Esse é o ultimo filme da Central no Festival do Rio. O ultimo de uma série de muitos que ainda virão. E pra fechar com chave de ouro, vamos com uma história que envolve muito amor e uma lição importante sobre olha para si mesmo e que tem tudo haver com um trecho de Tempos Modernos do Lulu Santos, que é: Vamos Viver tudo que há pra viver. Vamos nos Permitir.
Maré Alta (High Tide) do cineasta Marcos Calvani, conta a história de Lourenço (Marcos Pigossi), um imigrante brasileiro que mora em Princetown e seu visto de turista está para vencer. Necessitado de dinheiro, ele divide uma casa com um senhor que lhe acolheu e trabalha limpando casas de Airbnb de alta temporada. Um dia, Lourenço acaba conhecendo Maurice (James Bland), que está de passagem pela cidade e isso começa a mudar sua vida drasticamente.

Uma das coisas mais complexas do ser humano, é a necessidade de ser aceito pelos outros e de se isolar em uma bolha privada para fugir do mundo. Maré Alta fala sobre justamente quebrar tudo isso e se permitir experimentar coisas novas, como por exemplo, um grande amor ou nadar pelado em uma praia. O roteiro primeiro campista explora muito bem cada uma das facetas do seu protagonista, que vai se explorando, enquanto o publico vai descobrindo isso junto com ele. Junte isso a uma direção que usa de alguns silêncios e de closes nos olhos e nas bocas de seus personagens para mostrar o que eles estão sentindo e mostrar da maneira mais limpa e sem esteriotipos, o universo LGBT ao som de uma bela e dramática trilha sonora.

Se tem uma coisa que surpreende neste filme, é o marido do roteirista e diretor, Marcos Pigossi. Com um papel desenhado especialmente para ele, Marcos nos entrega um protagonista com múltiplas camadas que vão sendo exploradas ao longo do filme. Além disso, o inglês dele, além de ser muito afiado, é muito sedutor, o que faz todos nós e os personagens do filme, se encantarmos por ele e por seus vários dotes que vão além de um belo corpo. Inclusive, se tem uma coisa que esse filme sabe explorar bem, são os corpos. Não é a toa que na ultima sessão do festival, teve um curta só de pegação e que focava nos corpos de seus personagens. Outra também que tem uma função importante na trama, é a personagem da Marisa Tomei, que serve de aconselhadora para o personagem de Pigossi, mostrando até para o publico, o que é o cerne do filme com apenas algumas pinturas.

Maré Alta é um filme que fala sobre auto valorização e sobre se permitir mais em todos os contextos. Uma história de amor feita por um casal lindo e que vai ganhar o mundo por esse oceano afora.
NOTA: 10,0

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