Com o passar dos anos, o mundo está em constante evolução. E essa evolução, está acontecendo principalmente para a comunidade LGBTQUIAPN+, que sempre lutou e ainda luta pelos seus direitos e pela liberdade de amar. Só que mesmo em 2026, ainda tem espaços que são mais reservados e conservadores a pessoas do mesmo sexo terem um carinho a mais pelo outro. E um desses cantos, é o esporte. Não é a toa que só no século 21, é que as mulheres tem o seu espaço, mesmo ainda sofrendo com o feminicídio e os abusos que infelizmente ainda acontecem..
Mas no caso de um jogador homem, seja ele de hóquei, de basquete, de vôlei ou de futebol, se assumir para o mundo, é um tabu ainda muito grande e que merece ser quebrado. E isso, é uma coisa que não só as obras audiovisuais do Brasil e do mundo estão começando a perceber, como também a literatura brasileira está entendendo isso. E dois exemplos muito claros, são os livros Te Vejo na Final e Os Dois Tempos de Beto Garcia, segundo livro escrito pelo ator, escritor e influenciador Luca Guadagnini e que conta a história de um jogador da seleção brasileira, que enquanto disputa a sua primeira copa do mundo, se reencontra com um antigo amor do passado e tem que acertar as contas antes da prorrogação e da chance de levar o Brasil ao Hexa.

Alternando-se entre passado e presente, o livro conta a história de Alberto (Beto) Garcia, um menino negro da cidade de Ipatinga, interior de Minas Gerais, que após sofrer muito bulliyng, conhece e se torna amigo de Arthur Abreu, um menino de cabelos loiros que além de apresentar o futebol para Beto, defende ele dos bulinadores. Os dois se tornam muito amigos e ao longo da história, nós vamos acompanhando essa amizade se tornar algo a mais, até que os dois se separam por um motivo muito forte. Isso é o que acontece nos capítulos com nome de Primeiro Tempo, que é quando a história se passa no passado e isso, são as memórias que o Beto está contando para o leitor. Confesso que logo no ínicio e ao longo de uma boa primeira metade do livro, o passado do Beto e do Arthur é bem interessante de se acompanhar. Os dois começando como amigos íntimos e depois se tornando namorados e tudo isso mesclado com os capitulos no presente, é bem gostoso de ler. Só que quando chega na metade e no resto do livro, essa parte se torna um pouco mais romântica e cansativa, já que ela se perde em clichês que fazem querer pular para os capítulos que se passam no presente. Mas isso, vai dependendo de leitor a leitor.
Já nos capítulos com nome de Segundo Tempo, que são os que se passam no presente, eles nos apresentam o Beto atuando dentro da Copa do Mundo 2026 e isso, é um acerto em cheio do autor, que poderia ter escolhido qualquer outro esporte ou até mesmo contar essa história em qualquer outra copa do mundo, até mesmo as do futuro, mas, ele decidiu usar a copa desse ano, para aproximar ainda mais ficção e realidade. E mesmo ele, já admitindo que não é um especialista em futebol, o trabalho de pesquisa que ele fez mergulhando no mundo futebolístico e mostrando os bastidores que vários fãs da modalidade tanto acompanham, só que da visão do jogador, nos colocam dentro desse universo e nos fazem sentir o peso da responsabilidade que é jogar pelo seu país na copa do mundo e aproxima ainda mais a ficção da realiadade. Tanto é, que ele pega veículos de imprensa conhecidos como Globo, Cazé TV, Hugo Gloss e Revista Capricho e faz uma pequena mudança, o que deixa o real ficcional e isso é super divertido. Além disso, os capítulos que acontecem durante os jogos do Brasil na copa, se dividem entre o jogo sendo narrado pelos narradores ficcionais e pelo Beto, e as postagens sendo feitas nas redes sociais, o que deixa a trama mais atualizada e com ares sensitivos, já que ela acerta alguns placares de jogos e até adversários. Além do mais, tem alguns capítulos com uns momentos bem ardentes a lá Heated Rivalry, que mostram que o próximo livro do Luca, deve ser um thiller erótico sem medo da safadeza. Porque mesmo sem ser muito apelativo como é em Rivalidade Ardente, o tesão que Luca constroi nas páginas no grande “reencontro” do casal Bethur, deixa qualquer um molhado!

Mas, um outro ponto sensível que Os Dois Tempos de Beto Garcia toca, que são a violência contra a mulher e o uso do câncer como recurso narrativo, pode até aproximar uma boa parcela dos leitores, mas não é algo que o livro vai muito profundamente. Ou seja, embora seja superficial, esses dois temas vão sensibilizar e muito.
Os Dois Tempos de Beto Garcia, realiza uma semi e uma grande final digníssimas da seleção brasileira que participou da copa de 98 e de 2002, onde o enfrentamento ao preconceito e a homofobia, são feitos com o mais puro ato de solidariedade. Além disso, a história serve de conforto para todos os jogadores de futebol e de qualquer outro esporte que estão escondidos no armário e se junta a produções como Jogada de Risco, Rivalidade Ardente, Te Vejo na Final e Jogo Cruzado, para mostrar que a opção sexual do jogador, não interfere em nada no seu desempenho em campo. O que tem que mudar, é o olhar do torcedor, das federações esportivas e dos times, que espero que depois dessas produções, começem a acolher a comunidade LGBTQUIAPN+, assim como fez o Hóquei no gelo depois do sucesso de Heated Rivalry (Rivalidade Ardente).
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