Premiado durante a semana da critica no Festival de Cannes com o premio de Melhor Ator Revelação, esse filme foi um dos grandes sucessos do Festival do Rio e da Mostra de São Paulo. Com salas lotadas em sua premier, na qual a Central do Entretenimento conseguiu ter acesso, Baby surge para mostrar um outro lado do centro de São Paulo que todos nós sabemos que existe, mas que não queremos enxergar..
O filme acompanha Wellington (João Pedro Caetano), um garoto de 18 anos que ao sair da Fundação Casa, descobre que está sozinho e sem nenhum apoio. Ao visitar um cinema de sexo adulto com seus amigos da night LGBT, ele conhece Ronaldo (Rodrigo Teodoro), um garoto de programa que lhe apresenta uma nova forma de ganhar dinheiro. E quando Wellington assume o codnome de Baby por causa de seu rosto angelical, ele começa uma jornada para entender porque foi abandonado e encontrar seu lugar na barulhenta São Paulo.

Em primeiro lugar, quero destacar o grande nome desse filme que é Marcelo Caetano, o diretor/roteirista/produtor do filme, que deu o seu sangue para fazer essa obra prima sobre o centro de São Paulo e seu lado oculto que muita gente sabe que existe, mas que finge não ver. Um das coisas que eu mais gostei da direção do Marcelo, é a sua forma intimista de comandar as cenas, sempre com muitos closes e muito disso também, vem da sonoplastia da Graciela Barrault, que consegue criar aquele clima gostoso nas cenas intensas de romance que um Luca Guagdanino não teve coragem de fazer em Rivais. Sobre o elenco, todex estão de parabéns! O nosso protagonista, o João Pedro Caetano, ele consegue mostrar todas as camadas do Wellington e evoluir o personagem até o seu estágio final no fim do filme, o que é um grande destaque junto com o Rodrigo Teodoro (QUE ESTARÁ NA RELEITURA DE VALE TUDO) e que faz o Ronaldo, um personagem ponte que é mais usado para avançar a trajetória do Wellington, mas que ao mesmo tempo, também entrega uma desenvolvimento e uma carga dramática para o personagem, que faz você desejar um desfecho positivo para ele.

Agora, sobre a participação da Bruna Linzmayer, que é assumidamente lésbica na vida real, podemos dizer que ela foi muito mal aproveitada, assim como a Bianca Comparato em No Nosso Sangue, uma outra surpresa do Festival do Rio. Mas as duas cenas em que ela aparece, ela dá o seu brilho para a história
No fim, Baby é um filme perfeito sobre auto-pertencimento e sobre as minorias que vivem hoje em dia no centro de São Paulo.
Nota: 9,5

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