Eu juro para vocês, que eu me orgulho muito de estar vivo para ver a história sendo feita e ainda mais como um pernambucano nascido e criado em Recife, cidade que eu tanto amo de paixão e que sempre me espera com acolhimento e carinho. Mas não foi pra falar sobre minha relação com Recife, que venho a escrever esta critica. Eu venho aqui, para falar sobre o sucessor de Ainda Estou Aqui e que pode trazer quem sabe, muito mais do que só um Oscar para o Brasil! Trata-se de O Agente Secreto, novo filme do diretor e roteirista pernambucano Kleber Mendonça Filho, que já tinha estourado com Bacurau, O Som ao Redor, Aquarius e Retratos Fantasmas. Só que agora, Kleber retorna com um filme que se passa na ditadura militar, só que nos anos finais do regime autoritário e fala sobre espionagem e reencontro com o passado.
O longa conta a história de Marcelo (Wagner Moura), um professor de tecnologia que foge do regime militar para Recife, onde decide se aproximar do seu filho, com quem não tem contato há anos. Só que os problemas também mudam de endereço e Marcelo precisa fugir da vigília do regime, enquanto se reaproxima do seu filho.

Depois do sucesso que foi Ainda Estou Aqui, o cinema brasileiro finalmente tinha conseguido quebrar a barreira do preconceito e teve os olhos do mundo virados para suas produções. E quando menos esperávamos, boom, veio O Ultimo Azul e O Agente Secreto, que desponta como favorito e sucessor de Ainda Estou Aqui na corrida do Oscar 2026. O filme foi todo desenvolvido pelo Kleber Mendonça Filho, que depois de Aquarius, Bacurau, O Som ao Redor e Retratos Fantasmas, que aqui, construiu meio que uma espécie de espelho do filme de Walter Salles, pois O Agente Secreto é um espelho inteiro de Ainda Estou Aqui, onde um mostra a dor da vítima e o outro, mostra o lado do agressor, claro que nunca tirando o foco da vítima. Por ser uma pessoa que viveu os anos 70 intensamente no Recife, Kleber transporta o publico para um Brasil que já não se vê mais e isso desde o primeiro segundo de filme. E como essa é uma história que leva um pouco de suspense, tem momentos que a direção e o roteiro conseguem lhe prender na ponta da cadeira. Inclusive tem uma sequencia de carnaval de rua, onde a música alegre reina, só que você não fica feliz, pois quem reina de verdade é o suspense da perseguição.
Outro destaque que o roteiro traz, são as referencias ao mundo do cinema, que é uma coisa que a Academia que organiza o Oscar, adora! Então, se você é fã de cinema clássico, você vai ver muita referencia escondida e na sua cara de Tubarão e A Profecia, que são filmes que bombaram no final dos anos 70 no Brasil, como também grandes clássicos do cinema nacional, como Bye Bye Brasil e os filmes dos Trapalhões. Além disso, tem também o Cine São Luiz, que é um personagem central na história e lá, vemos ele em pleno funcionamento, só que na época em que ainda se usava as maquinas de projetores e grandes rolos de filme em fita frame a frame. Outra coisa que também é bem feita em O Agente Secreto, é o uso pontual dos efeitos visuais, que são usados em dois momentos, sendo um deles, de Stop Motion, onde se cria um clima de filme de terror digno de Tim Burton. E o belo uso dos efeitos práticos, trazem todo aquele ambiente de um filme digno dos anos 70, onde os tiros eram explosivos.

Agora, se tem um momento que me perdeu do filme completamente, foi o corte abrupto que acontece no terceiro ato. Isso porque, o filme nos mergulhou em um universo coeso e que existe naquele momento. E durante a história, tem uns cortes de transição que são bem feitos. Mas como o tempo do filme tava chegando no final e Kleber precisva finalizar logo para levar o longa para Cannes, esse corte ficou muito evidente. Todo o ato final não é ruim, ele até traz um pouco de esperança e isso é bom para fechar o arco principal da história e mostrar que todos nós que sobrevivemos aos maiores horrores da vida, nós temos que andar pra frente e construir um futuro melhor. É basicamente o plot de A Grande Viagem da sua Vida.
Sobre o elenco, não tem muito que se falar, Wagner Moura está incrível como Marcelo, ele consegue incorporar muito bem a postura de um Agente Secreto, ao mesmo tempo em que ele consegue mostrar pro publico, todo o desconforto e medo que ele está sentindo por causa da perseguição. E se ele vai para o Oscar, não tenha a menor duvida. Já Gabriel Leone faz apenas uma leve participação que agrega até certo ponto, assim como Maria Fernanda Cândido, Tomás Aquino e João Vitor Silva. Agora, se tem uma atriz que imprime carisma e que foi o grande destaque do filme, essa alguém é Tânia Maria, que faz uma Dona Sebastiana de deixar a alma de qualquer um leve com o seu jeito de ser. Todo o elenco teve uma grande sintonia durante as gravações e isso fica latente nas cenas do filme.

O Agente Secreto é um belo reflexo/complemento de Ainda Estou Aqui em tom de fábula, que mostra que mesmo nos tempos de frevo, a ditadura é um período que ninguém quer mais que volte, mesmo que ainda assim no nosso Brasil, ainda tem gente que acredite e adore esse lado podre da história do Brasil.


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