Central do Entretenimento

Central Critica Lilo & Stitch – Disney finalmente encontra o equilíbrio na produção dos live-actions com sua propriedade mais valiosa

Quando foi anunciado, muita gente ficou com o pé atrás com o live-action de Lilo & Stitch, afinal de contas, o desenho lançado em 2002, ganhou todo um universo próprio e hoje tem uma legião de fãs que é focada especialmente no alienígena azul de personalidade própria e que traz muito dinheiro para os cofres do estúdio com produtos licenciados. E como a Disney vem passeando de montanha russa com os live-actions de seus filmes clássicos e acabou caindo vertiginosamente com Branca de Neve, ela resolveu apostar todas as suas fichas no Stitch, mesmo já sabendo que poderia receber muitas pedras. E assim nasceu, a  versão de 2025 de Lilo & Stitch.

Divulgação: Disney Studios

O filme conta a história da garotinha Lilo (Maia Kealoha), que vive com sua irmã Nani (Sydney Elizebeth Agudong) no Havaí, só que ela leva uma vida muito solitária e está quase perto de ser afastada de sua irmã pelo conselho tutelar por falta de boas condições de vida e também porque a relação das duas não vai muito bem depois da morte dos pais delas. Até que um dia, a vida dessa família muda com a chegada do Stitch (Chris Sanders), um experimento alienígena criado pelo Jumba (Zach Galifianakis) para destruição e que acaba parando na Terra depois de fugir de ser preso. Temendo ser capturado pelo seu criador, que está a sua procura a mando da Federação Galática, Stitch se disfarça de cachorro e passa a morar com Lilo e a usa-la como escudo para se proteger do Jumba. Só que o que era um plano simples, acaba se transformando em uma linda amizade, onde Stitch vai aprender o verdadeiro significado de Ohana.

Divulgação: Disney Studios

Como eu fui uma criança que cresceu vendo os clássicos da Disney e sou um grande perito em Lilo & Stitch, principalmente um Stitchlover das antigas, assim como grande parte dos milleniaums que cresceram e hoje estão na faixa dos 30 anos, eu posso dizer com firmeza, que eu era do time das pessoas que estavam com medo do que a Disney poderia fazer com o Stitch, que é uma das franquias mais lucrativas e que domina as prateleiras de qualquer segmento, seja ele pelúcia, cama, mesa, banho e até cozinha. E eu posso afirmar, com todo o direito e bagagem que me é concedido, que a dona Disney acertou em cheio com esse live-action e não foi só na parte do roteiro não, foi em cada detalhe e o melhor, deixando as coisas correrem no seu tempo, como foi o caso da própria campanha de marketing do filme, que no começo, evitou mostrar bastante coisa, justamente porque a equipe do longa estava trabalhando duro e evitando vazar qualquer detalhe para não prejudicar esse cristal precioso.

Divulgação: Disney Studios

Se fomos pegar todos os live-actions da Disney até então, sempre vai ter um que vai seguir fielmente a obra original, fazendo um copia e cola e inserindo poucas alterações. Ou, seguir a linha narrativa do que já existe, só que mudando muita coisa e deixando o que é essencial de fora. Mas no caso do roteiro de Lilo & Stitch, a história é completamente diferente e parece que finalmente, a Disney entendeu qual é a formula certa para se fazer um bom live-action e que tinha dado tão certo em Aladdin (2018), uma história que consegue agradar o publico das antigas e o público mais novo, que vai conhecer a história agora. Isso porque, o roteiro escrito pela dupla Mike Van Waes e Chris Kekaniokalani Bright, respeita a obra original, refazendo cenas icônicas da animação, faz mudanças significativas, como a exclusão de alguns personagens e a mudança de personalidade de outros e ainda traz coisa nova e que acaba encorpando e explanando ainda mais a obra original, como é o caso da Nani, que sai do posto de coadjuvante e é alçada para protagonista da história, embora seja a sua irmã quem deveria assumir esse posto. Além disso, o filme sai um pouco da parte da adoção, que continua sendo o tema central da história, só que agora, ele divide espaço com a luta pela aceitação da sua personalidade, a superação de traumas e principalmente, o encontro vocacional, que são temas que a Disney vem trabalhando em todas as suas obras e que estará novamente presente em Elio, próximo longa do estúdio que estreia em junho.

