Dizem que Deus é o grande salvador e que a fé cura tudo. Mas um homem mostrou que as vezes, só a fé não basta e que existem muitos homens que abusam dos outros em beneficio próprio. Essa foi a história de Justino Magalhães, um homem comum da periferia que virou pastor de um conglomerado de igrejas e descobriu da pior forma possível, o lado obscuro da religião. Esse relato de transformação virou livro e agora filme com Justino: Nos Bastidores do Reino, longa de José Eduardo Belmonte e estrelado por Christian Malheiros na pele de um homem que vira pastor e depois quebra a cara com o passar do tempo, ao testemunhar que as pessoas que ele seguia, na verdade não estão nem aí pra ele.
O Brasil é marcado pela sua diversidade religiosa e que duramente, vem sendo diminuída por causa do preconceito de uma religião contra a outra. Isso, é apenas um dos pontos apresentados pelo roteiro de Justino, que além de falar disso, também faz duras criticas ao método de lucro da igreja evangélica extremista, que ridiculariza a igreja católica e a religião afro-brasileira e ainda se utiliza de vários artifícios de manipulação para lucrar em cima da fé alheia, que é feito em alcance global e que pode incomodar bastante gente. Além disso, há também questões da comunidade LGBT que são abordadas aqui, que ajudam a enriquecer a história conturbada do Justino, que fez literalmente, um bate e volta entre o céu e o inferno para poder se encontrar como pessoa. E falando agora um pouquinho para os jovens, o roteiro também faz um ótimo paralelo entre a igreja evangélica e as redes sociais, onde ambos acumulam milhões de seguidores e sempre com foco em algo ou alguém para acreditar.

A direção do Belmonte, usa e abusa de referencias de filmes dos anos 80 e 90, principalmente quando ele insere efeitos de imagem de falso documentário e quando ele situa a história em Nova York e muito disso, vem também da direção de fotografia da Leslie Monteiro, que só deixa essa história mais enriquecedora. Sobre o elenco, o Christian Malheiros está de um impacto SENSACIONAL, a construção que ele faz como Justino é gratificante, tanto na parte religiosa, quanto na parte amorosa que ele começa tendo com o saboroso do Lucas Leto. E não só por ele vir de uma família evangélica como ele mesmo disse, mas também por ele ser um bom ator e de já ter mostrado essa expansão dramatúrgica dele em Sintonia. A Larissa Nunes é outra que quando chega em uma determinada cena, ela explode de uma maneira, que mostra todo o peso que a sua personagem carrega ao lado do Justino. Agora, quem dá realmente um show, é o Caio Blat, que dá vida a um excêntrico Bispo Azevedo, uma clara referência a uma pessoa da vida real que quem leu, já pegou a citação. Além disso, tem os ótimos Bruno Garcia, Angel Ferreira e do Gustavo Vaz, que destroem ao trazer a caricata persona do pastor evangélico extremista, que só crê na sua visão de mundo e quer que os outros acreditem também. Fora que, o Angel está um verdadeiro mensageiro do diabo!
Justino: Nos Bastidores do Reino é um filme que vai causar incomodo em muita gente, mesmo que não seja lançado em ano eleitoral e talvez, fazer com que muitas pessoas vejam que, acreditar em deus, é acreditar na bondade alheia do ser humano e respeitar o próximo sem julgar suas escolhas e seus desejos. Afinal como já disse Cristo no julgamento da MM (Maria Madalena): Quem Nunca Pecou, que Atire a Primeira Pedra.
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