Pular para o conteúdo principal

Central do Entretenimento

Em 100 Dias, Carlos Saldanha e Felipe Bragança navegam pelas águas da superação de Amyr Klink

Uma travessia num barco a remo da África para o Brasil com apenas um tripulante. Parece uma coisa impossível. Mas o navegador Amyr Klink, fez isso acontecer aos 28 anos de idade. Ele passou 100 dias em alto mar, numa travessia que fez ele passar por seus próprios demônios. Logo depois que ele concluiu o trajeto, um novo Amyr pegou tudo o que juntou na bagagem e colocou no livro Cem Dias Entre o Céu e o Mar, que é vendido pela Companhia das Letras.

E depois, essa história ganhou as telonas com o filme 100 Dias, novo projeto do diretor Carlos Saldanha (A Era do Gelo, Cidade Invisível e Rio) e estrelado por Felipe Bragança na pele do Amyr Klink. O filme conta a trajetória do navegador pelo Oceano Atlântico durante 100 dias e durante esse processo, nós acompanhamos os perrengues e as memórias que ele vai tendo durante o passeio.

Divulgação: Fabio Braga/Pivô Audiovisual

Sem perder tempo, o filme já vai direto no seu proposito, que é mostrar a trajetória do Amyr da cidade de Luderitz na Namíbia – África até Salvador na Bahia. E assim como no livro, o roteiro de Elena Soares e Thaís Tavares, mostra os perrengues da travessia, só que de uma maneira mais enxuta do que nas páginas, onde a experiencia da viagem, leva você a curtir como se estivesse com o Amyr dentro daquele barco em 15 capítulos. Além disso, nós também somos levados a vários flashbacks e sonhos, tanto no livro quanto no filme. A diferença, é que diferente do livro, onde nós mergulhamos nas memórias do Amyr com sua família e amigos para conhece-lo melhor, no longa, os flashbacks e os sonhos trabalham bem mais a relação do Amyr com o seu pai, que só tem função no filme, os passos que antecederam a sua viagem e os seus medos para trabalhar melhor a sua personalidade, que como eu disse algumas linhas atrás, vai transformando ele em uma pessoa melhor.

O filme teve um grandioso orçamento e cenas gravadas dentro de um protótipo do barco para simular o barco virando de um lado para o outro dentro de um tanque, assim como a maioria das cenas em alto mar. E como todo bom filme tem seus efeitos visuais, os de 100 Dias são meramente bons. As cenas das ondas agitadas, tem um pouco de realidade graças ao tanque e as baleias até tem sua bela graça, uma conquista do cinema brasileiro. Agora nos cardumes dos peixes, aí os efeitos dão uma boa capengada.

Divulgação: Adriano Vizoni/Pivô Audiovisual

Já a direção do Carlos Saldanha, ela vem com um tom mais leve e solar, até mesmo nas cenas mais tensas, e consegue balancear bem o tempo de tela do Felipe Bragança, que é o maior de todos sem sombra de duvidascom o resto do elenco, o que faz com que esse filme de uma pessoa só, que poderia ser um Naufrago, acabe se tornando uma coisa diferente. Falando agora sobre o elenco, o Felipe Bragança carrega esse filme nas costas. Desde o o jeito de falar, Felipe mostra porque ele é o Amyr Klink. Além disso, o ator conseguiu construir um Amyr que é profundamente cabeça dura, mas não malvado e que vai se desconstruindo ao decorrer dessa travessia e aceitando a opinião dos outros e o trabalho em equipe. O João Victor Silva entrega um Tymur que é tá lá para ser o suporte do Amyr em todas as horas, mas ainda assim, ele não tem tanto destaque assim. E o mesmo vale para o Felipe Camargo, que está muito bem como o pai do Amyr, o que inclusive justifica esse ego elevado que ele tem. Mas ele não tem tanto para desenvolver essa relação complicada que ele tem com o Amyr e que quase não é citado no livro. Inclusive, se o pai do Amyr não estivesse na história, o filme com certeza seguiria seu curso do mesmo jeito.

Além disso, a Philippine Leroy-Beaulieu (Emily em Paris), faz uma mãe do Amyr que está lá para sempre apoiar o filho e que é o grande alicerce dele, tanto no filme quanto no livro. E mesmo estando apenas a uma frequencia de rádio durante a viagem, ela ainda consegue transmitir o amor e a preocupação com Amyr. Outro ponto positivo de 100 Dias, é a sua trilha sonora, que traz grandes clássicos da MPB e da Bossa Novae no fim das contas, é um filme que nos mostra que todo sonho é possível, basta que você se despida de seus egos, medos e achismos e fique como o Amyr no seu barco, totalmente nu no meio do mar.

NOTA:

Divulgação: Buena Vista Internacional

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CENTRAL DO ENTRETENDIMENTO

Postagens Relacionadas