Central do Entretenimento

Central Critica O Último Azul – Uma linda carta de amor á liberdade não importa a idade da pessoa

Como você viveria em um país, onde você teria que ir para um asilo quando atingisse uma certa idade? Denise Weinberg mostrou como é isso na pele em O Último Azul, novo filme de Gabriel Mascaro, que já tinha nos entregado Boi Neon e Divino Amor. O longa acompanha Tereza (Denise Weinberg), uma mulher de 75 anos que se recusa a seguir o sistema do Brasil, que manda sempre os idosos para um asilo secreto, pois assim os mais jovens podem movimentar a economia do país. Foragida, Teresa busca sua liberdade numa jornada pela Amazônia, onde ela faz várias amizades e descobre o verdadeiro sentido da liberdade.

O filme ganhou o urso de prata no Festival de Berlim pelo grande júri do festival e desde então, encheu salas de cinema em pré estréias que sempre realizava pelo Brasil afora. O roteiro, que é escrito por Mascaro, é certeiro em dois pontos: No cumprimento do objetivo da sua protagonista e uma bela critica social ao Etarismo, que é um tema amplamente discutido pela sociedade de hoje em dia. E comparando este filme com os últimos dois trabalhos do diretor, onde ele explorava o corpo masculino e o corpo feminino, aqui ele explora o corpo idoso, de uma maneira que o cinema ainda não exibiu de fato. Se pararmos para observar, apenas X: A Marca da Morte, A Grande Fuga, que são filmes internacionais e o aclamado Senhoritas, que foi exibido no Cine PE 2025 e que é o único brasileiro da lista, são as únicas produções que abordam o universo da terceira idade, de forma simples e pura, embora uma certa produção goste de ir por um caminho mais bizarro.

Divulgação: Vitrine Filmes

Outro ponto que O Último Azul aborda, é o efeito reverso da dependência emocional, onde muitas vezes, os filhos sempre querem ter sua independência, mas as vezes, existe sempre alguma mãe querendo se intrometer, o que afasta ainda mais os filhos. Nesse ponto, o filme acerta ao mostrar o reverso com a relação entre Tereza e sua filha. E acerta ainda mais, ao mostrar como seria um Brasil regido por um governo ditatorial, que não liga para a liberdade alheia, me lembrei um pouco até de Medida Provisória, que mostra também a opressão politica sobre uma certa minoria, pois acha que está fazendo um bem danado, quando na verdade não está. E além de tudo isso, O Último Azul é um convite para um belo passeio na Amazônia, que mostra toda a sua beleza e o seu ritmo, que é completamente diferente do resto do mundo, mostrando que a liberdade, nem sempre está no céu, ela está em todos os lugares e a parte sonora do filme, o que inclui a Trilha Sonora e a Sonoplastia, é um exemplo bem forte disso.

Denise Weinberg em cena em O Último Azul – Divulgação: Vitrine Filmes

O elenco do filme também manda muito bem, principalmente Denise Weinberg, que comprova 100% que os atores da terceira idade, ainda tem muito a oferecer para o audiovisual brasileiro, e eu digo isso a exemplo do Gero Camilo, que arrasou em Papagaios, filme que foi exibido no Festival de Cinema de Gramado, local onde O Último Azul teve a sua primeira exibição publica. Já Rodrigo Santoro, frustrou um pouco as minhas expectativas por causa da sua curta participação de 10 minutos em cena. Mas depois eu parei para refletir e é uma participação necessária e única, que mostra pra gente e para Teresa, qual o caminho que ela vai precisar seguir para encontrar a sua liberdade. E a cena dele com os efeitos do caracol da baba azul, trouxe um pouco de Duna do Villenueve e é a chance que o Rodrigo tem para mostrar que é um excelente ator aos 50 anos. Uma outra coisa do personagem de Santoro, é que ele define como vai ser a dinâmica da Teresa com os outros personagens do filme, que é a espécie da dinâmica da ponte, onde um personagem entra para levar o protagonista do ponto A para o ponto B e depois sai de cena. Foi o que aconteceu com o Adanilo, que representou muito bem todo lado norte do país e com a Miriam Socarras, que além de representar toda a comunidade latina, ainda nos deu seu carisma e simpatia.

Miriam Socarras e Denise Weinberg em cena em O Último Azul – Divulgação: Vitrine Filmes

O Último Azul é um longa muito bem feito que fala sobre temas importantes, que vem nessa leva pós Ainda Estou Aqui e reforça junto com O Agente Secreto, que o cinema brasileiro vive um outro momento onde o mundo está começando a aceitar o nosso cinema. Fora que, é de Pernambuco para o mundo!

NOTA: 10,0

Divulgação: Vitrine Filmes
Divulgação: Vitrine Filmes

Concorda ou discorda desta critica? Comenta aqui embaixo e nas Redes do Entretenimento. Acompanhe a Central do Entretenimento também no Youtube.

Compartilhe:

CENTRAL DO ENTRETENDIMENTO

Postagens Relacionadas