Ele é forte, grande, sabe voar…. E ainda faz sessão de terapia e paga os boletos. Esse é o Overman, criação da quadrinista e cartunista Laerte Coutinho. O personagem é uma grande sátira ao universo dos super heróis, só que com o jeitinho brasileiro de ser. E agora, esse personagem e seus super vilões, ganham as telas de cinema com seu primeiro filme. O longa acompanha um decaído Overman (Caco Ciocler), que tenta lidar com a falta de vilões de primeira linha, até que ele recebe uma proposta do governador do estado (Otávio Muller) para se aliar a Mulher Cachorro (Karina Ramil) para se tornarem os supers do estado. E a partir daí, Overman descobre que um antigo vilão, ressurgiu disposto a se vingar.

Se vocês acham que The Boys e Deadpool já eram modinha no Brasil, meus queridos, é porque vocês não conhecem o Overman. Esse personagem já criticava tudo a sua volta e o próprio Brasil com seu humor único, ácido e bobalhão. E isso se reflete organicamente no longa de Tomás Portela, que demorou 10 anos para ver a luz do dia. O roteiro parte desse mega ego que o Overman tem e constrói uma narrativa de jornada do herói, onde o Overman vai aprender a ser um herói mais gentil e menos arrogante. Mesmo que para isso, ele precise frequentar mais sessões com o Dr. Light, feito engraçavelmente pelo Raphael Logam, que sai do típico bandidão e vai para um lado mais bonachão, principalmente quando ele afina a voz. Já no nosso Overman, o Caco Ciocler, que é um ator que se leva bem a sério nos seus personagens, aqui usa dessa seriedade para trazer um Overman, onde a graça dele, é pautada na sua seriedade e na sua ignorância. Fora é claro, a sua música tema que é um chiclete absurdo e que pode lhe contaminar mais ainda que os gases tóxicos do Maniaco Flautulento (Caio Riscado).

Outra carta na manga que Overman tem, são os efeitos especiais que fazem esse filme, se “igualar” a filmes da Marvel e da DC, só que com o toque do jeitinho brasileiro de ser. Os figurinos então, nem se fala! Se lá fora, eles já são super fieis aos quadrinhos no quesito adaptaçao. Aqui, nós temos uma fidelidade única e sem igual, embora alguns deles façam homenagens a personagens como Gata Negra com o Asa Noturna (Panne) e o Robotinik, que nesse caso vai para o governador do estado, feito maravilhosamente pelo Otávio Muller que é a pura representação da maquina do dinheiro que precisa consumir mais e mais, e é um chamariz para mostrar como o consumismo pode ser destruidor, assim como a Karina Ramil, queestá maravilhosa como a Mulher Cachorro e que é uma bela piada com a Mulher Gato da Halle Barry. Porque a cada uivo que ela soltava, poderia vir um MUSICA DO UIVO.
Overman: O Filme é um longa que critica de maneira acida e divertida, o consumismo, o ego autocentrado de um super-herói e como precisamos nos libertar não só disso, mas também de outros temas que a Laerte já abordou através desse universo e que podem ser abordados em um Overman 2, com direito a um Overcard Deluxe.
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