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Central Critica Vermelho Sangue (Temporadas 1 e 2) – A busca por um lugar ao luar na versão brasileira de Crepúsculo com DNA queer

O Audiovisual brasileiro já tem uma certa trajetória no mundo do terror e dos monstros com várias obras como Zé do Caixão, O Coronel e o Lobisomem, Vamp, O Beijo do Vampiro, O Rastro, Enterre seus Mortos, Reencarne, Desalma e mais recentemente, Fuernas Fundas. E agora, nós chegamos ao mundo das versões brasileiras de obras gringas com Vermelho Sangue, série original de Rosanne Svartman e Claudia Sardinha do Globoplay que voltou recentemente com sua segunda temporada.

Como a história das duas primeiras temporadas foi gravada de uma vez só, a Central do Entretenimento achou melhor fazer a critica das duas temporadas como uma história só. A série acompanha Luna (Letícia Vieira), uma jovem lobimoça que quer se curar de sua maldição, que é uma herança de família. Ela vai com sua mãe para a VPTECH, local onde ela trabalha como geneticista ao lado de Otto (Rodrigo Lombardi). Durante sua estadia no instituto, Luna se aproxima de Flora (Alanis Guillen), uma garota com um espirito livre e que se surpreende ao saber da existência de criaturas mágicas como Luna e como os irmãos vampiros Michel (Pedro Alves) e Celina (Laura Dutra), que estão lá para coletar o sangue de Luna, que tem o poder de imunizar os vampiros do poder da luz do sol.

Divulgação: Globoplay

Quando foi anunciada como uma versão brasileira de crepúsculo, fiquei me perguntando se Vermelho Sangue seria uma série boa. A série foi lançada no final de 2025 com dez episódios, sendo que na verdade as duas temporadas seriam uma só e a primeira temporada foi muito sobre descoberta dos instintos e dos desejos. Além é claro de muita dose romântica que se estende na segunda temporada, que aborda também, as consequências de suas escolhas. E o universo dos monstros é um prato cheio para se abordar vários temas, como busca por identidade, pertencimento machismo e preconceito, que inclusive já foram abordados em grandes franquias como os X-Men. Crepúsculo é a fonte de inspiração master da série inteira. Mas a ideia de usar uma espécie de lobo brasileira é sensacional, pois traz uma identidade própria para produção, que se utiliza bastante da cor alaranjada do pelo do Lobo Guará, para demonstrar sua identidade na arte de marketing, na fotografia, na direção da Patrícia Pedrosa e até pro cabelo da protagonista.

Outro cenário que é bastante utilizado pela série, é a guerra entre magia e ciência que define o futuro dos personagens, seja para o bem ou para o mal. E o bom de se assistir as duas temporadas juntas, é que você consegue perceber uma mudança de rumo para todos os personagens e notar que todo ser humano, seja ele normal ou mágico, tem direito ao livre arbítrio. Sobre os arcos dos personagens, mesmo separadas, a Luna e a Flora são as que tem os melhores arcos das duas temporadas, porque funciona quase como um espelho. Se de um lado temos a nossa Lobimoça, que é feita brilhantemente pela Letícia Vieira antes do remake de Vale Tudo e que quer ser uma pessoa normal. Mas aí ela percebe que pode ser tanto um ser normal quanto um ser mágico, ainda mais quando ela percebe a potência do poder de seu sangue. Só que ao mesmo tempo, ela mostra pra sua mãe que não quer ficar sendo regulada o tempo todo como objeto de pesquisa. Já a Flora, a mesma coisa. Queria ser uma vampira e quando consegue, ela percebe que sua família não a aceita como lésbica ou como ser mágico e ela se afasta, mesmo que isso lhe doa bastante e a Alanis Guillen, consegue passar uma inocência, ao mesmo tempo que ela vai construindo uma independência, que vai ser importante pra ela, principalmente na relação dela com a irmã e com a Celina na terceira temporada.

Divulgação: Globoplay

Já no núcleo vampírico, eles conquistam pelo carisma. O Pedro Alves como Michel, é uma delícia. Pois a sua jornada é sempre remar contra a maré do que sua família vampírica espera. A começar pela aproximação com a Luna por causa da missão, que depois se transforma em amor eterno e numa chance de se arrumar um fim para a rixa entre vampiros e lobos. Além do mais, mesmo antes do Fernando de Quem Ama Cuida, Pedro Alves já mostra que ele é um bom ator ao trazer sua versatilidade em línguas e o seu lado mais dramático quando ele tem que enfrentar sua família para ficar ao lado da pessoa que ama, um ponto bem inspirado em Romeu e Julieta. Além é claro do carisma que ele traz para o personagem, assim como a Laura Dutra traz para a Celina, que permite a atriz trazer uma performance que não transita entre o amor e o ódio, e que torna a Celina uma personagem que ainda falta decidir se o publico ama ou odeia ela. Porque ela estava 100% dedicada a missão de Elisabeth e começou a mudar sua vida por causa de Flora. Ao mesmo tempo, ela tem uma inveja da Luna, que vai colocar ela contra Michel  e contra Flora na terceira temporada. A não ser que ela queira ficar demais com a nova vampira.

Já o Juan (Lucas Leto) e o Martin (Milhem Cortaz), são os personagens mais fracos, que poderiam ter um rendimento melhor, mesmo o Martin cumprindo bem o seu propósito de ser um mentor para Luna saber lidar com seus poderes, o que rende boas cenas de pai e filha entre o Milhem Cortaz e a Letícia Vieira. Por fim, o Rodrigo Lombardi como Otto, mostrou que o pior dos monstros é sempre o ser humano, que é capaz de iludir e agredir com palavras, qualquer um a seu favor. E além da manipulação contra a mãe da Luna, os parentes da Flora são uma extensão disso, mostrando um pouco da realidade do mundo com as minorias, sejam elas vampiros, lobos, gays, negros e etc

Vermelho Sangue é uma série envolvente, com uma boa duração para os episódios, que fala sobre busca por identidade, poder da escolha e que o amor, pode ser capaz de acabar com rixas lendárias. Que venha mais ação, magia e mais intriga nessa terceira temporada.

NOTA:

Divulgação: Globoplay
Divulgação: Globoplay
Divulgação: Globoplay

E você, tá ansioso para a terceira temporada? Lembrando que é possível que a confirmação venha somente no Upfront 2027 que acontece em outubro. Comenta aqui embaixo e nas Redes do Entretenimento. Acompanhe a Central do Entretenimento também no Youtube.

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