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Central Critica na Mostra SP – Precisamos Falar, uma belo jantar sobre a visão da direita radical sobre amor familiar

Hoje em dia, vivemos numa sociedade, onde tudo envolve polarização. Seja definir quem é fã de Marvel ou DC, quem gosta de Friends ou How I Met Your Mother e quem é de direita e de esquerda no mundo da política. E como o audiovisual, já mostrou de diversas formas como funciona o mundo da esquerda e seus extremos. Chegou a hora de ver o outro lado da moeda.

Depois de ter causado um grande burburinho no Festival do Rio, Precisamos Falar chega a Mostra de São Paulo com os dois pés na porta. Dirigido por Pedro Waddington e escrito por George Moura com supervisão de texto de Sergio Goldenberg, o filme é baseado no conto “O Jantar” de Herman Koch e conta a história de duas famílias, que tem que decidir o destino de seus filhos, que estão envoltos em um assassinato.

Divulgação: Conspiração/Globo Filmes

Muito se sabe sobre a extrema direita e como ela pensa sobre a sociedade. E Precisamos Falar consegue mostrar muito bem que a extrema direita pensa só em si mesma e usa da palavra de Deus, da boa moral e da internet para humilhar as minorias como moradores de rua. O roteiro do George Moura, alinhado a direção do Pedro Waddington e da Rebeca Diniz, consegue criar um clima de tensão e você fica com o coração na boca, querendo saber o que irá acontecer a seguir, que é o conceito de um filme clássico de suspense. E por falar na direção do Pedro, ele consegue aplicar certos ângulos de câmera e zooms na imagem, que me fez lembrar um pouco da estética de filmagem da série The Office, como se o publico estivesse presente na cena.

Além disso, o roteiro e a direção juntos, conseguem criar uma quebra de expectativa que é muito boa em relação a certas situações de perigo, onde você já sabe o passado de cada um dos personagens.

Divulgação: Conspiração/Globo Filmes

Sobre o elenco, que mistura nomes consagrados com gente nova, temos atuações brilhantes aqui. O destaque vai para o casal Alexandre Nero e Marjorie Estiano e para o filho deles, o Thiago Voltolini. Em primeiro lugar, o casal feito por Nero e Estiano imprime o puro suco do facismo e do que representa a extrema direita, com cenas que vão desde o humor ácido provocado pela personagem da Marjorie, até as explosões do Alexandre Nero, que aqui faz um pai de família em estilo bomba atômica, capaz de explodir a qualquer momento. E o melhor de tudo, é que você não sabe quando ele vai mudar de humor e o Nero entrega isso muito bem. Fora que, o visual do cabelo dele, adicionado aos seus ataques de fúria, me fizeram lembrar um pouco do Comendador da novela Império, na qual ele e a Marjorie já contracenaram em lados opostos.

Chegamos agora no causador de toda essa história, o Michel, feito brilhantemente pelo Thiago Voltolini. Uma união das idéias de mundo dos personagens da Marjorie e do Alexandre, o Thiago entrega um pisicopata digno de carteirinha, que não mede esforços para ter as coisas do seu jeito. E os embates que ele tem com o personagem do Cauê Campos, são de ficar com o coração na mão de tão alta que é a tensão. Grande ator o Thiago, tem muito talento pela frente e espero ver ele em mais projetos.

Divulgação: Conspiração/Globo Filmes

Precisamos Falar inicia um novo período no audiovisual brasileiro, que é falar sobre o lado que é contra a cultura e fazer o publico refletir sobre até onde o amor familiar pode levar uma pessoa. Um filme necessário em um tempo em que, até no Jornal Nacional, Precisamos Falar sobre pontos de vista sobre política.

NOTA: 10,0

Divulgação: Conspiração/Globo Filmes

E vocês, concordam ou discordam dessa critica? Deixem seus comentários com a #CentralCriticanaMostraSP e vejam a critica em vídeo no nosso canal do Youtube e nas redes sociais.

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