Uma grande princesa africana sai fugida de seu reino que foi tomado por um tirano traidor. E durante o seu refugio, ela conhece e se apaixona por um homem, que trabalha numa fazenda e que pode ser o grande herdeiro da linhagem real de seu reino. Falando assim parece até história de filme, mas na verdade, é uma novela. A Nobreza do Amor veio com uma proposta potente, necessária e muito boa: uma história que se passa entre um reino africano e uma cidade no interior do Rio Grande do Norte, com um elenco majoritariamente negro e com Lázaro Ramos de vilão, tinha tudo para ser bom. Mas será que foi mesmo?
A novela do mesmo trio de Amor Perfeito, Duca Rachid, Elisio Lopes Jr e Julio Fischer que chega ao fim nesta sexta-feira (06), se encerra com uma audiência fiel e histórias cativantes, mas com todo o potencial que tinha nas mãos, jogados fora no Poço das Serpentes. E o principal motivo disso, foi a falta de jeito de desenvolver a história principal da Alika (Duda Santos), que depois que ela chega em Barro Preto, literalmente o foco para de ser sobre ela e passa a ser a quem está nos arredores dela, quando que na verdade, se fosse feito os ajustes necessários, tanto ela quanto as outras histórias coadjuvantes que caíram no gosto dos fãs, poderia fazer dessa novela, a melhor que já tivemos na faixa das 18:00.

JENDAL/MIRINHO/VIRIGINIA: UM TRIO QUE PODERIA SER O TERROR!
Vamos começar falando pelos vilões principais dessa história que são: Jendal (Lázaro Ramos), Mirinho (Nicolas Prates) e Virginia (Thereza Fonseca). Separados, eles talvez não tenham tanta força de maldade, mas juntos, eles poderiam ser imbatíveis. Porque, embora a Thereza Fonseca entrega uma Virginia egocêntrica, mimada e que você sente vontade de odiar e o Nicolas Prates mostra que a era de mocinhos ficou no passado, ao trazer um personagem que só pensa em si próprio e que deixaria o Timoteo Cabral de Cordel Encantado extremamente feliz, o arco dos dois infelizmente é o que pesa contra o talento absurdo que esses dois trazem em cena. Porque, vê a Virginia fazendo planos absurdos e tudo isso para manter o Mirinho sob seu poder, lembra até a Olga de Chocolate com Pimenta, mas o que diferencia a Vivi da Olga, é que na novela do Walcyr, o plano para manter a Aninha Francisca longe do Danilo, foi pensado a longo prazo. E talvez, se os dois descobrissem a história de Alika e tentassem tirar proveito disso se aliando ao Jendal ao longo da trama, com certeza teríamos uma rivalidade que daria gosto de ver. O mesmo digo agora sobre o Jendal, que embora teve várias cenas ao longo da novela, ainda assim, o potencial vilanesco que o Lázaro Ramos entregou no começo da história e agora nessa reta final, faz com que tenhamos ódio do Jendal que sentimos prazer dele ser passado pra trás. Mas e o miolo? O que teria sido se ele estivesse descoberto o paradeiro de Alika e tivesse se aliado a Mirinho e Vivi para amedrontar ainda mais a Princesa de Batanga? Nunca saberemos. Mas, de uma coisa é certa, queremos mais Lázaro e Nicolas como vilões impiedosos nas próximas novelas.

TONHO, ALIKA E OS CASAIS QUE ENCHERAM A TELA
Se tem uma coisa que A Nobreza do Amor soube entregar foi casal para o povo da internet shipar e torcer. E não é a toa que tivemos muitos casais com seus fandons e torcidas como: Omar (Rodrigo Simas) e Salma (Rayssa Bratillieli) e Januário (Ítalo Martins) e Ana Maria (Julia Lemos). Mas, quando se tem várias histórias extras, onde umas se sustentam e outras são fracas e vazias, do que adianta você ter casais bons desses, com atores sensacionais, e temos que tirar o destaque para Ronald Sotto, que trouxe um Tonho cheio de camadas, um protagonista que sabe amar, que tem um passado nobre que ele foi descobrindo aos poucos e que tinha embates deliciosos com Mirinho por causa dos ciúmes que o coronelzinho tinha dele com o seu pai Casemiro Bonafé (Cassiano Gabus Mendes), o que emana bastante Shakespeare.Além é claro, de entregar beleza e sofisticação. Ronald fez uma boa estreia e tem um caminho maravilhoso para entregar em futuros papeis na televisão brasileira. Indo agora para algumas histórias que foram um deleite acompanhar, o arco dos pais dos vilões de Barro Preto foi maravilhoso, porque eram personagens que só enxergavam o seu próprio umbigo e nunca se importavam verdadeiramente sobre o carater dos filhos. Um bom exemplo disso foi o Diógenes (Danton Mello) e a Marta (Emanuelle Araújo), que sempre faziam todas as vontades de Virginia, até que decidiram acordar e dar um jeito na filha maldita, o que rendia discussões e sequencias maravilhosas
Mas voltando a falar sobre as histórias extras que são vazias e sem força, poderíamos citar várias, mas vamos ficar na do grupo de cangaceiros onde um deles é irmão gêmeo do padre Viriato. E claro, do prefeito da cidade Bartô, que só queria fazer todas as vontades de sua mãe morta. E nesse momento, onde mais uma vez, embora tenhamos o talento de Marcelo Medici e de Fábio Lago para fazer bons papeis, o que o arco dos personagens trazia, não tinha força o suficiente para enrolar o telespectador. E some isso a história do casal principal Alika e Tonho, que durante o miolo da novela, só ficou a cerca do ciúme doentio de Mirinho e Virginia.
A Nobreza do Amor se encerra com muito potencial que tinha para entregar, mas com grandes feitos realizados na questão de ressaltar a cultura afro-brasileira através das cenas lindas de Batanga que tem a direção primorosa do Gustavo Fernandez e com uma abertura que deixaria Chadwick Boseman muito feliz de onde quer que esteja.
Nota:

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