O que motiva uma pessoa a continuar viva? A paixão por algo, ou a fé e a esperança de que tudo vai melhorar e dar certo. Uma coisa é verdade, quase nada nessa vida é explicado ou compreendido e Inexplicável vem justamente com essa missão, mostrar não só que a fé é capaz sim de salvar vidas, como também, todo o apoio é sempre bem-vindo.
Adaptação do livro “O Menino que Queria Jogar Futebol”, o filme acompanha Gabriel (Miguel Villabonile), um garoto de 8 anos que ama jogar futebol e que acaba suspenso do jogo após descobrir um câncer no cérebro. A partir daí, uma jornada transformadora marcará a vida de Gabriel, assim como a de seus pais e de todos a sua volta.

Ciência e religião são duas coisas que hora são amigas, hora são inimigas. E o cinema já abordou essa rivalidade/amizade em muitas produções, como Anjos e Demônios. Com Inexplicável, o caso é diferente. Embora a religião esteja encravada no longa, ela não é direcionada para nenhum publico especifico. Muito pelo contrário, ele se utiliza de situações muito simples do dia a dia, como uma roda de oração ou aquele ritual que todos nós fazemos antes de dormir. E como essa é uma história de superação sobre o câncer infantil, todas as sequencias feitas pelo diretor/roteirista Fabrício Bittar são de prender o telespectador na cadeira e fazer ele se emocionar desde os primeiros minutos. Um dos grandes pontos positivos do roteiro do Bittar com a Andréa Yagui e que reflete essa união da ciência e da religião, é abordar esses dois assuntos sem ser panfletário. E isso o filme faz muito bem.

O elenco, que é composto por poucos personagens, tem algumas atuações positivas e outras nem tanto. Eriberto Leão e Miguel Villabonile, são os grandes destaques do filme aqui. Fazendo pai e filho, a ligação entre os dois vai além da relação parental entre os personagens. O incidente com o personagem do Miguel, é apenas uma ponte para a jornada de evolução do personagem do Eriberto, que é um típico cético que não acredita em nada que seja abstrato. Já o Miguel, consegue fazer uma interpretação de um doente com maestria e a sequencia dele no terceiro ato é o que reforça e comprova que esse garoto tem um futuro brilhante na atuação. Agora a nossa diva Letícia Spiller, entrega uma performance dramática perfeita porque, o que essa mulher chora nesse filme, dava para encher uma caixa d´água de lágrimas. Fora que, ela consegue fazer uma mãe, que é o reflexo de muitas mães do Brasil, amorosas e preocupadas com o bem-estar do filho.
Outro destaque do elenco que também arrasa, é o André Ramiro, que muita gente conhece de Tropa de Elite. Depois de muito tempo sem fazer filmes, Andréentrega nesse retorno triunfal, uma linda performance como o médico do Gabriel, que embora poderia só aparecer pontualmente, aqui também ganha um bom espaço de tela e uma história interna própria e que tem ligação com incidente de Gabriel. Agora, quem me decepcionou um pouco, foi a Suely Franco que faz a avó do menino. Embora ela entregue uma versão mais dramática e tranqüila da tia do Paulo Gustavo, ainda assim eu esperava mais cenas dela no longa.

Inexplicável é uma ótima pedida para refletir nesse final de ano sobre crença, sobre união e sobre família, que é uma coisa que estamos precisando muito nesse momento atual.
NOTA: 9,0

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