A inclusão e o respeito são dois temas que sempre mexem ou são quase que ignorados pela sociedade brasileira. E de lá pra cá, teve poucos avanços nas cidades. Por causa disso, na primeira noite da mostra de curtas e longas, tivemos dois filmes lindíssimos chamados: Zagero e Nova Aurora.
E são esses filmes que debateremos nesse Central Critíca Especial do Cine PE 2024.

Estrelado pela primeira vez por um artista PCD, o curta Zagero explora os limites do corpo humano, mostrando que é normal, não ser normal. Enquanto ocorria a exibição de Zagero, fiquei pensando muito em Pobres Criaturas, que tenta normalizar as pessoas fora do padrão estabelecido pela sociedade. Porque esse curta, ele foca justamente nisso, na mais pura essência de mostrar que uma pessoa com PCD, também pode ter uma vida com estudo, emprego e família. E tudo isso, na pele de um ator, também PCD, só reforça ainda mais.
A direção do Marcio Picoli e do Victor Di Marco, que também estrela, brinca bastante com a quebra da quarta parede e com o jogo de troca de luzes e imagens, o que me fez se interessar bastante pelo curta. A atuação do Victor, também tá muito boa e mostra que o mercado de atores e atrizes com PCD tem muito potencial, mas é pouco explorado pelo cinema brasileiro e mundial no geral. Espero que Zagero abra mais portas para as pessoas com PCD assim como o Victor, mostrem o seu talento como artisitas.
Ah, e a música criada para o filme e que foi cantada pelo próprio protagonista, como forma de mostrar todo o potencial de uma pessoa PCD, é muito boa e amarra todo o curta muito bem.
NOTA: 9,0

Nova Aurora
As pessoas surdas mudas, são muito mais comuns na nossa sociedade, do que nós imaginamos e elas podem fazer qualquer coisa. E o curta pernambucano com parceira paraibana, Nova Aurora, mostra isso com uma leveza e uma esperança comovente. O filme acompanha Rosa, uma menina surda, que está se autodescobrindo como uma fotografa e que deseja realizar esse sonho. Ao mesmo tempo, ela tem que lidar com o pai, que não sabe falar a linguagem de libras. O filme é todo feito em Rotoscopia, que é uma técnica de animação, onde você filma as imagens normalmente e depois aplica a técnica animada em cima dela, o que faz de Nova Aurora, um curta animado.
A direção do Victor Jimenez, é muito acolhedora e o desenho aplicado sobre as imagens de vários lugares e pontos turísticos do Recife com um tom meio aquarela, é o toque alto do filme, que foi feito em parceria com o núcleo de animação e artes cênicas da Universidade Federal da Paraíba. Um dos desafios dos bastidores do curta, foi o treinamento de atores não surdos, para atuar com artistas que são surdos de verdade. E isso, é uma das condições do cinema brasileiro atualmente, que o filme acaba mostrando.
No fim, Nova Aurora apresenta uma linda história de superar os obstáculos da vida, um a um, de pouquinho em poquinho, por mais difícil que eles sejam, o que me fez lembrar de Grande Sertão, que trata também sobre esse tema.
NOTA: 9,0
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