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Central Critica Megalópolis – Uma lenda que assim como as estatuas e os monumentos de Roma, mostra como a humanidade está e o que pode melhorar

Um dos maiores eventos do ano e da história cinematográfica finalmente chegou. Megalópolis marca a volta do cineasta Francis Ford Coppola aos holofotes depois de 13 anos de inatividade. O filme conta a disputa entre César (Adam Driver) e Frank (Giancarlo Esposito) pelo controle da cidade de Nova Roma. De um lado, tem o prefeito, que é odiado pelo povo e que quer manter tudo como está para continuar com seus esquemas. Já César, planeja construir uma cidade utópica e sustentável para atrair mais pessoas.

Antes de falar o que achei do filme, é melhor relembrar como aconteceu toda essa história que antes era uma lenda, que agora virou realidade. Megalópolis começou a ser desenvolvida pelo Coppola quando a ultima parte de Poderoso Chefão estava sendo desenvolvida. A história se passaria em Nova York mas, os atentados do 11 de setembro, fizeram a produção ser paralisada. Durante esse tempo, Coppola começou a focar mais na sua história e a viajar por diversos lugares do mundo para ter inspirações para colocar no roteiro. Inclusive, uma desses destinos, foi a cidade de Curitiba. Só que, anos depois, Coppola não encontrava ninguém que quisesse investir em Megalopolis.

Determinado a ver seu bebê nascer, o diretor e roteirista recorreu a uma pratica que ele fez na época de Apocalipse Now, vendeu parte de seu império de vinícolas para custear o filme e enfim, depois das filmagens e pós-produção, o filme foi exibido em Cannes em maio de 2024 e saiu de lá com a distribuição da Lionsgate nos Estados Unidos e no mundo todo, enquanto no Brasil, a O2 Play Filmes cuidou da distribuição.

Imagem: Lionsgate/O2 Play Filmes

O filme se passa em Nova Roma e conta a rivalidade entre um arquiteto bem sucedido que quer transformar a cidade em uma utopia sustentável e o prefeito da cidade, que quer tudo exatamente como está e se reeleger para poder continuar seus esquemas de corrupção. No meio disso tudo, ainda tem duas pessoas ambiciosas por dinheiro que não querem nenhuma dessas duas visões de mundo. Em primeiro lugar, tenho que dizer que é uma honra está vivo para ver um novo filme desse cineasta lendário que é o Coppola. Com um roteiro que durou mais de 40 anos para ser desenvolvido e uma lenda que se gerou em volta desse filme, Megalópolis é uma grande epopéia que fala de muitos assuntos que hoje em dia afligem nossa sociedade. Com seu olhar visionário, Coppola fala sobre política, poder, educação, família e Estados Unidos, tudo isso em várias esquetes que montam a história dessa Fábula moderna e com diálogos que não são para todos, o que talvez possa afugentar o publico que não é tão cinéfilo assim.

Assim como um bom prato de um restaurante cinco estrelas, Megalópolis também acerta e muito no seu visual. Toda a parte estética do filme é perfeita e sem defeitos. E como o próprio titulo do filme diz, tudo aqui é grandioso e muito direcionado sobre o que é a humanidade hoje em dia: gananciosa e preocupada apenas no seu status. Ou seja, enquanto uns só querem enriquecer as custas do populismo. Outros são afundados em suas próprias convicções e não se abrem para poder ver outras visões de mundo, que são mais progressistas e preocupadas com o futuro, que é a mensagem de esperança que o filme deixa no final, mostrando que um futuro melhor pode sim ser construído pela humanidade, basta para de usar a violência e se abrir para um dialogo, para que só assim, as futuras gerações vivam em um mundo com mais tolerância, papo aberto e respeito, que é o que hoje nós não temos.

Imagem: Lionsgate/American Zoetrope

Então por isso que Megalópolis não é um filme fácil de ser digerido. Ele precisa ser apreciado várias vezes, como um bom vinho. Sentir cada um dos seus temas, refletir bastante pra só então poder dizer se o aceita ou não. Sobre o elenco, todos eles mandam muito bem. Além do mais, ser comandado por uma lenda viva do cinema como o Coppola, é sinal de uma entrega artística sem igual. E embora o filme sofra algumas pedradas por conter atores cancelados pelo publico, como o Jon Voight ou o Shia LaBeouf, eu senti que alguns atores foram escalados para papeis menores ou com uma relevância muito inferior, como foi o caso do Jason Schwartzman, que aparece muito pouco e da Aubrey Plaza, que aqui cumpre o seu papel de mulher sedutora e ambiciosa, uma coisa bem inferior pra quem fez a Morte em Agatha Desde Sempre.

Agora, indo para o Shia Labouf, foi bom voltar a ver ele atuando, para comprovar que aqui, ele trouxe tudo o que ele fez ao longo de sua carreira: explosão, nudez e muita loucuragem. Além do mais, ele imprimiu muito bem, grande maioria dos lideres mundiais que temos hoje em dia, o que pode causar um pouco de incomodo em que segue essa linha de pensamento. Outro membro do elenco que também me conquistou muito nesse filme, foi a estreante em longas, Nathalie Emmanuel, que até então só tinha aparecido em Game of Thrones. Com pouco tempo de tela, ela mostra a dubialidade e a determinação da sua personagem, que no começo não sabe em quem acreditar e vai atrás de provas para poder formar a sua opinião sobre os dois rivais principais da história, o César (Adam Driver) e o seu pai Frank (Giancarlo Esposito).

Megalópolis é um filme delicioso de se acompanhar e ao sair da sessão, ele vai deixar a sua marca, para o bem ou para o mal. Mas no final das contas, o que fica, é uma reflexão sobre o futuro da humanidade, que se depender como o próprio Coppola mencionou em diversas entrevistas, é olhar para o filme daqui a 50 anos e ver que ele realmente falou sobre coisas que eram necessárias e que o papel da arte audiovisual mais uma vez se cumpre, meter o dedo na ferida e gerar debates entre as pessoas.

NOTA: 9,0

Divulgação: O2 Play Filmes/An American Zoetrope/Lionsgate
Divulgação: Lionsgate/American Zoetrope/O2 Play Filmes

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