Em 2010, o Facebook já existia, já era um sucesso e estava quase perto de chegar ao seu auge com a chegada do Instagram e dos memes. Foi nesse ano que surgiu A Rede Social, longa de David Fincher que contava a história do Mark Zuckerberg e e criação do Facebook. Agora, mais de 12 anos depois e com a empresa no patamar em que está, chega O Outro Lado das Redes, filme de Aaron Sorkin, que se no primeiro filme ficava apenas no roteiro, agora vem escrevendo e dirigindo a produção.
O longa acompanha a estagiária do Facebook Francis Hagonen (Mickey Madison), que decide vazar para o jornalista do The Wall Street Journal Jeff Horowitz (Jeremy Allan White), vários segredos sujos do Facebook com relação a divulgação de notícias falsas no meio politico e ao tempo de uso das telas. Enquanto isso, Mark Zuckerberg (Jeremy Strong) acompanha e reage a tudo o que está acontecendo.

Quando foi anunciado que seria uma continuação de A Rede Social, que foi um grande sucesso, com direito a três vitórias das 08 indicações no Oscar 2011 nas categorias de Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Roteiro e Melhor Montagem, era de se esperar que O Outro Lado das Redes continuasse a história do Facebook através dos olhos do Zuckerberg ao longo desses 10 anos. Mas o filme vai para um outro caminho, Sorkin mira diretamente nos temas que estão sendo debatidos atualmente, que são o tempo de tela ao qual estamos submetidos e o fluxo de informação verdadeira ou falsa, que era liberado a rodo pelo Zuckerberg dentro da Meta (antiga Facebook). Tudo isso baseado no caso de denuncia que a Francis Hagonen fez na vida real contra o Facebook no começo da pandemia de Covid.
Além disso, o filme também aborda a maneira como a Meta enxergava a liberdade de expressão nas suas plataformas e como ela lidava com as pessoas que tem condições de saúde mental, manipulando tudo através do Algoritimo, o que é uma grande “denuncia” feita em uma produção muito bem feita e necessária. A direção do Aaron Sorkin não é nada inovadora, mas ele sabe conectar muito bem as pontas no seu roteiro, que ele divide em capítulos, sendo o primeiro deles, um prologo, que se amarra no ultimo capitulo que é o terceiro ato do filme.

Sobre o elenco, vamos falar sobre Billy Mangussen, que aqui é o único do elenco de apoio que se destaca no seu papel de vilania, na pele do “gerente” da Meta, que meio que ficava resolvendo os assuntos de crise, deixando o Zuckerberg não sabendo de nada. Por fim, vamos falar do trio protagonista desta história: Jeremy Allan White, Mikey Madison e Jeremy Strong. Começando pelo jornalista, até porque quem vos escreve é um jornalista. E o Jeremy Allan White entrega um bom Jeff Horowitz, que é um grande contra fluxo da humanidade, ao ser uma das pessoas que não usa rede sociais. Fora isso, o Jeremy Allan imprime um jornalista clássico, que utiliza um bloquinho de notas para pegar as aspas mais importantes de suas fontes. Já a ladra de Oscars novata Mikey Madison, constrói uma personagem que vive sempre com medo de ser presa a age como se fosse o Mestre dos Magos da Caverna do Dragão. E por fim, o Jeremy Strong, que pegou a responsa pra sí depois da desistência de Jesse Eisenberg e ele constrói um Zuckerberg que parece aleio ao mundo real num primeiro momento, mas que continua sendo um homem que só quer enriquecer a todo custo, quase parecendo um Roy de peruca.
O Outro Lado das Redes é um filme que vem a tempo para conscientizar sobre quanto tempo passamos nas redes, sem imaginar o que a empresa que controla tudo pensa e age. Um filme necessário que embora não seja maravilhoso, ainda assim é necessário.
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