A imigração é um tema muito recorrente nos Estados Unidos. Agora com o governo Trump, vários imigrantes estão tendo que voltar ao seu país de origem e muitas vezes, por causa de sua situação ilegal. Mas, se tem uma coisa que os americanos não sabem, é que sem os imigrantes, nada do que existe hoje nos Estados Unidos aconteceria sem eles.
O Brutalista vem para mostrar justamente isso, a função que os imigrantes tinham na industria americana. O filme é baseado na história de Lászlo (Adrien Brody), um arquiteto hungaro-judeu que foge do holocausto para tentar a vida na América e ter dinheiro para reunir sua família.

Com longas 3h45min de duração, Brady Corbet consegue mostrar com delicadeza e com uma riqueza de detalhes, como era vida de uma pessoa imigrante nos Estados Unidos no final dos anos 50, onde dependendo do currículo, ela poderia subir na vida. Mas como sempre, o preconceito vem a espreita e é nítido o sofrimento e a injustiça que os imigrantes sofrem. E um belo exemplo que podemos tomar, é o de Aryton Senna, que precisou se provar para superar o preconceito dos Europeus por ele ser brasileiro. E se pararmos para pensar, a boa reação dos americanos com tudo que vem de fora, mas que depois descartam, é uma critica que o filme faz e que até bate de frente com Ainda Estou Aqui, que é o grande concorrente de O Brutalista na categoria de Melhor Filme.
Outro ponto positivo de O Brutalista, são as diversas imagens e closes não só de estradas, já que o Brady gosta muito de dirigir, quanto também de diversas obras arquitetônicas espalhadas pelo mundo, o que pode significar que muitos dos arquitetos, podem ter passado por um caminho parecido com o do protagonista para terem suas obras reconhecidas mundialmente, coisa que acontece no epílogo do filme.

O roteiro escrito por Brady e por sua esposa, a Mona Fastvold, teve a liberdade necessária para colocar tudo o que ele queria da história de vida de Lászlo na tela. Liberdade essa que fez ele colocar até um intervalo de 15 minutos no meio do filme, transformando-o em uma peça de teatro épica. Na primeira parte, nós vemos a chegada do protagonista aos Estados Unidos, seu sofrimento e suas vitórias. Já na segunda parte, quando o protagonista tem tudo em suas mãos, vemos alguns de seus medos e principalmente, seu afogamento na própria ambição causada por sua grande obra.
E detalhe, aqui, ninguém é esquecido e todos tem o seu tempo de brilhar em cena. O elenco como um todo é brilhante e cada um a seu tempo. A começar pelo nosso protagonista. Não tem pra ninguém, o Adrien Brody, que já tem um Oscar e um beijo da Halle Barry na conta,é cativante desde o primeiro segundo! Sua longa preparação para adquirir um sotaque húngaro americano é irretocável e seu jogo de cena para expressar todas as emoções do seu personagem, leva o telespectador a acompanhar cada segundo dessa sua jornada interna. Fora que, o Adrien Brody demonstrou que ele é que nem vinho, a cada ano que passa, ele vai envelhecendo bem e tem um mel que encanta a todos, incluindo o Guy Pearce, que agora que foi mencionado, também terá o seu espaço aqui. Despido de qualquer maquiagem, Guy entrega um personagem com muitas camadas a serem decifradas. De inicio, ele demonstra ser apenas um rico empresário. Mas quando o filme vai avançando, ele vai demonstrando que é muito mais do que isso e passa uma certa dualidade.

Já a Felicity Jones, que só aparece na segunda parte do filme, entrega uma grande evolução desde Rogue One. E, assim como o Adrian, ela também mostra que também fez um grande intensivão de húngaro, só que o dela não é tão elaborado como o do protagonista e quando ela precisa tomar a frente da situação, ela faz sem temor. No fim, O Brutalista é uma grande odisséia arquitetônica de quase 4 horas, que mostra que devemos ter gratidão pelos imigrantes estrangeiros.
Agora, se ele tem chances de roubar o Oscar de Melhor Filme de Ainda Estou Aqui, aí já são outros quinhentos.
NOTA: 10,0

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