Outro ponto bom do roteiro, é que ele se aprofunda mais no coneito de Ohana, que enquanto no mundo real, significa que toda a comunidade é uma grande família, incluindo seus amigos e vizinhos, no mundo do filme, ele significa nunca deixar ninguém para trás, mesmo aqueles que não tem laços de sangue. E isso fica claro na relação da dupla protagonista e principalmente, na relação da Nani com a Lilo, que assim como na animação, continua desgastada por causa da morte dos pais das duas. Sobre as novidades e mudanças apresentadas, o filme consegue dividir muito bem alguns personagens, que na animação tinham três funções, mas agora, tem um personagem para cada função. Fora que, a adição da vizinha da Nani e da Lilo, e que a principio é tia do David (Kaipo Dudoit), era o que faltava para deixar a história mais interessante.

Divulgação: Disney Studios

Sobre os efeitos visuais, que foram trabalhados a sete chaves desde o início da produção do filme lá em 2019 e que tiveram um aprimoramento durante a pandemia, estão SENSACIONAIS! O Stitch em si está a coisa mais fofa que você vai ver na sua vida. E a mudança de personalidade dele, onde sai a violência e entra o infantilismo misturado com a fofura sem igual dele, só deixa o personagem muito mais legal do que ele já era em 2002. Sobre os alienígenas, que era um dos grandes medos dos fãs, os efeitos também ficaram bons, especialmente na Grande Conselheira (Hannah Waddingham), no Jumba e no Pickley (Billy Mangussen), que aqui, adotam um aspecto mais de criaturas marinhas misturadas com o corpo dos caramujos. Só que esse ponto postivo, toma certos ares de negativo, justamente pelo fato da Disney querer esconder os aliens e não ter que aumentar o custo do filme que a essa altura, já estava atingindo o teto dos US$ 100 milhões.

Falando agora sobre a direção do Dean Fleisher Camp, que aqui faz a sua estreia em longas metragens, ele faz um trabalho competente, com a benção do Dean DeBlois e com a consultoria do Chris Sanders, que foi co-diretor na animação original. Espero ver um pouco mais do estilo dele, sem amarras, sem consultoria. Mas por enquanto, ele fez um ótimo trabalho.

Divulgação: Disney Studios

Sobre o elenco, todos estão 10 de 10, com destaque para a Maia Kealoha e Sydney Elizebeth Agudong, que demonstram uma química maravilhosa como irmãs, principalmente a Maia, que consegue trazer uma sagacidade para a Lilo, que demonstra ser bem mais do que uma simples garotinha. Outra dupla que também se destaca, é o Jumba e o Pickley na pele do Zach Galifianakis e do Billy Mangussen, que trazem um humor maravilhoso, principalmente o Billy, que no Aladdin teve um papel muito esquecível e aqui tem mais tempo de tela. Agora, o único ponto que me tirou um pouco do filme, foi lá pro final, onde o tom dramático tem uma mudada e logo já corta para o humor, uma coisa que na animação é mais trabalhado.

No geral, essa nova versão de Lilo & Stitch, traz de um tudo e mais um pouco do universo do personagem mais famoso da Disney, aborda temas sérios e importantíssimos para a sociedade, assim como foi na animação original e finalmente consegue achara o eixo certo na mescla entre refazer coisa do passado e trazer coisa nova. Um achado e um dos melhores filmes de 2025.

NOTA: 9,0

Divulgação: Disney Studios
Divulgação: Disney Studios

E vocês, concordam ou não com essa critica? Comentam aqui embaixo e acompanhem a Central do Entretenimento também no Youtube e nas redes sociais.

Compartilhe:

CENTRAL DO ENTRETENDIMENTO

Postagens Relacionadas