Qual o poder que uma história pode causar no mundo? Que faísca ela pode provocar, ao ponto de mobilizar toda uma comunidade em prol do bem e da união? Essa é a força da história de O Mágico de Oz e de Wicked, que nasceu simplesmente de um livro, que logo depois virou peça de teatro e hoje tem várias versões pelo mundo incluindo o Brasil e logo depois ganhou os cinemas com a parte 1 em 2024. Então as expectativas para a Parte Dois estavam lá em cima. Será que elas foram superadas?
Em Wicked: Parte Dois, vários anos se passaram após Glinda (Ariana Grande/Fabi Bang) e Elphaba (Cynthia Erivo/Myra Ruiz) terem suas vidas transformadas pelo Mágico de Oz (Jeff Goldblum/Oscar Diggs), que definiu para todos quem era a BOA e quem era a MÁ. Hoje em dia, Glinda vive o mundo que sempre desejou: ser amada e louvada por todos, mesmo carregando uma mentira. Já a Elphaba, vive escondida de tudo e de todos e sempre tentando expor a farsa sobre o Mágico para toda a população de Oz, que só deseja uma coisa. Caça-la. Reencontros e despedidas vão mudar a vida dessas duas para sempre.

Quando foi exibida em 2024, a Parte 01 trouxe uma comoção gigantesca não só para o Brasil, como também para o mundo. Pois ali, vários fãs não só da peça como também de O Mágico de Oz, celebraram uma conquista que demorou anos e anos para acontecer. E aí, com o fim da primeira parte, muita gente ficou na expectativa para o fechamento da história. E essa expectativa foi cumprida! O roteiro escrito pela Dana Fox em parceria com a Winnie Holzman, que escreveu o roteiro da peça original, pega todas as cenas que o publico já conhece e engrandece elas de uma maneira, onde tudo se torna épico! Ao mesmo tempo, as duas conseguem trazer uma explicação melhor para alguns momentos que são meio jogados na peça, como toda a seqüência do Boq com a Nessarose, assim como toda a participação da Dorothy, que aqui, ganha um outro contexto, junto a explicação do passado da Glinda e as novas músicas, que fecham muito bem o arco não só da Elphaba, mas principalmente da Bruxa boa do norte. AH! Detalhe também para a cena final que por um caso do acaso, é uma versão alternativa do final da peça da Broadway.
Somando isso, a direção do Jon M. Chu, que é um diretor que entende de musicais e que usou muitos efeitos práticos no filme, trazendo como resultado, um longa tocante, emocionante do começo ao fim e que abre mão do tom feliz da primeira parte para ir fundo num tom mais sério, mas sem abrir mão da cor que ele estabeleceu e que tem muito na peça. Além disso, ele aproveita os cenários muito bem, usa uns ângulos de câmera que dá gosto de ver e principalmente, quando o filme toca em temas políticos como fake news e a farça do bom moço, ele consegue abordar esses temas sem levantar bandeira, ao contrario da diversidade que virou a marca de Wicked para a comunidade LGBT e as cenas musicais, ele consegue nos envolver muito bem, seja elas com ou sem multidão. Mas claro que quando coloca os figurantes para dançar, o Jon arrasa como sempre, e isso desde Em Um Bairro de Nova York, que inclusive é um grande filme.

Sobre o elenco, o grande destaque aqui vai para o trio Cynthia Erivo/Myra Ruiz, Ariana Grande/Fabi Bang e o homem mais sexy do mundo de 2025 Jonathan Bailey/Raphael Cossato, que entregam muito bem o arco dos seus personagens, que começaram na Shiz de um jeito, e se encerraram de outra forma nas ruas de tijolos amarelos de Oz. A Elphaba, que depois de desafiar a gravidade e iniciar sua luta pelo bem dos animais, demosntra que está um pouco cansada e até ouve conselhos sobre talvez parar e seguir com sua vida, já que o povo de Oz, não quer saber dela de jeito nenhum. O Fyero por sua vez deixou de lado a sua arrogância e se transformou completamente por amor e o Jonathan entrega o desconforto dele com as mentiras que ele está vivendo de uma forma assim estupenda. Mas o que eu gostei mesmo, foi o arco da Glinda, que começa sendo uma pessoa fútil que gosta de viver nas mentiras e ela vai percebendo que talvez seja a hora de sair de sua zona de conforto, e a música nova A Garota na Bolha demonstra muito bem isso. Não só ela, como Nada é Melhor como Nosso Lar, que é a música inédita da Elphaba, que comparado a Todo Bem Tem Seu Preço e a música da Glinda,acaba se tornando meio inferior.
Já a Michelle Yeoh e o Jeff Goldblum, conseguem fazer a gente odiar eles com todas as forças. Mas assim, odiar tanto, que chega a um ponto em que a todo o casamento da Glinda pareça ser uma seqüência escrita por Walcyr Carrasco de tão boa que é, é só ver o casamento da Dita com o Candinho pra saber e o arco final do mágico, que mostra que as vezes, uma grande mentira pode trazer sérias conseqüências. Agora, tem alguns personagens aqui, que são mal aproveitados e que, ou não fariam falta nenhuma, ou poderiam ter ganho um final melhor. Por exemplo, os dois amigos puxa saco da Glinda, que são feitos pelo Bowen Yang e pela Bronwyn James, eles não tem a menor função na segunda parte da história e deveriam nem ter aparecido aqui, assim como é na peça original. Já o Boq (Ethan Slater), que é o outro exemplo aqui, ele chega a ter um desenvolvimento melhor na sua relação com a Nessa, que inclusive Marisa Bode entregou uma cadeirante bem malévola e prepotente, mas depois que o Boq vira o Homem de Lata e ele tem aquele número musical dele dos Caçadores de Bruxas, ele literalmente desaparece e nem chega a dar as caras no confronto final da Dorothy com a Elphaba, que é uma coisa que acontece na peça. Pra mim, ficou faltando ver um pouco mais do Boq.

Sobre as músicas, confesso que as que eu mais gostei foi a de Garota na Bolha, Todo Bem tem Seu Preço e Mágico, que ganhou uma outra sinfonia mais alegre do que a tem que nos palcos pelo mundo. Já a faixa For Good, que aqui no Brasil é Tudo Mudou, ela é a musica que simplesmente me derrubou de um jeito no cinema, que eu fiquei com lágrimas a perder de vista, como se estivesse chorando no enterro dos meus pais. Isso porque a musica marca o ultimo encontro das duas e isso, é de quebrar qualquer coração, até porque a química que a Cynthia/Myra e a Ariana /Fabi entregam é exepcional.
No fim, Wicked: Parte Dois fecha a história das bruxas de Oz de uma maneira linda, emocionante e épica. E olhando para as duas partes como um todo, Wicked é um spin-off que tem sua áurea própria e que consegue falar com sensibilidade sobre Diversidade, Política, Amizade e como a verdade pode transformar não só vidas, como também o mundo.


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