O ritmo mais ouvido do país e também o mais exportado do mundo, agora ganhou um filme só seu! Funk é a nova produção de Aly Muritiba (Barba Ensopada de Sangue) e foca não no surgimento do ritmo ou num estilo documental. Mas sim, mostra uma garota aspirante a funkeira e filha de uma ex-MC, que está em busca do sucesso.
O filme conta a história de Sabrina (Duda Santos), uma jovem do Morro dos Prazeres, que sonha em ser uma funkeira de sucesso e um orgulho para sua comunidade. Filha de Priscila (MC Nem), uma ex-funkeira que teve que abrir mão da carreira por causa de problemas pessoais, vive em uma eterna relação de amor e ódio com a mãe. Enquanto isso, ela conta com a apoio de sua melhor amiga e empresária Rayssa (Lelê), para conseguir alcançar o seu sonho.

Desde o seu nascimento, o funk veio com a proposta de ser um ritmo de resistência e de liberdade das comunidades periféricas e do povo preto que é uma das raízes do Brasil. Com o passar dos anos, o funk ganhou várias vertentes, incluindo o Brega Funk, que é originário de Pernambuco e do Pará. Mas para este filme, que leva o nome Funk, o ritmo escolhido poderia ser qualquer um, mas o roteiro que teve a colaboração do Aly Muritiba, foi para o lado do funk pesadão, que leva palavras de sexo e curtição, para entregar uma carta de amor aos cidadãos periféricos cariocas, que acordam todo dia para sobreviver e sempre com a autoestima lá em cima, mesmo que a vida traga sempre vários percalços. Então, o que os roteiristas trazem aqui em Funk, é mostrar como é difícil você correr atrás do seu sonho. E quando você o alcança, você nunca pode deixar a sua essência de lado, assim como o Tufão de Avenida Brasil. Ou a Anitta, que hoje tem uma carreira internacional equilibradíssima e ainda assim, sempre volta para Honório Gurgel.
E por falar em Anitta, a nossa querida MC Sabrina, é uma força da natureza entregue por Duda Santos no seu papel mais maduro e ousado até agora. Depois de fazer muitas mocinhas empoderadas e recatadas, aqui, a Duda finalmente mostra o seu lado mais autentico até agora, construindo uma protagonista que é o espelho de várias cantoras da vida real como Anitta, Ludmilla, Valesca Popozuda e MC Carol. Outra que também se destaca, é a MC Nem, que é homenageada pela Sabrina também e em seu primeiro longa-metragem como atriz, ela entrega uma mãe de personalidade forte e que projeta na filha, todos os seus sonhos interrompidos. E por causa disso, vem junto também, uma grande inveja de ter todas as atenções só pra ela. Outra que também manda muito bem é a Lelê, que entrega uma Rayssa que já logo na primeira cena, você já quer ser amigo dela e ir com ela pra todos os rolês.

Outro ponto de destaque de Funk, é a fotografia do Inti Briones, que aposta em um visual estético dos anos 2000, que lembra bastante Tropa de Elite e Cidade de Deus, onde o amarelo reinava a noite e a luz mais forte reinava durante o dia. E também, a toda a parte sonora e musical do filme, que é composta por Érico Theobaldo e pelo Dj Renan Valle. As musicas originais são letras chiclete que grudam depois de um tempo, mas ele também traz musicas que só quem é carioca de verdade, é que vai reconhecer durante a projeção.
Funk, é um filme ousado e que vem para chacoalhar as estruturas, mostrando que a verdadeira essência brasileira, está na sua originalidade e que os sonhos são sim alcançados, desde que você nunca apague quem você é.
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