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Central Critica Especial Festival do Rio: No Nosso Sangue – Uma grande mistura de Bruxa de Blair com Um Drink no Inferno

Sabe aqueles filmes que parecem simples, mas que podem te surpreender?  No Nosso Sangue, filme dirigido pelo Pedro Kos e estrelado por Brittany O´Grady e Bianca Comparato é um belo exemplo disso. Com uma história bem simples sobre a gravação de um falso documentário sobre o reencontro entre mãe e filha, o longa surpreende com a sua grande virada no terceiro ato, mas não sem antes causar aquele famoso AHHHH, agora tudo faz sentido.

A documentarista Emily Wayland (Brittany O´Grady), se une ao diretor de fotografia Danny (E.J. Bonila) para gravar um documentário sobre o reencontro dela com sua mãe, a quem não via a mais de uma década por causa do vício dela em drogas. Mas, quando a progenitora desaparece de repente, Emily e Danny começam a investigar o sumiço, achando que a mãe da protagonista voltou ao vício. Mas, quando mais fundo eles vão na investigação, mais eles vão descobrindo que nada é o que parece.

Com uma indicação ao Oscar por Onde Eu Moro, o cineasta Pedro Kos entrou de cabeça em seu primeiro longa de ficção e não desaponta em nenhum momento nesta obra, que usa o modo found footage e a experiência do diretor como documentarista para criar um ambiente de tensão crescente em que, a cada nova pista descoberta, mais a verdade perigosa vai se aproximando, o que lembrou muito A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, duas grandes influencias além de Corra, que foram usadas na construção do filme, que também conta muito com a quebra de expectativa e com o horror da situação, fugindo totalmente do clichê do gênero e entregando pistas que se conectam com o título do filme no terceiro ato.

Outro ponto do filme que também foge da mesmice é a direção de fotografia, que não usa da saturação para mostrar que a história se passa numa cidade latina e utiliza a paleta de cores de acordo a densidade do perigo, chegando numa hora em que ele assume um vermelho bem Suspiria do Argento para situar para o publico de que agora, chegou a hora da verdade. Sobre o elenco, todos estão de parabéns, a começar pela Brittany O´Grady, que é conhecida por seu trabalho em The White Lottus e Natal Sangrento, consegue convencer a simpatia do publico com sua determinação e ingenuidade em querer investigar o sumiço de sua mãe. Outro também que me agradou muito, foi o E.J. Bonila, que faz o Danny. Sempre com um humor afiado, o personagem esbanja carisma e ao mesmo tempo, preocupação, já que ele representa a plateia até o fim do filme.

Falando agora sobre a Bianca Comparato, que volta a fazer uma produção internacional depois da sua conhecidíssima participação em Greys Anathomy, a personagem dela traz um ar de mistério e algumas pistas que se conectam ao propósito obscuro do filme e a atriz manda muito bem. Embora sejam apenas duas cenas, a aparição dela é igual a famosa frase do homem na lua: um pequeno salto para uma atriz. Mas, um salto gigantesco que será dado em sua carreira internacional.

No Nosso Sangue é um filme que fala sobre vícios e sobre como isso afeta diretamente as relações familiares. Temas muitos usados no gênero do terror, mas não com a devida clareza que mereciam. Agora sim, temos um filme que trouxe inovação em todos os sentidos para o gênero.

NOTA: 10,0

Divulgação: Firefly Theaters Films

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