O Álcool é um tema que vira e mexe, sempre aparece em produções audiovisuais, seja nas novelas, nas séries ou no cinema. E logo depois de Vale Tudo, onde tivemos uma tentativa de falar sobre o tema com a Heleninha Roitman de Paola Oliveira, o cinema brasileiro traz um filme potente e transformador, que não fala só sobre o alcoolismo, mas também sobre vários outros fatores importantes na nossa vida e que muitas vezes são motores para gerar o alcoolismo na pessoa.
(Des)Controle é um longa dirigido por Rosane Svartman e Carol Minêm, que também assinam o roteiro ao lado de Felipe Sholl e Iafa Britz eque conta a história de Katia Clein (Carolina Dieckmann), uma escritora infanto-juvenil e mãe de dois filhos que está a 15 anos sóbria. Só que as pressões das vidas pessoais e profissionais, a fazem voltar para o álcool e ela tem que contar com o apoio de seus amigos e familiares para sair dessa situação.

Uma das coisas que primeiro chama a atenção em (Des)Controle, é o seu roteiro, que poderia focar somente no alcoolismo e fazer algo bem tabelado como já vimos outras vezes. Mas aqui, ele mostra que o buraco, é bem mais embaixo. Que a raiz do problema, as vezes são outros fatores que estão as vezes muito perto da gente e muitas vezes não vimos. Um bom exemplo disso é a prioridade que damos para a vida profissional e muitas vezes deixamos nossa vida pessoal de lado e quando vamos ver, nós caímos num descontrole imenso e não conseguimos por uma rédea na nossa vida, que tá o tempo todo nos colocando pressão. E isso acontece com todo mundo, até quem não tem problemas com álcool. E como eu disse no titulo da critica, esse é um filme que fala para quem sofre problemas com o álcool, mas também, fala para quem tem problemas com drogas, consumo, gula e etc.
Como o roteiro desse filme foi escrito inspirado em casos reais de pessoas que são alcoolistas como já diria Manu Dias em Vale Tudo, então muitas situações que a Cat passa por causa do Álcool, são situações que essas pessoas passaram e o filme quis mostrar isso da melhor maneira possível. Outro ponto também que alguns podem achar meio didático, mas eu acho super importante, é essa segunda personalidade que a Cat cria quando está sendo tentada pelo álcool, até porque nós já vimos em muitas vezes até no BBB, que sempre existe duas pessoas: A mais centrada antes de beber e a mais solta depois de beber, e como ela é uma autora que criou uma personagem que é o seu alter ego quando era criança, o filme se aproveita disso para colocar o publico na mente de uma pessoa alcoólatra e fazer a gente refletir melhor sobre nós mesmos e até sobre o próximo.

Sobre o elenco, a Carolina Dieckmann é o grande destaque sem sombra de duvida. Afinal de contas, ela estava cotada lá atrás para fazer a Heleninha no remake de Vale Tudo e nesse filme ela prova que ela faria uma Heleninha muito melhor a depender do texto que viesse. E a versão bêbada de si própria que ela faz, é muito boa e a Carolina consegue diferenciar muito bem as duas versões, que é um reflexo de cada um de nós, mostrando que todo mundo tem uma versão mais solta e sem regras que vive dentro de si. Outra que também manda bem é a Julia Rabelo, fazendo aqui a melhor amiga da protagonista, que tá lá para ser o suporte em momentos difíceis, além de trazer um pouco de humor para o filme. Já sobre o Stefano Agostini, que é conhecido por seu trabalho em DPA, aqui ele mostra que está seguindo o mesmo caminho de Larissa Manoela, se desgrudando da imagem de criança fofinha e abraçando papeis que mostram mais o seu lado maduro como ator. Inclusive, vale o ponto positivo aqui para o casal Daniel Filho e Irene Ravache, que fazem aqueles pais que todo mundo tem ou já teve na sua vida, com muito amor e sabedoria.

No geral, (Des)Controle é um filme que veio em boa hora antes do Carnaval, não só para consientizar as pessoas de que exagerar na bebida é um problema. Mas também para falar que se você tem um vício, busque sua rede de apoio pessoal e depois procure se resolver com você mesmo para poder ter pelo menos, a vida sob controle.
E lembre-se, alcoolismo é um problema de saúde grave e que pode ser tratado com a ajuda do AA, o Alcoólicos Anônimos. Afinal, um dia sem uma gota de álcool, é um novo dia para se viver.
NOTA


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