometer o ato, traz boas gargalhadas e ainda equilibra com o peso do drama do filme. E a química dele com o Tom Holland, que já tinha sido demonstrada em A Odisseia, aqui continua perfeita. Tanto que, se você nem souber que os dois atores são amigos na vida real, você perceberá que a amizade dos personagens funciona de verdade. Nem vou falar do Mark Rufallo, porque a participação do Hulk poderia ser facilmente descartada.

Agora, chegando a quem de fato merece todos os holofotes, a Sadie Sink como Jean Dark Phoenix Grey, é o ponto alto do filme. Não só por ela ser a personagem que todos esperavam, mas também, pelo fato da atriz ter demonstrado que, mesmo depois do final de Stranger Things, ela se aprofundou na carreira de atriz, estudou bastante e entregou momentos que fazem ela ser uma excelente antagonista, até o momento em que o filme muda de chave e o foco do antagonismo, que não causa muito impacto, até porque o roteiro quer prender o seu foco na história do Peter e da Jean Grey, que são as histórias mais interessantes. Além do mais, quem esperava ver uma menção ou introdução dos X-Men nesse filme com a Jean, não vai encontrar isso aqui. E esse acaba sendo mais um ponto positivo do filme para a personagem, que é de fato APRESENTADA E INTRODUZIDA com letras maiúsculas.
Por fim, Homem-Aranha: Um Novo Dia é um dos melhores filmes do Aranha de todos, deixa um gosto de quero mais para a próxima aventura, que é uma coisa que eu só sentia nos desenhos animados quando eu era criança e até mesmo nos primeiros filmes do herói e acima de tudo, ele é um filme redondinho, que mesmo deixando alguns fatos sem solução como a vida financeira do Peter Parker e uma ponta solta que você mesmo pode resolver na sua cabeça, ele termina do mesmo jeito que o Sem Volta pra Casa terminou, com a folha em branco e Um Novo Caminho de possibilidades. Que venha agora como adversário do Aranha, uma Gata Negra ou até mesmo um Rei do Crime e quem sabe até um Venom!
NOTA:


O filme tem uma cena pós-creditos, mas se você não quiser perder o seu tempo, tem uma descrição do que acontece, aqui na Central do Entretenimento.
Você acha que é o melhor filme do Aranha? Você também concorda ou discorda desta critica? Comenta aqui embaixo e nas Redes do Entretenimento. Acompanhe a Central do Entretenimento também no Youtube.



