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Yellow Cake – Mosquito da Dengue é uma bomba nuclear em filme paraibano com toques Bacurauenses

A sociedade brasileira e paraibana está sofrendo com a praga do mosquito da dengue, zica e xicugunha. E para arrumar um jeito de deter essa praga, já que acabar com água parada e cuidar dos vasos de plantas não está dando certo, uma equipe de cientistas, composta por brasileiros e americanos, chega com um projeto secreto de exploração das minas de Uranio, para poder acabar com a praga de mosquitos. Mas esse projeto, esconde segundas intenções. Esse é o plot de Yellow Cake, longa de Tiago Melo e estrelado por Rejane Faria.

O filme acompanha Ruby (Rejane Faria), uma cientista brasileira e moradora da cidade de Picuí, que retorna a sua cidade natal com uma equipe de cientistas para explorar as minas de Uranio do local para a realização de um projeto nuclear ultra secreto que começa a sair do controle e causa caos pela cidade.

Com produção dos indicados ao Oscar® Kleber Mendonça Filho e Emelie Lesclaux, estamos diante de uma verdadeira ficção cientifica, que se utiliza de um caso real e que assola o nordeste, que é o mosquito da dengue para abordar uma lenda, que muitos dizem que é real, da cidade que virou um grande foco nuclear nos anos 90. E o roteiro, que tem as mãos de Amanda Guimarães, Ana Carolina Francisco, Jeronimo Lemos, o diretor Tiago Melo e o roeteirista e diretor de elenco, também indicado ao Oscar® Gabriel Domingues, além de falar sobre bomba atômica, traz toques de inspiração em Bacurau e fala sobre a exploração ilegal das minas nas redondezas e ainda critica as sociedades governamentais que gostam de fazer tudo por debaixo dos panos. Uma coisa que vimos até recentemente em Emergência Radioativa.

Outro ponto positivo de Yellow Cake, é a direção do Tiago Melo, que acerta ao transformar a caatinga pernambucana em um cenário de guerra e ainda consegue construir uma certa tensão com respiros leves ao longo da trama. Fora os muitos closes que ele faz em vários momentos, fazendo com que Yellow Cake se pareça quase um filme de body horror. Até buchada de boda ele faz com que agente fique com agonia e um pouco de nojo, embora a comida seja deliciosa. E claro, que isso tem uma parcela de vitória da direção de fotografia do Gustavo Pessoa, que brinca bastante ao usar as cores da bandeira brasileira: o amarelo, o verde e o azul ao criar um contraste entre essas cores e o vermelho em certa hora do filme.

Sobre o elenco, a Rejane Faria, que em 2026 dominou os festivais de cinema brasileiros com mais de seis projetos, aqui, traz uma versatilidade, o que prova que ela é uma boa atriz. Pois diferente de Vicentina, que era um papel mais denso e reflexivo, aqui Rejane está mais solta, embora sua personagem seja um pouco travada em algumas falas em português. Já em inglês, ela manda muito bem, mesmo com o sotaque brasileiro. E Tânia Maria continua irreverente e engraçada, só que agora, com uns tons mais assustadores, que aparecem lá entre o meio e o final do filme e que recebe o complemento da maquiagem e dos efeitos especiais que ajudam a deixar dona Tânia mais tenebrosa.

Yellow Cake é o Chernobyl brasileiro nordestino, onde o cinema brasileiro mostra o seu melhor potencial para o gênero de ficção cientifica. Quem sabe nós não tenhamos em breve algo mais brilhante?

NOTA:

Divulgação: Olhar Filmes

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