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Central Critíca Especial – Grande Sertão, a adaptação grandiosa com toques da vida real e um pouco de inspiração em Mad Max e Zack Snyder

Um dos filmes nacionais mais aguardados de todos os tempos, finalmente chegou aos cinemas. Grande Sertão, o novo filme de Guel Arraes antes de O Auto da Compadecida 2 e que adapta o lendário livro do João Guimarães Rosa pela segunda vez, já que existe uma minissérie de tv de 1985 estrelada pela Bruna Lombardi.

A história acompanha Riobaldo (Caio Blat), um jovem morador do complexo de favelas, Grande Sertão e que trabalha como professor na única escola da comunidade. Até que um dia, depois de presenciar uma batalha entre policiais e traficantes de Ouro Branco, ele reencontra um antigo amigo de infância, o Diadorim (Luísa Arraes) e embarca numa Odisseia para entender a guerra entre o bem e o mal.

Divulgação: Paris Filmes/Paranoia/Globo Filmes

Quem conhece muito bem a literatura brasileira, sabe da importância que Grande Sertão Veredas tem para a formação de quem vai estudar letras. Mas é muito mais do que isso, é mostrar para o leitor, que o bem e o mal, existem ambos dentro do ser humano. E essa é a mensagem que o filme quer passar aqui. O roteiro é muito bem construído pelo Guel Arraes e pelo Jorge Furtado, que já de cara, já mostram que são fãs do livro e que eles conseguiram fazer uma adaptação fiel, coisa que poucos filmes conseguem fazer quando se trata de adaptação literária. Além disso, ele consegue trazer temas da vida real para causar uma reflexão no publico e o desenvolvimento de todos os personagens, é muito bem feito e a direção do Guel ajuda bastante nisso, principalmente que ele apresenta a personalidade do personagem e quando chega o seu fim, ele se despede confirmando aquela personalidade que nos foi apresentada no começo.

Falando da direção do Guel Arraes, ele manda muito bem mais uma vez. Ele consegue extrair o melhor do seu elenco e dá um toque épico a história do Guimarães Rosa, se inspirando em filmes de Hollywood como Mad Max: Estrada da Fúria e em obras do Zack Snyder. A própria relação do Diadorim com o Joca Ribeiro (Rodrigo Lombardi), tem um pouco de Christopher Nolan em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que é quando o diretor deixa o telespectador em duvida com relação a um assunto e no final, confirma aquele pensamento que estava na cabeça do publico.

Divulgação: Paris Filmes/Paranoia/Globo Filmes

Falando agora do elenco, todos os atores aqui se entregaram de corpo e alma aos seus papeis. Caio Blat, que já tinha confessado que o Riobaldo era o papel mais importante da sua carreira e que já tinha feito ele em uma adaptação para o teatro, acaba demonstrando isso em cada cena, seja ela na narração ou na atuação. Importante salientar, que o roteiro se utiliza de várias transições rápidas entre passado e presente para contar a história. Já a sua esposa, a atriz e diretora Luísa Arraes, que está no ar com a sua primeira vilã, a Blandina de No Rancho Fundo, traz um Diadorim muito singular e único, onde desde o começo, já fica claro que ele é dono do próprio destino e que por causa disso, ele decide fazer e enfrentar o que quiser.

Divulgação: Paris Filmes/Paranoia/Globo Filmes

Indo agora para o trio Luiz Miranda, Rodrigo Lombardi e Eduardo Sterblitch, temos aqui três atores, que o publico sempre viu de um jeito na televisão e em Grande Sertão, eles demonstram que podem fazer muito mais do que isso. Em primeiro lugar, Rodrigo Lombardi, que já foi confirmado como Molina em Mania de Você, foge completamente do típico mocinho ou empresário galanteador das telenovelas e traz um criminoso que dá um pouco de medo em algumas horas e claro que tem um pouco da ajuda da maquiagem no rosto dele. Mas, ao mesmo tempo, ele consegue passar aquela imagem de protetor e isso torna ele um anti-herói, o que faz gerar uma certa empatia por parte de quem está assistindo a obra.

Outra coisa boa do Joca Ribeiro, é a relação dele com Diadorim, que puxa aquela inspiração do Christopher Nolan com Batman, onde ele fica na duvida e no fim, confirma o que já estava claro. Ou seja, o filme dá várias pistas e no fim, a confirmação vem para o publico. Sobre o Edu Sterblitch que irá retornar agora na segunda temporada de Os Outros e que estará em O Auto da Compadecida 2, encarna uma versão brasileira do Coringa muito real e que com muita facilidade, entraria para o Batman do Matt Reeves. Desde a primeira cena, o Hemorgenes dele já mostra que ele é ruim e ponto. E uma coisa que eu só peço: por favor, coloquem mais o Edu em vilões nos próximos projetos, porque ele tem o talento.

Divulgação: Paris Filmes/Paranoia/Globo Filmes

E por fim, o Luiz Miranda nos entrega um Zé Bebello super marcante. Diferente dos vários papeis cómicos em que já atuou, aqui, o Luiz nos entrega um general de policia, que começa como um vilão, mas que depois muda, mostrando que ele está sempre do lado da lei, não importa qual minoria seja. Fora que, o bordão dele, o Viva a Lei! que ele sempre traz, é muito bom e gruda rapidamente feito chiclete. E tudo isso, torna esse personagem e o Hemorgenes, os meus favoritos de Grande Sertão.

Divulgação: Paris Filmes/Paranoia/Globo Filmes

Antes de finalizar, temos que parabenizar aqui, o trabalho do Guel para imaginar os cenários de Grande Sertão, para a direção de arte, que colaborou para a realização dessas ideias e que por um acaso, todo o cenário do complexo Grande Sertão, se inspira muito no complexo de favelas de Jogador Número Um do Spielberg. E um ultimo salve também, vai para o diretor de fotografia, o Gustavo Hadba, que trouxe uma imagem, muito inspirada em filmes do Zack Snyder e em Mad Max: Estrada da Fúria. Uma das minhas cenas favoritas, é quando o Riobaldo está narrando a sequencia do baile funk e no fundo, as luzes da festa vão o acompanhando.

No fim, Grande Sertão veio para ficar de vez no hall das grandes produções nacionais como O Auto da Compadecida, O Bem Amado e tantas outras. Viva o cinema brasileiro e que venha mais filmes assim, não importa o tema que seja. Um outro exemplo bom disso, é o Biônicos da Netflix.

Divulgação: Paris Filmes
Divulgação: Paris Filmes/Paranoia/Globo Filmes

E aí, concorda ou discorda dessa crítica? Deixem seus comentários aqui embaixo e acompanhem a cobertura do Cine PE no nosso canal do Youtube e nas redes sociais.

NOTA: 10,0

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