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Central Critica no Festival do Rio: Emília Perez – Ela veio com os dois pés na porta e com clima de novela mexicana

Se tem uma coisa que o cinema já mostrou bastante quando se tem uma história que se passa no Novo México, é ter algum quartel de drogas ou alguma quadrilha organizada. E sabendo disso, o cineasta Jaques Beruland, resolveu pegar esse ingrediente e mistura-lo ao universo LGBTQUIA+ e ao universo musical. E assim, nasceu Emília Perez, uma  história sobre transformação em todos os sentidos e sobre amor.

O filme conta a história da advogada Rita (Zoe Saldana), que é sequestrada pelo líder de um quartel de drogas muito perigoso e que deseja largar a vida que tem para se transformar em uma mulher. Rita aceita o trabalho e consegue transformar o criminoso em Emília Perez, uma ricaça milionária que ajuda os necessitados que não tem a justiça ao seu lado. Mas, quando Emília volta a ficar com os seus filhos, ela fica em duvida se conta seu segredo pra sua esposa ou não.

Divulgação: Paris Filmes

Filme super aguardado no Festival do Rio, Emília conseguiu fazer o que nenhum outro filme fez, que é lotar em todas as suas sessões, incluindo a de abertura. Com uma história fácil de entender, o roteiro tem em seus elementos, aquele tempero clássico de telenovela não só em seus diálogos, como também no próprio plot em si, o que lembra muito a novela Duas Caras do Aguinaldo Silva e Brega e Chique do mestre Cassiano Gabus Mendes, onde o protagonista usava da cirurgia plástica para mudar de vida por completo. Junte isso as cenas musicais, que são certeiras e estão presentes no filme desde o primeiro minuto.

Sobre a direção do Jaques, ele faz um bom trabalho trazendo um clima mexicano que foge dos clichês. Aqui, nós não temos aquela cor forte e saturada que Hollywood aprendeu a usar e abusar. Aqui a direção, junto com a parte de fotografia, consegue fazer um filme com a paleta de cores no tom certo e com muita luminosidade, pois esse filme é vivo por si só.

Divulgação: Paris Filmes

Dentre o nosso trio de protagonistas, tenho que dar uma salva de palmas para todas as três, especialmente para Zoe Saldana, que está no melhor momento da sua carreira. Aqui, Zoe mostra que tem gogó para cantar boas musicas e mostra exatamente o que a sua personagem está sentindo no olhar. Fora que, como ela de origem latina, falar o seu idioma natal, deve com certeza ter lhe trazido boas lembranças de sua infância. Quem também está bem é a Selena Gomez, que na pele da esposa da protagonista, mostra toda a sua paixão pelos latinos e que é uma mulher poliglota. Mas por outro lado, tem alguns momentos dela no filme, que são meio forçados demais e que me tiraram um pouco da história, pelo menos na parte dramática. Ou seja, Selena precisa trabalhar mais seu lado dramático para fazer melhor da próxima vez.

Divulgação: Paris Filmes

No fim, Emília Perez traz o verdadeiro sangue latino que Hollywood nunca conseguiu trazer, tirando Besouro Azul. E mostra como uma pessoa se sente amada sendo quem é de verdade. Por mais filmes assim.

Nota: 9,0

Divulgação: Paris Filmes
Divulgação: Paris Filmes

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