Já diria o clássico ditado de Candinho (Sergio Guizé), TUDO O QUE ACONTECE DE RUIM NA VIDA DA GENTE, É PRA MELHORAR!
E foi nesse pensamento que a 4ª noite do Festival de Cinema de Gramado 2025 se desenrolou, com a exibição inédita de Querido Mundo, o novo longa de Miguel Falabella e Hshu Chein, que tem estreia prevista para 2026.
Adaptação da peça homônima de mesmo nome escrita e dirigida por Falabella e por Maria Carmem Barbosa, a história acompanha Oswaldo (Eduardo Moscovis) e Elsa (Malu Galli), duas pessoas de realidades distintas e que são perdedores na vida. Na reta final do ano, os dois se encontram por acaso, depois de uma ponte destruída e de uma explosão num prédio abandonado e quase no ponto para cair. Enquanto os dois arrumam uma maneira de sair do prédio, eles vão descobrindo que vale a pena viver.

Quando você ouve o nome de Miguel Falabella interligado a uma obra, você já sabe o que esperar: uma história popular, que fala sobre sentimentos humanos e que mistura muito bem o humor e a comédia. E como o Miguel também é um grande contribuidor do Teatro brasileiro, com obras originais marcantes e adaptações de peças da Broadway, essa é a primeira vez que Falabella adapta um texto teatral e de sua autoria junto com a Maria Carmem para os cinemas. O texto foca muito na esperança, que nunca deve ser perdida e que você deve sempre escutar o próximo, mesmo que isso tome alguns minutos do seu dia.
O longa tem a sua fotografia trabalhada no Preto e Branco de Cruella DeVill e o Gustavo Hadba, que é o fotografo de Ainda Estou Aqui e dos filmes do Guel Arraes, consegue trazer toda uma atmosfera do cinema italiano, assim como Falabella e Hshu trazem easter eggs de obras italianas e européias em vários momentos da trama, que carrega um tom bem sério e melancólico. A direção de arte do filme também é bem prática e consegue transmitir tudo o que o roteiro e a direção pedem: desde a queda da ponte no meio de uma tempestade, até a explosão do prédio, que tem um pouco de humor.

O enxuto elenco do filme, que é super estrelado, manda muito bem. E o grande destaque, é a Malu Galli, que embora seja muito conhecida da televisão e das novelas, mostra com a Elsa, que ela é uma atriz super potente, conseguindo passar no olhar, tudo o que a personagem está sentindo. Além é claro, do Marcelo Novaes, que traz um brutamontes horrível e desenvolve uma relação tóxica com a Elsa, que é o espelho de muitas mulheres ao redor do Brasil. Danielle Winitz nos entrega mais uma perua. Só que é uma perua mais densa e malvada, que só se importa consigo mesma. E claro, a adição do seu filho, o Noah Winitz, que faz sua estreia ao lado da mamãe cheia de orgulho.
Posso dizer que o festival chegou no seu ápice com Querido Mundo, uma história que tem cara de ser comercial, mas que é independente na sua essência, mostrando que os melhores momentos da vida, são aqueles que são compreensivos.
NOTA: 9,0
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