O cinema brasileiro é cercado de grandes clássicos como Central do Brasil, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Que Que é Isso Companheiro e Ainda Estou Aqui. Mas se tem um filme que é unanimidade na cabeça de todos os brasileiros, é O Auto da Compadecida. Adaptado do livro de mesmo nome escrito pelo poeta Ariano Suassuna, o que tinha começado como minissérie na TV Globo, virou filme e é um sucesso eterno.
20 anos depois, o brasileiro retorna para esse universo rico e bem no clima natalino em O Auto da Compadecida 2. João Grilo (Matheus Naschtergaele) e Chicó (Selton Mello) se reencontram depois de anos sem se verem e bem na época em que está acontecendo a eleição para prefeito na cidade de Taperoá. Como Chicó transformou seu amigo em uma lenda viva por causa de sua ressurreição e de seu encontro com Nossa Senhora, João Grilo decide se aproveitar disso e dos candidatos políticos da cidade, o coronel Hernandes (Humberto Martins) e o radialista Arlindo (Eduardo Sterblitch), para se dar bem na vida.

Citado como uma história original e que se baseia no que aconteceu no primeiro filme, O Auto da Compadecida 2 cumpre muito bem esse quesito e nos apresenta um causo de reencontro entre velhos amigos que honra O Auto da Compadecida e que segue muito bem a linha narrativa do filme original, mesmo que isso vá deixar quem é mais fã asisudo bem chateado. Outro ponto positivo do roteiro, é que ele consegue estabelecer uma ponte segura entre os dois filmes e consegue colocar várias piadas boas, embora muitas delas seja para arrancar um sorriso de canto de boca. A direção do Guel Arraes e da Flávia Lacerda aposta bastante no formato teatral, que é uma das formulas de sucesso quando se faz um filme de comédia no nordeste e em muitas gírias e encenações para homenagear o filme original. Mas também, a dupla consegue fazer dos flashbacks, que são as histórias do Chicó, de uma forma que essas cenas são uma das melhores coisas do longa.

A direção de fotografia do Gustavo Hadba, que fez o belíssimo trabalho futurista em Grande Sertão, aqui usa e abusa das cores e num tom bem quente, que é para retratar não só a alegria, como também a secura do sertão nordestino, mesmo que ele seja feito todo em estúdio. Uma coisa que também me desagradou muito, foi a questão do tempo em que a história se passa. Se o universo de O Auto da Compadecida se passa entre os anos 50 e 60, que é onde tem os carros de praça, o figurinos exuberantes e as rádios, colocar uma sequencia num cinema que tem cadeiras modernas e que fogem do período em que a história se passa.
E chegando agora ao melhor e mais divinico ponto desse filme, é o seu elenco, que manda uma atuação abençoada por Ariano e por Nossa Senhora. A química entre o trio João Grilo, Chicó e Rosinha (Virginia Cavendish) é maravilhosa, embora a aparição da Rosinha tenha demorado até mais do que devia para aparecer. Enrique Diaz também manda muito bem novamente como o ex-cangaceiro Joaquim, mesmo que em alguns momentos, ele solte um pouco da voz do Timbó de Mar do Sertão e que esteve agora a pouco em No Rancho Fundo.

Eduardo Sterblitch nos entrega um belo trambiqueiro nordestino e que tem uma bela química com a Fabíola Nascimento, que entrega uma linda atuação e que lembra bastante a Rosinha do primeiro filme. Agora, quem é o verdadeiro destaque aqui de O Auto da Compadecida 2, é o Matheus Naschtergaele. O ator abraçou com muito carinho esse projeto e mostra que consegue ir mais além quando chega a hora do julgamento do seu personagem e que é quando ele tem novamente, o seu encontro com Nossa Senhora, que agora, veste a pele e o manto de Taís Araújo, que manda muito bem e que traz uma sensação de nostalgia ao retomar a sua parceria com o Matheus. Pra quem não sabe, os dois atores já contracenaram juntos em Da Cor do Pecado.
E como O Auto da Compadecida 2 é um projeto de reencontros, ver o Humberto Martins em cena, que por acaso honra muito bem o papel que era do Paulo Goulart, atuando novamente ao lado do Selton Mello e não se lembrar de A Nova Onda do Imperador, foi mais um quentinho que O Auto 2 deu no meu coração.

O Auto da Compadecida 2 é um dos meus filmes favoritos do ano e é um belíssimo presente de natal para fechar 2024 com chave de ouro. É um filme para você rir e se emocionar mais uma vez com o universo de Ariano Suassuna.
NOTA: 9,5
Sabemos que O Auto da Compadecida 2 irá enfrentar dois inimigos poderosos nos cinemas, que são o Sonic 3 e o Nosferatu. Mas, como a força do povo é a força de deus, o cinema brasileiro irá triunfar mais uma vez.


E você, concorda ou discorda dessa crítica? Comenta aqui embaixo com a #CentralCritica e veja a critica em vídeo completa no canal do Youtube e acompanhe a Central do Entretenimento também nas redes sociais.





