O teatro musical internacional está cheio de peças icônicas e imortais que já ganharam o mundo e inclusive o Brasil. E uma dessas peças, é Wicked. Adaptação de um livro escrito e publicado em 1995 por Gregory McGuire, a história é um prelúdio de O Mágico de Oz e conta a origem das bruxas boa do norte e a da má do oeste, mostrando que o que a gente viu no grande clássico, não é bem assim.
A história ganhou uma versão para Broadway 7 anos depois e que está há 20 anos em cartaz e ganhando novos fãs. E depois do grandioso erro que foi a versão cinematográfica de Cats, a Universal Pictures decidiu tentar uma outra adaptação de uma outra peça famosa da Broadway e apostaram numa das mais amadas, Wicked, que tem uma legião de fãs.

A história acompanha Elfhaba (Cynthia Erivo), uma bruxa verde que vai estudar na Universidade Shiz e tem que passar pelo preconceito que sofre não só dos colegas, mas também da sociedade. Na Universidade, Elfhaba conhece Glinda (Ariana Grande), uma garota mimada que ainda desconhece a sua alma bondosa e as duas desenvolvem uma grande amizade. Mas, quando as duas vão para a Cidade das Esmeraldas para se encontrar com o Mágico de Oz, elas acabam descobrindo uma terrível verdade que irá moldar o destino delas e de todos a sua volta para sempre.
Uma das coisas que mais reina no mundo e desde os tempos primórdios, é o preconceito. E a grande mensagem que a história de Wicked passa, é você provar o seu valor para o mundo, mostrando que o que vêem de defeito em você, é na verdade uma qualidade que pode lhe levar para os céus. E tudo isso, feito de forma leve, bem-humorada e com muita musica. A direção do John M. Chu, que já vinha de um outro filme musical que é Em Um Bairro de Nova York, aqui parte para um estilo de musical que a Universal já vinha utilizando desde a nova versão de Os Miseráveis, que é fazer falas em forma de canções, que um traço clássico dos musicais raiz e cenas que envolvem os bailarinos figurantes são todas grandiloqüentes e com muita pompa e circunstancia. Já o roteiro da Winnie Holzman, que é a autora da peça da Broadway, consegue trazer todo o espírito da peça para as telonas, com direito a algumas participações e ao mesmo tempo, apresenta a história para passageiros de primeira viagem e que irá dispertar o interesse para o livro e para a peça teatral que tem a sua versão brasileira que retornará para uma nova temporada em 2025.

Falando no elenco, vamos abordar primeiramente a dublagem brasileira, que tem um toque especial. Pois, pra quem não sabe, a Glinda e a Elfaba foram dubladas pelas atrizes Myra Ruiz e Fabi Bang, que dão vida as personagens na versão brasileira da peça musical. E esse detalhe do estúdio chamar um ator ou atriz que deu vida a um personagem numa versão musical de uma história clássica, como tivemos com o Edurardo Sterblitch com Os Fantasmas Ainda se Divertem, valoriza ainda mais o trabalho do artista brasileiro, que dá sempre o seu melhor e isso pode lhe gerar alguns frutos no futuro. Mas, como a Central do Entretenimento só viu a versão legendada, que contem a voz original das atrizes, vamos falar sobre Cynthia Erivo e Ariana Grande porque, que dupla maravilhosa! A Cynthia entrega uma Elphaba verdadeira, com muita alma e que acaba sendo um reflexo do mundo. Inclusive, o filme agrega muitas minorias no seu elenco: tem lgbt, tem cadeirante, tem pessoa obesa e tem pessoas negras, mas todas exercem o preconceito, que acaba sendo uma bela critica aos preconceituosos do mundo real e que me lembrou muito também O Clube das Mulheres de Negócios, que também segue nesse mesmo caminho.

Já a Ariana Grande, ela está divertidíssima e ela com certeza se divertiu durante as gravações. A Glinda da Ariana é extremamente caricata e muito irritante no começo e muda o seu comportamento com o andar da trama e que é uma ótima evolução da personagem. Outro ponto positivo da Glinda, é a comédia super clichêzona que emana Meninas Malvadas. E como a Ariana tem o seu gogó que o mundo inteiro conhece, isso acaba dando um plus mais charmoso á trama. A Michele Yeoh entrega uma vilã bem caricata e que aparece bem pouco, talvez ela esteja sendo guardada para a segunda parte. Já o Jonathan Bailey, que faz a sua estreia nos cinemas, nos entrega uma ótima versão live-action do Principe Encantado do Shrek e um ótimo gogó pra musica. Só alguns movimentos de dança que eu achei meio cafona, assim como o próprio personagem, que é basicamente uma cópia dos príncipes da Disney. Agora, quero ver como ele vai lidar com um filme de aventura e caça aos dinossauros.

E por fim, Jeff Goldblum entrega mais do Grão Mestre de Thor 3 na pele do Mágico de Oz, só que mais contido. Inclusive, tenho que dar mais um parabéns para a cenografia e a direção de arte, que fizeram um belíssimo campo de 9 mil flores e estruturas digníssimas e a altura da história.
No geral, Wicked: Parte 1 dá um excelente start pra essa história, tem músicas maravilhosas, fala sobre preconceito e deixa um gostinho de quero mais pra novembro de 2025.
Até que enfim a Universal aprendeu com os erros de Cats e agora fez um musical que vale a pena ser visto.
NOTA: 9,0



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