Depois de 5 volumes cheios de emoção, alegria, romance e algumas marés turbulentas, chegou a hora da despedida com o volume 06 de Heartstopper, que já está a venda nas principais livrarias de todo o Brasil e que terá a sua história contada em formato de filme com Heartstopper Para Sempre.
Depois de finalmente decidir qual faculdade estudar depois que terminar o terceiro ano e de que seu namorado lidaria muito bem com a distância, Nick continua com questões para lidar sobre sua relação com Charlie, que agora é líder estudantil da escola Thurman e está tentando impor um ambiente de acolhimento para pessoas LGBT e que se sentem diferente. Com a turma de Paris prestes a se dissipar, será que tudo o que Charlie e Nick e seus amigos construíram vai durar para sempre?

Há histórias que nos marcam por um motivo, seja para reconfortar, para acalentar, para socorrer, para alertar ou simplesmente para entreter. E dentre várias histórias e romances que permeiam o século XXI, o universo de Heartstopper é um desses exemplos clássicos que com o tempo, vai se tornar um grande clássico, tal qual Gabriela Cravo e Canela ou até mesmo os contos de Monteiro Lobato. Porque o universo de uma história, ela não tem só o poder de ajudar e acalentar, ela pode ser a boia de salvação de muitas pessoas e o que a Alice Oseman trouxe com o universo de Charlie e Nick, ajudou muitos jovens e até mesmo alguns adultos, a entenderem melhor como funciona o mundo e até a se entenderem melhor como seres humanos. Não é só uma história de amor queer, é uma história sobre o amor mais puro que todo ser humano deveria ter no próximo, sem ódio e sem amarguras.
Tanto é que, ao longo de toda a saga de Heartstopper, o grande vilão aqui é o ódio, a inveja e o medo. E isso fica impresso nos protagonistas e nos seus coadjuvantes: o medo do Charlie e do Nick com todas as questões do relacionamento, o ódio dos colegas bulinadores do rugby de Nick, a inveja do ex de Charlie, o preconceito da mãe da Darcy são bons exemplos de que com ódio, coisas que poderiam ser lindas como o apoio da família, perdem o sentido e infelizmente, mostra um pouco de como é no mundo real.

Sobre o volume 06 de forma independente, a Alice Oseman chegou no ponto mais maduro da relação do Charlie e do Nick. Afinal de contas, ambos já são maiores de idade e já estão com os hormônios a flor da pele. Tanto é, que ela explora um pouco mais o linguajar adulto como um porra e até mesmo um caralho e mostra um pouco mais de desejo entre os personagens, afinal, quem leu o primeiro volume quando era jovem, hoje já é um adulto que já entende de muitas coisas com relação a vida adulta e ao sexo. Mas além disso, o Volume 06 de Heartstopper muda um pouco o foco do protagonismo, que antes era do Charlie e passa ele agora para o Nick, que até então era o namorado perfeito, mas que já enfrentava alguns dilemas no volume 05. Agora no volume 06, é finalmente a autora explica o porque do Nick ser um namorado tão atencioso com Charlie e como isso está sufocando ele e criando até uma barreira entre o casal. Tanto é que isso é refletido na relação do Charlie com um garoto que está passando pelo mesmo dilema que ele enfrentou quando era mais jovem e o Nick com um cachorrinho que não se adapta ao abrigo no qual Nick vai trabalhar.
E se tem uma coisa que Heartstopper sempre trouxe, foram os adultos como uma ponte de compreensão para o começo da resolução dos dilemas. Nesse caso aqui, a mãe do Nick, que já tinha ajudado o Nick a entender as questões de distúrbios alimentares do Charlie no volume 04, acaba sendo a luz para que ele resolva suas questões não só com o passado, mas também com o seu irmão David. A única coisa que torna o final de Heartstopper menos apoteótico, é a correria para mostrar como ficou cada casal no final. Tudo bem que a parada LGBT é usada aqui como um simbolismo de que tudo ficará bem entre a turma de Paris, faltou um momento mais emocionante épico de despedida, embora nesse sexto volume, a Alice Oseman não economizou na emoção.

No fim, Heartstopper Volume 06 fecha um universo com a certeza de que muitas vidas foram mudadas para sempre. Não é a toa que um espaço para os fãs foi feito nas partes internas da capa e da contracapa. Mas mais do que isso, esse universo continuará a existir como um refugio para os momentos de tristeza e raiva que no momento, estão reinando sob o mundo. E como já diria Dalai Lama, Se existe amor, há também esperança de existirem verdadeiras famílias, verdadeira fraternidade, verdadeira igualdade e verdadeira paz.
NOTA

Lembrando que a Central do Entretenimento está realizando um especial de 4 episódios sobre Heartstopper no Youtube, onde o universo é revisitado e comparações são feitas entre a série e o livro e que nesta sexta (17) estreia Heartstopper Para Sempre na Netflix e que terá critica aqui também.






