Dois jogadores hóquei rivais no gelo se apaixonam nos bastidores e não sabem o que fazer com esse sentimento. Essa pequena logline é o plot central da série mais comentada do momento, Rivalidade Ardente ou Heated Rivalry, uma adaptação de baixo custo do Canadá, que adapta o segundo livro de uma série de sete histórias, sendo a ultima, a mais recente que será lançada neste ano e sendo ambas escritas pela autora Rachel Reid.
Lançada em dezembro do ano passado na plataforma Crave, a série começou a fazer sucesso em pouco tempo por lá, e vendo essa oportunidade, a HBO Max foi a mais rápida no leilão de compra e adquiriu os direitos de exibição da série mundialmente, tanto é que ela só foi chegar no Brasil dois meses depois, em fevereiro e logo no primeiro dia útil do Carnaval brasileiro, uma festa onde o fogo é alto! Com seis episódios, nós acompanhamos os jogadores promissores canadense Shane Hollander (Hudson Williams) e o russo Iyla Rozanov (Connor Storrie), que no gelo são eternos rivais, mas que nos bastidores, são amantes incontroláveis. Só que a medida que os anos passam, os dois vão vendo que não conseguem viver um sem o outro e eles tem que enfrentar seus próprios demônios para conseguirem ficar juntos.

Ao longo dos anos, o universo LGBT ou universo Queer, como queiram chamar, sempre era visto pelo audiovisual como uma coisa caricata e não normal, com estereótipos e um drama enorme, como se o peso de um casal gay ou lésbico ficarem juntos e se assumir perante a sociedade, fosse uma coisa triste e sem destino. Mas assim como o livro, o mundo mudou a visão e ainda está mudando com o passar dos tempos em relação as relações homossexuais e o audiovisual foi o primeiro a perceber isso. Um bom exemplo disso aqui no Brasil, são os filmes Quem Vai Ficar com Mário, Feito Pipa, Homem com H e O Melhor Amigo e as novelas Amor a Vida, Orgulho e Paixão e a mais recente Três Graças, onde o publico tem uma preferencia maior pela Juquinha e a Lorena. E vendo agora no mercado internacional, vários filmes e séries sempre iam para um outro caminho quando o assunto era a homossexualidade, até que chegou Rivalidade Ardente e mostrou da maneira certa, como é que se conta um romance LGBT, com todos os maneirismos e clichês do gênero de romance.

Filha dos pais Vermelho Branco Sangue Azul e Heartstopper, Rivalidade Ardente deixa essas produções super orgulhosas, pois ao mesmo tempo em que as duas anteriores dão o primeiro passo para ascender a faísca da revolução no modo de contar histórias queer, a série escrita e dirigida por Jacob Tierney causa a explosão atômica ao contar uma história coesa, redonda e que adapta muito bem o livro de Rachel Reid, usando o sexo como fio condutor da narrativa e explorando muito bem, as primeiras camadas do Iyla e do Shane, que são similares a de muitas pessoas no mundo real, sejam elas heteros ou gays. E olha que ainda temos mais dois livros deles e muito mais camadas pela frente! Mas como essa primeira temporada foi entregue em dois volumes com três episódios cada, vamos começar com os episódios que vieram junto com o Carnaval e trouxeram todo o tesão que está no marketing da série e do livro. Em primeiro lugar, as cenas de sexo são muito bem feitas e muito bem coreografadas. E um detalhe que ajuda e muito a entregar o clima quente que cada cena pede, é a fotografia, que sabe usar bem da mistura entre cores quentes e frias para causar a explosão e para mostrar o contexto da série: dois jogadores de hóquei (Gelo/Azul>Cor Fria) que nos bastidores se pegam (Amarelo e Laranja>Cor Quente) e claro, a química entre os atores Connor Storrie e Hudson Williams, que nessa primeira parte, entregam todo o desejo e o tesão que o Iyla e o Shane sentem um pelo outro nos dois primeiros episódios, que mostram inclusive, o avanço de tempo, pois como são nove anos em que vamos acompanhando o relacionamento deles, a série se concentra em mostrar apenas o essencial. Já o terceiro episódio, conta uma outra história que acontece em paralelo, que é a do Scott Hunter (François Arnaud) e o Christopher/Kip (Robbie GK), que nesse caso, é a história do primeiro livro da franquia, o Game Changers, que é uma história mais fofa e romântica e que já dá um pouco do tom do que virá na história principal mais pra frente no volume dois. E na temporada como um todo, o Scott funciona meio que uma fada madrinha do casal Hollanov, já que ele entende o que está acontecendo entre o Shane e o Iyla, ou pelo menos deixa a entender. Já o Robbie, nos entrega um personagem super fofo, que você só quer cuidar dele e que ao mesmo tempo, traz um pouco de leveza e humor para a série, que no começo era só adrenalina pura.

Indo agora para a o segundo volume, voltamos para a história principal, que agora ganha outros contornos ao deixar um pouco de lado o tesão e começar a trabalhar a emoção, indo full time no começo do desenvolvimento do relacionamento de Shane e Iyla, começando a explorar as camadas internas dos personagens, principalmente o Iyla, que vem de um passado muito pesado e triste, onde envolve não só o preconceito enraizado que se tem na Rússia contra os lgbt, mas também toda a estrutura familiar que rende boas cenas, onde podemos ver, assim como no livro, que ninguém na família do Iyla prestava, apenas a amiga dele a Svetlana (Ksenia Daniela Kharlamova), que nas páginas é apenas citada poucas vezes e aqui, ela ganha uma importância muito grande, assim como Rose Laundry (Sophie Nelisse) e Yuna, a mãe do Shane (Christina Shang), que demonstram ser uma boa rede de apoio para os protagonistas. Inclusive, de todos os seis episódios, os melhores em questão são o episódio 3 e o episódio 5, que é um verdadeiro soco no estomago, pois tem cenas muito lindas e bem trabalhadas, que tratam com carinho, todas as dores dos protagonistas, como o Shane se assumindo para a Rose, o Ilya se declarando em russo para o Shane e a “cena final” do Scott com o Kip, que fecha todo o arco do Game Changers e dá o impulso que faltava para trabalhar o romance do casal protagonista no ultimo episódio, que fecha a temporada de estreia de uma maneira espetacular.

Sobre o elenco, Hudson Williams e Connor Storrie nasceram para esses papeis e o esforço e a paixão com que eles se dedicaram, tendo que ganhar massa magra, aprender russo para poder ter um sotaque na hora de falar inglês, só mostra o quanto esses jovens atores tem um futuro brilhante no audiovisual e em projetos muito bons. Já o François Arnaud e o Robbie G.K., também estão muito bons como o casal de fadas madrinhas do Iyla e do Shane e todo o elenco coadjuvante, também manda muito bem, principalmente os amigos do Kip que são uma rede de apoio sensacional, além é claro das mulheres que cercam a vida dos dois.
Rivalidade Ardente entregou a formula pronta e definida para Hollywood fazer produções queer do jeito certo. E se duvidar, com certeza até outros países do mundo com o Brasil, vão fazer produções como essa. E mais do que isso, a diversidade, nunca esteve tão bem representada com Shane e Iyla. Que venha agora o Longo Jogo e o melhor casamento de 2027!
NOTA


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