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Central Critica no Festival do Rio: Filhos do Mangue – Um retrato perfeito dos pescadores nordestinos, cobertos pela lama do crime

Premiado no Festival de Gramado nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor direção, o Festival do Rio traz uma história sobre segunda chance, sobre um lado do nordeste que é sempre rejeitado até pra quem mora na região e uma reflexão sobre comportamentos antiquados e que hoje são considerados criminosos. Filhos do Mangue é dirigido por Eliane Caffé, que também escreveo roteiro ao lado de Luis Alberto Abreu e adapta o conto O Capitão do escritor Sergio Prado. A história acompanha Pedro Pão (Felipe Camargo), um homem que é encontrado sem memória por sua comunidade ribeirinha, que o acusa de roubar uma quantia em dinheiro. Enquanto se vira como pode, Pedro se espelha na comunidade para poder se lembrar do que fez e aproveita essa oportunidade para viver uma nova chance.

Divulgação: Pé na Estrada Filmes

Em primeiro lugar, o filme traz uma grande inovação de misturar atores profissionais e não-atores nas belas paisagens do litoral interiorano do Rio Grande do Norte, para dar voz aos pescadores de mangue, que são os responsáveis por mandar os caranguejos e ostras para as grandes empresas e restaurantes. Além disso, o longa tem a sensibilidade de mostrar como vivem essas pessoas, como elas se divertem e também os problemas que elas enfrentam todos os dias. O roteiro e a direção primorosa e premiada da Eliane, mergulham fundo na sensibilidade e no humor da região, utilizando-se de imagens em primeiro plano e da natureza da região, que é um grande personagem a parte, para causar várias reflexões através dos temas tratados, chegando até a colocar uma situação na sua frente e dizer ‘OLHA O QUE VOCÊ FAZIA. VAI CONTINUAR ASSIM?’.

Divulgação: Pé na Estrada Filmes

Sobre o elenco, tenho que dar os parabéns para Titina Medeiros, que mostra um outro lado seu fora da comédia e mostra um grande potencial em papeis dramáticos, e para a Genilda Maria, que traz um ar mágico para história e um visual de cabelo muito parecido com a avó da Moana. Sua voz doce e sua firmeza em acreditar na segunda chance, é algo lindo e merecedor do Quiquito de Ouro que ela levou em Gramado. Tanto é, que eu quase dormi nas cenas em que ela canta. Outro ponto positivo de Filhos do Mangue, é a sua fotografia, que realça as belezas do nordeste e principalmente dos mangues e a sua parte sonora, que só tem sucessos do nordeste, como Chico Sciense e sons instrumentais marcantes, o que me lembrou um pouco a trilha apoteótica de Tipos de Gentileza.

Divulgação: Pé na Estrada Filmes

No fim, Filhos do Mangue retrata o nordeste que não vemos, ao mesmo tempo em que trata de temas comuns na nossa sociedade, chegando mais próximo de Barbie.

NOTA: 10,0

Divulgação: Pé na Estrada Filmes

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