O processo da escolha de um papa todo mundo conhece. Os cardeais do mundo inteiro são chamados a Roma para ficarem trancados numa sala, até que um deles, seja escolhido o novo Santo Padre. Mas, será que conhecemos mesmo, com riqueza de detalhes, como funciona um Conclave? Pensando nisso, o cineasta Edward Berger, que vem do aclamado Nada de Novo no Front, resolveu topar o desafio de mostrar como é de verdade esse processo e sem nenhuma picuinha,
Em Conclave, o cardeal Lawrence (Ralph Finnes) é escolhido para coordenar o processo de escolha do novo Papa. Mas, durante o Conclave, ele vai descobrindo segredos dos outros cardeais, que podem colocar em xeque os rumos da eleição.

Pra quem já viu Nada de Novo no Front, já pode esperar que Conclave irá entregar uma experiência visual incrivelmente absurda. A direção do Edward Berger aproveita e muito bem os cenários do Vaticano, para causar a imersão necessária no publico, fazendo com que viajamos para Roma pagando apenas 40 reais. A pesquisa de informações que a equipe do filme teve para mostrar como funciona um Conclave é muito bem feita e traz uma riqueza de detalhes, que muita gente possa se surpreender. Somado a isso, tem o final do filme, que pode causar um certo estranhamento em alguns fieis devotos a igreja. Por outro lado, quem for ao filme sabendo que aquilo na tela, uma boa parte é fictícia, vai poder digerir o final sem grandes alardes.
Outro ponto positivo do roteiro, são os diálogos, que apesar de serem um pouco longos, são muito interessantes e abrem espaço para outras línguas.. Pra quem está apendendo italiano, esse filme é um prato cheio. Agora, sobre o elenco, quem se destaca aqui nesse mar de atores fodas, são o Ralph Finnes, que consegue demonstrar a firmeza com que o Lawrence lida com as situações e a frustração em forma de choro, uma das únicas vezes em que vi ele chorar na minha vida. Outro que também se destaca é o Sergio Castellito, que traz boa parte das cenas cômicas do filme.

Conclave é um filme que eu não estava esperando nada e saí de lá instigado pelo seu final polemico, pela direção primorosa do Edward e pelas atuações magníficas do seu elenco masculino. Um dos filmes mais másculos que eu já vi.
NOTA: 9,0

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