A Central do Entretenimento está cobrindo o Cine PE 2024 e durante este período, o Central Critíca está vindo de maneira especial, trazendo dois filmes, que mais agradou a Central durante este período. E continuando o primeiro dia da mostra de curtas e longas-metragens, vamos falar agora sobre dois projetos, que tocam numa ferida enraizada na sociedade brasileira, a exploração e dependência de trabalho doméstico. E o primeiro deles em que vamos falar, vai ser o Dependências e logo depois, o Solange Não Veio Hoje.

Inaugurando o primeiro trabalho da atriz Luísa Arraes, que está no ar como a Blandina de No Rancho Fundo como diretora, o curta Dependências, acompanha uma família da alta elite carioca, que no dia mais importante de suas vidas, estão sem a empregada da casa, que falta devido a uma doença. Querendo agradar o seu chefe e sem nenhuma experiencia doméstica, a dona da casa entra em desespero total e tudo sai do controle.
Que curta gostoso foi esse meus amigos. E que linda estreia que foi essa da Luísa. Como o filme tem vários pontos a serem abordados, vamos falar logo da direção da filha de Guel Arraes, que também estrela Grande Sertão na pele de Diadorim. Pelo que eu pude notar, a direção da Luísa é cercada de referencias, não só do pai, mas também de outros filmes não brasileiros como Corra do Jordan Peele. Outra coisa que a Luísa faz super bem, é casar a fotografia e a iluminação do cenário com a história do curta. Quero mais filmes da Luísa Arraes. E acredito que ela vai amadurecer mais com o passar dos tempos e deixar a sua assinatura assim como o seu pai.
Indo agora para o tema principal do curta, ele critica e discute claramente, a dependência das pessoas fúteis e mimadas com o trabalho doméstico feito por outra pessoa. E tudo isso tratado com muito bom humor. Como o outro curta que você lerá abaixo ainda nesta crítica, aborda o mesmo tema só que um outro olhar, é bom ver como esse funciona como um espelho e vice-versa, o que me lembrou muito Dunkirk e Destino de Uma Nação, que seguem nessa mesma linha. Sobre o elenco, nós temos aqui, uma mistura de nomes conhecidos, como Suzy Lopes, Clarisse Pinheiro e Tomás Aquino, assim como nomes desconhecidos como Catharina Caiado e Eduardo Rios. Toda a atuação é muito exagerada e isso ajuda bastante na comédia do curta.
No fim, Dependências mostra a realidade de muitas famílias da alta sociedade brasileira, que se esqueceu do trabalho a própria mão e acha que é valido ganhar em cima do trabalho alheio. Tá na hora da sociedade rica, se olhar mais profundamente no espelho.
NOTA: 8,0

Solange Não Veio Hoje
Indo agora para o outro lado do espelho, vamos falar sobre Solange Não Veio Hoje, esse curta baiano dirigido pela dupla Hilda Lopes Pontes e Klaus Hastenreiter, mostra como a dependência de trabalho alheio, se assemelhando a condições de trabalho escravo, é uma condição enraizada na nossa sociedade, exatamente como eu disse no começo da crítica de Dependências. Isso porque, desde os tempos coloniais, a alta e a média sociedade brasileira, foi treinada a ser sempre servida por serviçais e isso foi mudando com o passar do tempo com as leis trabalhistas. Só que, tem muita gente, que ainda acredita que estamos vivendo numa sociedade monárquica, o que não é verdade.
As referencias presentes no longa, demonstram cuidadosamente, a fúria que a personagem titular, que só aparece no fim. A cor vermelha presente no uniforme, no radinho de pilha e na alucinação do protagonista com a maquina de lavar, que começa a sangrar mostram não só isso, como tudo o que a empregada significava para o protagonista, que assim como, a dona de casa rica de Dependências, não sabia nem ligar um fogão! E a música original criada para a trilha sonora, amarra tudo isso de maneira interessante, mas não tão atraente assim.
Solange Não Veio Hoje, vai além de ser um ótimo companheiro para Dependências, é uma denuncia bem humorada e ficcional de um estilo de trabalho, que ainda hoje, continua enraizado na sociedade. Não que trabalho doméstico seja errado! Mas, se for feito da forma correta, com salário, bônus e férias, tudo certinho, é uma profissão como qualquer outra.
NOTA: 7,0
E aí, vocês concordam ou discordam dessas criticas aqui? Deixem seus comentários aqui embaixo com a #CentralnoCinePE e acompanhem a Central do Entretenimento no Youtube e nas redes sociais.





