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Central Critica Ruas da Gloria – Com mais fogo que Heated Rivalry e Ato Noturno juntos

No audiovisual, seja ele brasileiro ou internacional, nós sempre vimos personagens que praticam e vivem da prostituição. Só que na maioria das vezes, nós só víamos mulheres. Mas e os homens? Talvez o único exemplo de Garoto de Programa que tivemos foi uma breve passagem que o personagem Leandro (Rodrigo Simas) fez na novela Fina Estampa, que mesmo sendo pouco, ainda assim era uma ousadia em 2011.

E cá estamos hoje em 2026, um ano em que a comunidade LGBTQ+ está finalmente sendo ouvida e devidamente representada, com obras que não usam do caricato e que mostram, com todos os clichês de um relacionamento hetero, como se vivem os casais gays na nossa sociedade e eis que chega, Ruas da Gloria, uma história sobre como uma paixão, pode levar uma pessoa ao fundo do poço.

Imagem/Divulgação: Íra Barillo/Retrato Filmes

O filme acompanha Gabriel (Caio Macedo), um jovem professor que acaba de se mudar de Recife para o Rio de Janeiro, mas especificamente para o bairro da Glória após a morte de seus pais e começa a lecionar em um cursinho preparatório. Até que uma noite, ele conhece Adriano (Alejandro Cleavaux), um garoto de programa uruguaio que começa a ter um breve relacionamento com Gabriel, o que é suficiente para deixar o professor cego de amores pelo seu puto gringo. Mas quando Adriano desaparece sem deixar pistas, Gabriel decide ir atrás dele para saber o que aconteceu e acaba mergulhando em mundo sensual e perigoso, o mundo da prostituição.

De inicio, quando você vê a sinopse de Ruas da Gloria, você imediatamente já é atraído pela proposta do filme, um professor que se envolve com um garoto de programa e que vai até onde for por ele. Só que quando você entra no universo sensual do filme, você não espera que ele vai vir como um tsunami avassalador e fervoroso e te envolver numa trama provocante e ardente, que foi pensada a partir de experiências vividas pelo próprio roteirista e diretor do filme, o Filipe Sholl. O roteiro consegue focar e cumprir bem a premissa que ele apresenta, e até deixa de lado alguns suportes de apresentação para focar somente no que interessa, que nesse caso, é a paixão do Gabriel pelo Adriano. Tanto é, que essa relação tóxica é tão bem construída, que pode ser comparada a uma relação entre toxinas ilícitas e seus dependentes, pois tudo começa bem quente, animado e fervido, e depois, vai descendo igual a merda indo para o esgoto.

Divulgação: Íra Barillo/Retrato Filmes

Sobre as cenas de sexo e nudez, pois sim, este é um filme para maiores de 18 anos, todas elas são muito bem coreografadas, muito bem feitas e isso é o ponto positivo da química estabelecida entre o Caio Macedo, que mergulha fundo no mundo do Gabriel, do Alejandro Cleavaux, que voltou as suas raízes estrangeiras para criar o Adriano e do trabalho da coordenação de intimidade com o diretor de fotografia Leo Bittencourt, que trouxeram um realismo para as cenas ardentes, que chega até a beirar o constrangimento de quem tá assistindo, porque são tantas cenas, que chega uma hora em que você fica agoniado e pra mim, foi isso que me fez ficar um pouco desapontado com o filme. E para fazer um bom exemplo de comparação, vamos pegar o longa Ato Noturno e a série de sucesso Heated Rivalry (Rivalidade Ardente), que também tem cenas de sexo intensas e muito bem coreografadas e vamos coloca-los lado a lado com Ruas da Gloria.

O que para mim faz com que o filme de Felipe Matzembacher e Marcio Reolon e a série do Jacob Tierney sejam melhores no quesito das cenas de sexo, é que eles sabem encontrar um equilíbrio na quantidade de cenas, enquanto Ruas da Gloria exagera demais e quando você vê, que a relação entre o Gabriel e o Adriano está indo para um rumo ruim, a maneira como você enxerga o sexo entre eles depois disso, é quase como desapontamento. Mas isso estraga a experiência, longe disso, é necessário que essa intensidade toda de sexo, cause isso no publico, para mostrar que não é porque a pessoa é o rei da fodelância, que ela é boa de caráter e isso, o Alejandro consegue passar muito bem, fora todo o estudo que ele fez sobre o mundo da prostituição masculina ao lado do Felipe e do Caio, que também é outro que arrasa aqui como Gabriel e entrega uma peformance envolvente e provocante. Quem também se destaca aqui é a Diva Menner, que faz a dona da boate e que acolhe o Gabriel desde o primeiro encontro. E tanto ela, quanto os outros personagens, estão aqui para ser o suporte para o Gabriel tentar sair dessa relação, o que acaba sendo o espelho de muitas relações tóxicas aqui no mundo real, sejam elas hetero ou homoafetivas.

Divulgação: Íra Barillo/Retrato Filmes

Ruas da Gloria fecha esse primeiro semestre quentíssimo de 2026, com uma história ousada sobre relação tóxica e sobre como o apoio da família, seja ela biológica ou adotiva, ela é extremamente importante na vida de uma pessoa e com atuações poderosas, dignas do Troféu Redentor e do Prêmio Felix que o filme recebeu no Festival do Rio do ano passado.

NOTA

Divulgação: Retrato Filmes

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