Ela demorou para vir. Mas finalmente estreou e marcou o Brasil com sua agulha afiada, deixando o país mais botulínico. Beleza Fatal chegou como a novela que mudaria o mundo do streaming, mostrando que esse tipo de consumo, também pode produzir uma novela mais compacta, mais rápida e que possa ser vista no mundo inteiro. A história acompanha Sofia (Camila Queiroz), uma garota que vai morar com sua mãe na casa de sua tia Lola (Camila Pitanga) e no meio dessa nova vida, ela perde sua mãe Cleo (Vanessa Giacomo), para um plano de Lola, que manda a irmã para a cadeia e mata.
Lola, é alguém que não tem medo de nada, não tem papas na língua e almeja um futuro cheio de riquezas. Para chegar lá, ela ajuda o seu patrão Rog (Marcelo Serrado) e o parceiro dele, o Benjamin (Caio Blat) a se livrarem de um corpo que foi resultado de um procedimento mal feito. Corpo esse que era Rebeca (Fernanda Marques), a filha de Elvira Paixão (Giovanna Antonelli), uma mulher trambiqueira de bom coração. Com o seu destino já traçado, Lola se livra de Cleo e automaticamente de Sofia, que a essa altura já foi adotada pela família de Elvira e rejeitada pela filha. Anos mais tarde, Sofia descobre que a Lola foi a responsável por todas as suas perdas. Determinada, a protagonista busca vingança e conta com a ajuda dos Paixão para destruírem a família Argento. Família essa que é composta pelo Alberto (Herson Capri), pela Gisela (Julia Stockler), pelo Tomás (Murilo Rosa) e pela Carol (Manu Morelli).

Raphael Montes construiu a sua carreira seguindo os passos de bom contador de histórias. Começou primeiro pelos livros, trazendo boas histórias de suspense e mistério, sempre com finais surpreendentes e abordando temas sempre muito espinohsos. Depois disso, seguiu para o audiovisual, onde começou fazendo roteiro de série com a adaptação de Bom Dia Verônica, depois seguiu para o cinema, onde fez Uma Família Feliz, que por acaso venha ser seu ultimo livro lançado e agora chegou nas novelas, logo ele, que se considera um grande noveleiro e fã dos autores clássicos, recebeu essa tarefa da mamãe Warner para fazer uma novela para a plataforma Max e eis que surgiu, Beleza Fatal. Utilizando de dois temas, sendo um deles bem clássico e outro bem atual, a novela fala sobre vingança e sobre a pressão estética que a sociedade hoje vive para atingir seus resultados. E por uma grande coincidência do destino, calhou que essa novela estreou bem no clima de A Substância, que também fala sobre a busca pela beleza e suas conseqüências.

O roteiro de Beleza Fatal traz um pouco da ousadia, que é parte fundamental do DNA das histórias do Rapha, mesclado com os clichês de novela que são bem cafonas e a novela não tem medo e vergonha nenhuma de se assumir assim. Tanto é que isso acabou rendendo as cenas mais icônicas e que viralizaram na internet. E muito disso, se deve ao fato do Raphael Montes ser um autor que acompanhou um pouco dessa evolução e justamente por ser ainda jovem, ele meio que entende a linguagem da internet, é só olhar para os posts que ele divulga os seus livros, é uma coisa surreal e que falta muito na velha guarda de autores, que tentam mostrar que estão ligados no pensamento do jovem atual, quando na verdade não estão. A direção da Maria de Medicis é outro ponto positivo de Beleza Fatal. Ela utiliza uma paleta de cores bem vivas para contar uma história de vingança, o que é muito comum nas histórias das sete e a mescla das cenas quentes e frias nas cenas de sexo e de violência, que são mais pesadas por causa do streaming.

Sobre o elenco, a Max e a Coração da Selva, que é a produtora da novela, pegaram grandes atores consagrados que já fizeram novela na Globo e eles entregam T-U-D-O!!! Obviamente que o trio protagonista que é feito por Sofia, Lola e Elvira manda muito bem. Tanto é que a melhor cena de Beleza Fatal é sempre a próxima. Mas, o grande destaque aqui desse elenco, é sem sombra de duvidas, a Camila Pitanga, que finalmente voltou as novelas depois de um certo trauma chamado Velho Chico. Em entrevistas mesmo, a própria Camila fala que ela queria muito voltar para as novelas, mas tinha que ser um projeto que impactasse de fato e a Lola, é uma personagem que impacta, não é a toa que ela foi totalmente abraçada pelo Brasil, entrando para o Hall dos Grandes Vilões da Teledramaturgia Brasileira ao lado de Carminha, Vanessa, Nazaré, Tereza Cristina, Perpétua, Félix, Odete Roitman e Zeca Diabo. E uma das coisas que comprovam isso, é o jeito e o carisma da personagem, que primeiro, é muito inspirado na mãe do Raphael Montes e segundo, a evolução da Camila Pitanga como atriz de novela, é uma coisa surreal.

Outra que também entrega bastante, é a Camila Queiroz, que gravou essa novela enquanto fazia Amor Perfeito e ela entrega uma protagonista cheia de camadas, que vai evoluindo a cada capitulo que passa. Tanto que quando chegou no capítulo final, a curva da personagem se completou de uma maneira, que você, mesmo já tendo entendido há três semanas antes do final da história, qual era o verdadeiro objetivo de Sofia, o talento de Camila como uma pisicopata é brilhante e as duas cenas que comprovam isso são a do capítulo 8, onde ela muda do choro para o riso rapidamente e no capítulo 35, onde ela solta uma risada maléfica que parece ter saído da franquia Sorria.
Já a Giovanna Antonelli, atua no modo automático, mas só que mais solta do que nos outros papeis. Afinal de contas, quando que você imaginaria ver a interprete da Jade e da Dona Helô, fazendo uma picareta que se disfarça de tudo para conseguir o que ela quer. Mas ao mesmo tempo, a Elvira tem um lado bondoso e sensível que a Giovanna entrega com facilidade. Indo agora para os personagens secundários, o Marcelo Serrado, o Herson Capri, o Caio Blat e a Julia Stockler são os que entregaram acima da média e com personagens que tiram os atores de sua zona de conforto e até mesmo o publico, que já tinha uma certa visão deles em um certo tipo de personagem, como o caso do Herson, que sempre fazia o executivo malvado e vingativo e aqui, ele é um cirurgião plástico e gay ainda por cima! O que é um ponto surpreendentemente positivo.

Poderia falar até de outros personagens não vão tão bem assim ou são apenas chatos. Mas Beleza Fatal me conquistou desde o primeiro trailer. E acho que depois dela, Raphael Montes vai ser requisitado não só pela Globo, mas também por outras emissoras ou plataformas de streaming. De agora em diante, Raphael abriu a porta para uma nova leva de autores que tem o sangue noveleiro na veia e mostrou para os engravatados que não é necessário mudar uma novela, se você apenas confiar no autor. Talvez se deixassem o João Emanuel Carneiro fazer o trabalho dele sem nenhuma mudança, Mania de Você poderia ter sido uma novela mil vezes melhor.
Beleza Fatal mostrou a verdadeira novela raiz feita nos dias de hoje e que o publico sente falta e dá o sinal para que a Globo não erre mais em querer apostar só no seguro e que chame mais autores novos, como foi o Mauro Wilson com Quanto Mais Vida Melhor.
Que o remake de Dona Beija mantenha o ritimo. Agora que a Max sentiu um gostinho do que é a onda noveleira, ela não vai parar mais.
NOTA: 9,0

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