2024 é realmente o ano das cinebiografias. Depois de termos vários filmes retratando a vida de pessoas mundialmente conhecidas como Freddie Mercury, Gal Costa, Mussum, Claudinho e Buchecha, Whitney Houston, Amy Whinehouse e até Silvio Senor Abravanel Santos, chegou a hora de conhecer duas pessoas, que no geral, são só conhecidas pelos estudantes do primeiro ano de Sociologia da faculdade.

Virginia e Adelaide é uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre em parceria com a Globo Filmes e com o departamento de documentários do canal pago Globo News e que conta a história de duas mulheres, que trouxeram juntas, o que hoje é a psicanálise no Brasil. Se você vai a um terapeuta toda semana, sabe que tem que chegar no horário, soltar o que está dentro e sair com uma reflexão para se tornar uma pessoa melhor. Eu mesmo já fiz terapia várias vezes e afirmo que ela dá sempre certo. O roteiro e a direção que são assumidos pela dupla Yasmin Thayná e Jorge Furtado, consegue muito bem mesclar ficção e realidade, dando uma verdadeira aula de história não só sobre o funcionamento da psicanálise, como também, mostrando que o ódio de dois países tão distantes como Alemanha e Brasil, são a mesma coisa e como isso afeta até as personagens. Tudo isso com um tom bem político por trás e um humor afiado.

Além disso, o filme também tem muitas cenas poéticas, trazendo um clima quase teatral a história, que sempre transita entre a relação das protagonistas e os relatos sobre suas vidas no formato de mocnumentray, que é o falso documentário, utilizado em obras como Modern Family ou O Que Nós Fazemos nas Sombras. Agora, teve um momento em que eu me perdi do filme, que é quando a produção traz algo dos dias atuais para uma história que se passa em 1937. Se era para mostrar a gravação de um programa de rádio, era só ter ido atrás de um microfone da época, gravava o áudio com a voz da personagem num microfone moderno e depois usava o playback no final. #ficaadica

Chegando agora nas nossas protagonistas e em somente elas, já que o filme não tem mais nenhum outro ator, a Gabriela Corrêa e a Sophie Charlotte deram um show e o destaque vai para a Sophie, que é filha de pais alemães e cresceu na Alemanha até os seus oito anos. Ou seja, voltar a falar um pouco de alemão e misturar a sua fala brasileira, quase como se fosse uma russa, foi muito bom para mostrar a sua versatilidade como atriz trilingue, uma vez que ela já tinha demonstrado um bom inglês quando fez O Assassino do David Fincher. Outro ponto que eu quero ressaltar aqui, é a caracterização, a produção de arte, a fotografia e o figurino de Virginia e Adelaide que estão primorosos! O contrate que se cria entre os looks da Virginia que tem uma mistura de clássico com moderno, batem de frente com os da Adeladie, que é aquele look mais referencia aos anos 30, típico de senhoras. Inclusive, se houver um dia, uma cinebiografia ficcional da Fernanda Torres, tem que chamar a Sophie para ser a Fernanda, pois teve dois momentos em que ela tava de costas com a cara um pouco de lado e parecia claramente a Fernanda Torres.

No fim, Virginia e Adelaide é um filme que mostra que a união sempre faz a força. Mas quando essa união é feita por duas mulheres que querem entender a humanidade, essa força ultrapassa todos os limites. Esse filme, é um projeto que merece ser passado não só nas aulas do primeiro ano de Sociologia das faculdades, como também nas escolas, para que os pequenos entendam um pouco sobre ódio e pensar sobre a humanidade com outros olhos.
NOTA: 9,0

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