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Central Critíca – Ninguém é de Ninguém

Ao longo dos anos, o audiovisual nacional deu muito espaço para a doutrina espirita mostrar um pouco do seu lado. Produções como A Viagem, Nosso Lar, Kardec e Predestinado sempre contaram como é esse universo ainda tão temido pelas pessoas.

E no caso de Ninguém é de Ninguém, a situação também não é diferente. Ela funciona como uma obra espirita, mas que trata temas muito importantes para a sociedade inclusive! O filme fala sobre a sociedade machista que infelizmente ainda existe, sobre a sensação de perder o controle sobre algo que ama e o livre arbítrio, que é atribuído a humanidade desde o começo.

Imagem: Cinética Filmes

O grande problema do longa é o roteiro, que tem uma introdução e um encerramento muito ruim. E embora se utilize de personagens artificio para fazer a história andar e desenvolver os temas propostos, o começo e o fim da obra são o que acaba estragando todo o resto. No começo, a rotina do casal protagonista é apresentada de uma maneira muito acelerada e isso prejudica o filme mais pra frente, deixando-o mais lento e cansativo em algumas cenas.

Já a conclusão, esquece de tudo que já tava sendo proposto e parte para a zona de conforto mais clichê do mundo, o amor. E aqui vai uma dica, se a ideia é em usar o espiritismo para falar sobre controle, o medo da perda e a decisão de tomar escolhas, pegava a história da relação entre o vilão e a mocinha de O Profeta como base e desenvolvia os temas em cima disso. Porque pra mim, a relação entre Gabriela (Carol Castro) e Roberto (Danton Mello), me lembrou bastante Clóvis (Dalton Vigh) e Sônia (Paola Oliveira) da novela de Duca Racchid e Thelma Guedes.

Imagem: Cinética Filmes

Sobre o elenco, vamos dar o destaque para a dupla protagonista dessa história, Danton Mello e Carol Castro. Os dois fazem aqui, papeis com os quais não estão acostumados a fazer, seja na TV ou no cinema. Ela, que sempre fez mulheres empoderadas e boas vilãs, aqui faz uma pessoa sensível e temerosa em alguns momentos. Já o irmão do Selton Mello, faz o oposto do cara gente boa, engraçado e as vezes banana. Um sujeito vindo das profundezas da retrogariedade e que passa logo de cara aquela antipatia, mostrando que o Danton Mello tem de tudo para fazer ótimos vilões em qualquer trama. Já Paloma Bernardi, continua no modo automático e entrega aquilo que esperamos da atriz, uma personagem louca e má.

Por fim, falta ressaltar aqui, os ângulos escolhidos pelo Wagner de Assis na hora de aplicar os efeitos especiais em algumas cenas. Sério, parecia que eu estava vendo o episódio da pílula do encolhimento do Chapolin Colorado, já que o efeito não se casa com a cena em questão.

No geral, Ninguém é de Ninguém se mostrou um filme com ótimas propostas para trabalhar usando a espiritualidade, mas acaba fincando seus pés no umbral da mesmice e traz como resultado, dois bons atores, mostrando que podem ir muito além no seu oficio.

NOTA: 6,0

Divulgação: Cinética Filmes/Sony Pictures Internacional
Imagem: Cinética Filmes

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