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Central Critica Continente: Com muitas analogias, visitar o interior pode ser perigoso!

Se tem uma coisa que sempre dá certo em filme de terror, é filmar em um local inóspito onde ninguém pode te encontrar. E se em Hollywood nós temos as tão batidas cabana na floresta, aqui no nosso Brazilzão de meu deus, nós temos as fazendas de interior, que dependendo de onde ficam, podem sim trazer muito medo.

Em Continente, Amanda (Olívia Torres), uma garota que estava morando na França há muitos anos, retorna para o Brasil e vai visitar justamente uma dessas fazendas e que pertence a seu pai que já se encontra no leito de morte. E a medida em que ela vai ficando no local, um grande segredo envolvendo seu pai e os funcionários do local, levam Amanda a uma espiral de loucura.

Divulgação: Vitrine Filmes

Como eu já tinha falado na critica de No Nosso Sangue, o terror é um campo fértil de onde você pode tratar vários temas importantes e atuais para a nossa sociedade. E Continente, decidiu abordar vários temas, através do universo agro, que nos permite explorar várias camadas antiquadas que ainda se encontram presentes na sociedade. Por se tratar de uma fazenda de produção de cana de açúcar onde os funcionários não tem seus direitos trabalhistas honrados, o filme já fala diretamente sobre direitos trabalhistas e esse tema tem voz na personagem da Ana Flávia Cavalcanti, que quer mudar o jeito como as pessoas pensam sobre como vivem lá.

Outro tema muito importante que o roteiro do Diego Pretto com o Igor Verde e a Paola Wink aborda, é a dependência química e utilizando-se do sangue humano como simbolismo da droga real que conhecemos. A maneira como ela é dada para os funcionários em troca de bons serviços, o que cria uma grande analogia ao trabalho escravo. Já a direção do Diego, que inclusive ganhou um troféu Redentor dourado no Festival do Rio, usa de muitos closes nos corpos de seus personagens para criar uma sensação de incomodo, principalmente nas cenas mais angustiantes. E quando a noite chega, se segura pois o Diego vira um lobisomem e se diverte utilizando a escuridão a seu favor assim como o Batman. E como o vermelho é a cor predominante aqui no filme, a fotografia da Luciana Baseggio utiliza bastante dessa cor em vários momentos, seja na iluminação ou nos locais onde o filme foi gravado.

Divulgação: Vitrine Filmes

Sobre o elenco, que é a representação da parceria Brasil, México e Argentina, a Olívia Torres, que você já viu em alguma Malhação da vida, nos presenteia com o melhor papel da sua carreira, com uma personagem que fala pouco e demonstra muito em cena, principalmente quando o filme já se encaminha para o seu grand finalle. Além da Olívia, a Ana Flávia Cavalcanti também arrasa com uma personagem que é a mais bela representação de uma pessoa que venceu as drogas, mas que a todo momento fica tentada a querer continuar no vício.

Divulgação: Vitrine Filmes

Continente é um dos filmes mais tensos que eu vi na Mostra desse ano e um dos mais discussiveis quando o assunto é direitos trabalhistas e vício em drogas. Uma boa pedida para o Dia das Bruxas.

Nota: 9,5

Divulgação: Vitrine Filmes

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