Logo que Pobres Criaturas foi lançado no Brasil, um novo filme do Yorgos Lanthimos, gravado em paralelo foi anunciado. A surpresa pegou a todos. Afinal, ninguém imaginava que o diretor grego já tivesse com uma obra prontinha em mãos e ainda mais com Emma Stone e Willem Dafoe novamente. E eis que veio, Tipos de Gentileza, um título agradável e com cara de bondoso. Mas na verdade, é um título que de bondoso, não tem nada!

Servido de forma antológica, a história do projeto é sobre mostrar o ponto de vista da gentileza de diversas formas, através de três histórias diferentes estreladas pelo mesmo elenco em diferentes personagens. Na primeira história, nós temos a gentileza submissa, que é mostrada através do personagem Robert (Jesse Plemons), um executivo que trabalha na empresa de Reymond (Willem Dafoe), um chefe controlador. Já a segunda história, é sobre a gentileza amorosa e o quão longe ela pode ir. Nela, nós temos o Daniel (Jesse Plemons), um policial que está a procura de sua esposa Liz (Emma Stone), que desapareceu. Dias depois de muita busca, ela volta, mas algo não está certo. É então que ele começa a testar até onde ela vai por amor a ele. E a terceira para completar, é a história que foi apresentada na primeira sinopse do filme, um casal de hippies (Jesse Plemons e Emma Stone), que está em busca de uma pessoa com dons especiais de cura e que pode ser o próximo líder espiritual da humanidade.

Nas duas primeiras histórias, nós somos apresentados a um outro lado do Jesse Plemons que nunca tínhamos visto. Até então, ele é um ator, que ficou conhecido mais por seus papeis de pessoas com má índole ou de caráter duvidoso. Agora, nós vemos um outro Jesse, mais banana, mais decidido e mais ousado! E o legal disso, é que ele consegue transparecer essas personalidades em pequenos trejeitos, mostrando ao Maximo seu talento como ator, o que é uma característica muito forte nos filmes do Yorgos, que é explorar ao Maximo os limites do seu elenco, principalmente desmanchar imagens fixas que o publico tem a respeito de tal ator ou atriz. Emma Stone, que acaba sendo a protagonista da terceira história, que é onde ela brilha, tem menos força nesse projeto, tendo em vista que ela deu tudo de si em Pobres Criaturas. Mas, mesmo sendo apenas estrela de uma pequena história, ela vai lá e faz o nome dela. Seja nas cenas sensuais, nas cenas dramáticas ou nas cômicas. Ah! E claro que tem o destaque para a cena da dança dela que viralizou muito no teaser do filme pro festival de Cannes.

Willem Dafoe já tinha mostrado que ele é um ator versátil. Mas depois de ter um papel sem muitas aparições em Pobres Criaturas, aqui ele brilha e tem todo o tempo do mundo para brilhar. Inclusive, me surpreendeu as cenas dele na segunda história e as referencias que ele traz á Aryton Senna e ao Norman Osborn. Todas elas na primeira história. Já o resto do elenco, está brilhantemente bem. Um outro ponto super positivo que Tipos de Gentileza traz, é a sua trilha sonora. Diferente de Pobres Criaturas, onde a trilha já era conhecida do trailer, aqui nós temos algo totalmente novo e hipinotizante. Há tempos que eu não ficava tão vidrado em uma trilha sonora que só cresce com a tensão das cenas em todas as histórias.

Indo agora para a direção do Yorgos Lanthimos, mais uma vez ele acerta e se prova um diretor dessa nova safra, que tem muito a oferecer. Mesmo nos seus projetos anteriores como O Lagosta e A Favorita, onde ele sempre tinha a libertinagem por ser histórias de época, aqui ele nos mostra que sabe utilizar toda a sua loucura nos tempos atuais. Incluindo até, alguns momentos bem agoniantes, dignos de Jogos Mortais, só que de maneira mais simples. Já na parte do roteiro, Lanthimos, em parceria com Efthimis Philippou, aborda nas entrelinhas e em todas as histórias, a violência domestica e a submissão de maneira nua e crua, como um curativo, que deve ser arrancado de imediato para se limpar a ferida. Um roteiro muito bem elaborado, que consegue criticar vários universos como o empresarial, através de uma palavra doce.

Tipos de Gentileza é um filme que fecha com chave de ouro, o ano de 2024, que começou com Pobres Criaturas e carimba o de Yorgos Lanthimos nas mentes do cinéfilos de todo o mundo. Uma palavra tão linda quanto a gentileza, pode ser igual a rapadura: doce, mas não mole. Que venha agora Tipos de Gentileza no Oscar e o próximo projeto maluco de Yorgos Lanthimos.
NOTA: 10,0


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